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UM LUGAR ESPECIAL PARA UMA GALERA ALTO ASTRAL! Sexta-feira, Dezembro 30, 2005 BUNDAS DE FORA "Neste espaço semanal estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós. O nome refere-se a alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando". Amigos, hoje, essa lindíssima colaboração é do Afonso. Estou escrevendo este recadinho com uma certa antecedência porque vocês sabem que estou fora. Já sabem que esta seção do Nós Por Nós está voltada para blogueiros, ou não, divulgarem seus textos, que podem ser inéditos ou não. Enviem suas colaborações para o endereço exepes2004@yahoo.com.br Beijocas carinhosas e um lindíssimo final de ano. Yvonne Fim de ano Interessante essa tradição de final de ano. Todos os anos as pessoas desejam que o ano novo seja melhor que o ano que passou. Isso me leva a pensar que as pessoas acham que todos os anos não sejam tão bons quanto desejaram no ano anterior. Sim, pois quem quer um ano melhor é porque, ou teve um ano ruim, ou teve um ano bom e não ficou contente e, mesmo tendo um ano bom, deseja mais. Eu, por exemplo, não desejo um ano novo melhor, porque esse que passou foi o melhor! Assim como foi o anterior, o anterior... E têm sido assim todos os anos, desde que nasci! Não desejo um ano novo melhor, porque sou grato pelo que tive; pelo que pude fazer e por tudo o que não pude fazer nesse ano que se acaba! Sim, até por aquilo que não pude fazer, pois assim aprendi meus limites, aprendi que o que queria ter feito esbarrou na existência de outras pessoas e seus quereres ... Assim como no ano anterior, e no anterior... Desde que nasci! Não desejo um ano novo melhor, porque nele não vou conhecer vocês; conheci-os nesse que se vai! Talvez conheça outros, mas nunca mais vocês. Assim como no anterior conheci outros e, no anterior, mais outros... E como os outros, que trago comigo, levarei vocês, seja em que ano for. E tem sido assim desde que nasci! E me pergunto: porque o próximo deve ser melhor? Não desejo um ano novo melhor, porque ano é medida do homem. E que não repitam, insistindo, aqueles que pensam que "o homem é a medida de todas as coisas", porque até que o homem compreenda que não tem medida, a medida de um ano é pouco para o homem!. Eu não tenho medida, muito menos de tempo, desde que nasci! Não desejo um ano novo melhor, porque foi nesse que aprendi, assim como nos anteriores, que o que importa é ser feliz independente do ano. Não desejo um ano melhor, porque foi nesse que vi exemplos que reforçaram minha crença de que bastam duas coisas para ser feliz: acreditar naquilo que se faz e fazer com amor: E quando se faz com amor e se acredita no que faz, não existe ano, e menos ainda tempo. Quando se faz com amor superamos as adversidades; deixamos de dormir cinco minutos e dedicamos esse tempo a escrever uma mensagem que pode significar o conforto de alguém. Foi nesse ano que aprendi palavras femininas: VIDA, MÃE, FELICIDADE, ETERNIDADE, COMPREENSÃO, PACIÊNCIA, TOLERÂNCIA, ALEGRIA e a SATISFAÇÃO. Todas FEMININAS. Todas sempre juntas nesse ano (e tenho certeza que no anterior, e no anterior... também): VIDA. Foi nesse ano que nasceu uma nova vida, uma nova vida que vi se desenvolver e nascer, a Clarissa. Também vi nascer uma MÃE, a Kaya. E vi nela a expressão da FELICIDADE, vi os olhos que brilham. Não há o que pague o momento do encontro inaugural: olhos nos olhos pela primeira vez, ali mesmo, na mesa de operações. Foto que a ETERNIDADE há de preservar. Tive, também, o FELICIDADE de ver o desenvolvimento da Fernanda nas artes da COMPREENSÃO, da PACIÊNCIA e da TOLERÂNCIA, principalmente para com as falhas que cometi. Já quase adulta, estamos construindo o que a vida postergou. Todas as três me de deram ALEGRIA E SATISFAÇÃO. Femininas como as palavras, mulheres da minha vida. Difícil imaginar que em algum ano essas três possam ter estado separadas, por essa razão não desejo um ano novo melhor. Quero-as sempre juntas, seja em que ano for. DESAFIO, RISCO, ESPAÇO, TEMPO e LIMITE. Todos substantivos erroneamente chamados de masculinos. Homens não sabem o que é desafio. DESAFIO é encontrar forças onde não se imagina existirem, quando a filha está doente. Homens também não sabem o que é risco; RISCO é coragem de propor o novo, de enfrentar a mesmice, de olhar sempre em frente. Homens também não sabem o que é ESPAÇO. Homens ocupam espaço, o feminino preenche; homens medem o espaço, o feminino sente; homens procuram por espaço, o feminino é infinito. Homens não conhecem o TEMPO; homens não conhecem o tempo de nascer, não conhecem o tempo de crescer. Homens inventaram o tempo. O feminino inventou a eternidade. Homens têm LIMITE. O feminino traz em seu corpo o não ter limite entre o eu e o outro. Juntos crescem, o feminino e @ filh@, como um só. Por isso não desejo um ano melhor. Pois nesse fui desafiado; nesse precisei e ainda preciso descobrir minhas forças; nesse corri riscos e aprendi a me desterritorializar; aprendi a ver que o tempo é o tempo de uma vida e não de um ano. E, principalmente, que os limites estão apenas dentro de nós. Superei limites e me abri. E encontrei vocês. Não desejo um ano melhor, pois foi nesse que o feminino, travestido em palavras masculinas, me fez crescer. O último exemplo. Um MONTE DE PESSOAS. Pessoas que aprendi a gostar. Pessoas que, mais que virtuais, transformaram-se em pedaços de eternidade. Pessoas que me levam a acreditar na imortalidade da alma, pois que outra razão haveria para ser imortal senão para ter consigo as pessoas que carregamos conosco em cada existência? Não vou citá-las. Não vou correr o RISCO (perdoem, mas ainda tenho medo de certos riscos) de esquecer alguém. Todos sabem como foram. O importante não é a minha lembrança, mas, sim, o que cada um sentiu. E o que eu senti de vocês? CARINHO. Incrível como um computador pode passar sentimentos. Por isso não desejo um ano melhor. Foi nesse que aprendi que é possível, sim, vencer o espaço e o tempo e ser pessoas sem tê-las na minha frente. Um MONTE DE PESSOAS? Não! Uma a uma, identificadas de A a Z. A de A.... B de B..... C de C.... Z de Z.... . Quem sou eu para escrever tudo isso? Eu sou vocês, pois vocês me ensinaram a escrever tudo isso. Por isso só desejo que sejamos PESSOAS. PESSOAS sem TEMPO, sem ESPAÇO, sem LIMITES, que corram RISCOS, que enfrentam DESAFIOS; que sejamos ALEGRES e estejamos sempre SATISFEITOS com a vida; que possamos DEDICAR cada minuto da vida a ser SOLIDÁRIOS; que tenhamos PACIÊNCIA para COMPREENDER as demais PESSOAS e TOLERÂNCIA para com aquelas que não nos compreendem. Não sou religioso. Mas deixo, no entanto, um desejo expresso em forma de uma conhecida oração: ¿Senhor! Concedei-me a SERENIDADE para aceitar as coisas que eu não posso modificar. A CORAGEM para modificar as que eu posso. E SABEDORIA para distinguir uma das outras". Um beijo, de coração, no coração de todos. Afonso publicado por: Nós Por Nós às 00:03
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Quinta-feira, Dezembro 29, 2005 E era um beija-flor Algumas frases de Dario José dos Santos, autodenominado Dario Peito-de-aço, Dadá Beija-flor, Dadá Maravilha, entre outros cognomes fantásticos, são das mais conhecidas pelos brasileiros em geral, e especialmente pelos amantes do futebol. Dario é o mais profícuo filósofo do futebol, e entre suas pérolas, estão estas, menos comentadas, colecionadas no livro "Dadá Maravilha" de Lúcio Flávio Machado. "Dadá não é eterno. Sua história será eterna" "Se minha estrela não brilhar, eu passo lustrador" "Se o gol é a maior alegria do futebol, foi Deus quem inventou Dadá, porque Dadá é a alegria do povo" "Deus é o ser supremo, Dadá é a dádiva" "Não existe gol feio, feio é não marcar gols" "Pelé, Garrincha e Dadá tinham que ser curriculum escolar" "Me empolgo pelas palavras, me realizo nos atos" "Com Dadá em campo não há placar em branco" "A lei do menor esforço é usar a inteligência" "São três coisas que param no ar: helicóptero, beija-flor e Dadá" "No futebol há nove posições e duas profissões: goleiro e centro avante" "Faço tudo com amor, inclusive o amor" 'Futebol é um universo maravilhoso, que faz as pessoas se aproximarem, que faz multiplicar os amigos, que ensina a gente a amar e a respeitar o próximo" "O divino mestre é o fã mais poderoso de Dadá. Ele sempre esteve ao meu lado " "Quando vou para o trabalho só penso em vitória" "Eu sofri muito, minha tristeza exorbitou, meu sofrimento passou dos limites para um ser humano. Mas eu tive um auge violento, tive o mundo aos meus pés, bati recordes, fui falado em todos campos. Hoje vivo na imaginação do povo. Sou personagem do planeta bola" Este carioca, que vai completar 60 anos, em março próximo, era delinqüente, quando menor de idade, e já esteve detento em unidade prisional para menores. Eu não era fã do Dario, até ver um jogo pela tv, na década de 70. Não lembro o ano, mas era a final do campeonato carioca, um Fla-Flu, e eu, naturalmente, torcia pelo Fluzão. O Fluminense foi campeão, ganhando de 4x2, mas eu vi um Dario tão esforçado, com tanta garra, tanto empenho, e até, jogando tão bem, com aquele jeito desengonçado, que cheguei a ficar neutro na minha torcida pelo Flu (vejam bem, ficar neutro. Torcer pelo Flamengo, já é querer demais!). Na crônica "Dada, gols e histórias", de Ariovaldo Izac, aparece uma curiosa revelação. Conta-se ali, que Dario teria confessado se masturbar antes dos jogos. Disse que o início foi quando o Campo Grande, primeira equipe de Dario, foi enfrentar o Fluminense nas Laranjeiras: "Ao olhar para a piscina e ver aquela mulherada quase pelada, fui para o vestiário e me masturbei. Aí fiquei leve como o vento e fiz os dois gols na vitória nossa por 2 a 1". Aí eu me lembro do incrível preconceito contra o sexo. Nada tão natural quanto comer, beber, "descomer" e dormir, é o sexo. Porém, a humanidade carrega essa paradoxal intenção de coibir e proibir o sexo. Mas, o que é pior, até contra o sexo consigo mesmo! Era desesperante a carga de acusações contra a masturbação, até há poucos anos. Qualquer garoto sofria com essas limitações horríveis. Mas a força do sexo, sempre se LEVANTAVA contra tudo e CONTRA TODAS. Da masturbação feminina não vou nem falar. Creio que, ainda agora, há mulheres que a considerem um "pecado terrível", passível talvez de penas infernais. Ainda bem que a pesquisa científica já mostra o efeito salutar e desestressante da masturbação. Já no lado psíquico, a decadência das religiões repressoras, muito tem atenuado a influência dessas imposições absurdas. Graças a Deus, que nunca foi contrário ao sexo, apesar de todas as injúrias assacadas contra ele. Que tenhamos um novo ano feliz, com muita paz e menos repressão. Abraço do tesco publicado por: Nós Por Nós às 09:28
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PROMOÇÃO NPN 13: RESULTADO
publicado por: Nós Por Nós às 00:35
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Quarta-feira, Dezembro 28, 2005 PESSOAS 2005
Da esquerda para a direita: Thânia, Marcos VP, João Nababu, Tata, Bruno, Ana Maria, Christiana Nóvoa, Fal, Maria Helena Nóvoa, Biajoni, Patrícia Köhler, Roberta Febran, Rafael Lima, Guto, Mônica, Carol, Alex Castro, Alê Félix, Inagaki, Rafael Galvão, Donizetti, Yvonne, Idelber, Sandra, Henrique. Eu jurei que não ia fazê-lo. Mas, aos 44'30" do segundo tempo capitulei. Afinal, pra mim foi um ano muito diferente dos outros, principalmente por causa de vocês. Estas são algumas das pessoas que tornaram o meu ano de 2005 muito, mas MUITO mais feliz, graças às amizades desenvolvidas aqui na blogosfera. E aqui só estão os blogueiros que conheci pessoalmente. Uma das minhas metas para 2006 é poder transformar em abraço apertado o carinho virtual que sinto por alguns que ainda não estão aqui na galeria de fotos. E agora, sem pieguice: VIVA 2006 COM TODA SUA ENERGIA! 31/12/2005 UPDATE Não poderia deixar de acrescentar aqui minhas últimas paixões de 2005. Pessoas lindas que tive o imenso prazer de conhecer ontem:
Gisele, Gabi e os Verbeaters: Sérgio, Gejfin e Tiagón. (sim, são eles! Dois dos Top 15 bloguerios sexy 2005.) Como diria o filósofo Ibrahim Sued: Sorry, periferia. Ademã! publicado por: Nós Por Nós às 00:05
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Terça-feira, Dezembro 27, 2005 Amigos, Como vocês sabem a Yvonne deve estar desfazendo as malas lá em Guarapari. Ela deixou o post abaixo pronto para nos deliciarmos com suas recordações de infância. Divirtam-se! Viva RUA JOÃO AFONSO Nasci na Tijuca. O nome do hospital eu não me lembro mais, mas isso não é importante para mim. O meu primeiro passeio foi à Igreja de S. Judas Tadeu. Minha mãe cumprindo um ritual que elaborou para ela mesma, me "entregou" ao santo para que ele me protegesse contra qualquer infortúnio que eu tivesse na vida. Só após essa visita que eu realmente fui para a minha casa. Diz a minha mãe que eu quando entrei no prédio, já cansada de corridas de táxi, eu chorei de irritação. Os vizinhos estavam todos me esperando e um deles, um tcheco, colocou um disco na vitrola. A música foi "Chatanooga Chuchu" (acho que é assim que se escreve), imediatamente parei de chorar. Acho que a minha afinidade com música começou nesse momento. Morei nesse apartamento pequeníssimo por apenas 1 ano e logo depois me mudei para outro na mesma rua, bem maior. A nome da rua é João Afonso, no Humaitá, Botafogo. Ela é pequena, sem saída, até hoje com paralelepípedos e vai dar no morro aonde se encontra o Cristo Redentor. É morro, não é favela. A rua tem uma característica bem interessante, ela é plana até o meio, depois, imediatamente, se torna uma super ladeira. Eu morava na parte de baixo bem em frente à saída do Colégio Pedro II. Morei nessa rua até os 17 anos, com exceção dos 6 meses que fiquei em Brasília. Não vou dizer que foram os melhores da minha vida porque eu me sinto feliz em qualquer lugar, mas o meu coração para sempre pertencerá ao bairro de Botafogo. Sei que é um lugar que muita gente não gosta por causa do trânsito das ruas principais, mas ninguém pode imaginar a delícia que é morar nas transversais do Humaitá, é uma tranquilidade até hoje. A João Afonso só tem casas, poucos prédios de 3 andares, uma vila maravilhosa e apenas 1 prédio alto. É muito linda. Mas o melhor é a vida que as crianças levavam no meu tempo. Todos soltos na rua. Tinha a turma de cima e a turma de baixo, uma não falava com a outra, éramos inimigos, nunca soube o motivo, mas era adorável o folclore da inimizade. Poucos se aventuravam em andar de bicicleta devido à perigosa ladeiríssima. Também naquela época não era obrigatório ter todos os brinquedos do mundo, pois as brincadeiras eram o futebol, pique esconde, cantiga de roda, pique bandeira e outras coisas mais que eu nem lembro. Tínhamos um ídolo na turma de cima, o Vantuil, ele era um rapazola e era a única pessoa que conseguia descer aquela ladeira de bicicleta, sem se acidentar. Os meninos brincavam separados das meninas, com exceção de uma, Helena, que só brincava com os garotos, ela e o meu irmão eram carne e unha, era um verdadeiro moleque. No entanto, quando chovia, todos ficavam juntos jogando na portaria do meu prédio. Até os meus 11/12 anos nossa rua tinha um bloco de carnaval - O Calunga, era uma delícia. Todo mundo ensaiando para fazer bonito na avenida Rio Branco, uma vez ganhamos um prêmio. Outras ruas também tinham blocos que competiam entre si, só gente família. Fui forçada a deixar de gostar de carnaval depois de que a festa virou um grande bacanal, eu insisti até os meus 20 e poucos anos, mas não deu mais. Mas quando era criança, meu Deus do céu! Era muito bom, a rua toda suja de confete e serpentina, as crianças todas fantasiadas com aquele falso lança-perfume, todo mundo brincando. Ninguém nunca soube o que é passar as férias fora, Disneylandia era uma coisa muito distante e inalcançável. Não precisávamos de nada diferente, nós nos bastávamos e éramos felizes daquela maneira. E o Natal? No meu prédio de 3 andares com apenas 12 apartamentos, todas as portas ficavam abertas, um beliscava a comida da casa do outro. A música tocando a noite toda, um vizinho de porta tinha um piano e o pessoal ficava gritando de dentro de casa, pedindo para ele tocar isso ou aquilo e ele tocava. Me lembro bem dos discos: Metais em brasa, Neil Sedaka, Paul Anka, As 14 mais, Sérgio Murilo com Marcianita, aquele negro americano que lançou o twist (esqueci o nome), cha cha cha, Ângela Maria com Babalu, Românticos de Cuba e muitos outros mais. A música vinha da casa do pianista, pois quando acabava um disco, ele tocava piano. Ninguém mais ligava a vitrola, o máximo que fazíamos era levar os nossos discos para lá. Havia respeito, pois ele era o DJ daquela época. Os aniversários das crianças eram simplíssimos, a mesa tinha um bolo com aquele confeito duro, docinhos e só. Tinha também os salgadinhos para os adultos que as crianças não apreciavam muito. As únicas coisas que mostravam que havia criança aniversariando eram a língua de sogra, as bolas e os chapéus. Ninguém se preocupava em comprar lembranças para os convidados levarem para casa. As 3 ou 4 formas de bolo eram as mesmas para todo mundo. Nada mudava, era um palhacinho, um coelhinho e uma boneca. O mais sofisticado era o campo de futebol que necessitava dos bonequinhos. A minha tia, Maria Helena, fazia um confeito de bolo que era uma maravilha. Recentemente o meu irmão pediu para ela fazer um bolo para eu e ele comermos até matar a saudade do confeito duro que não existe mais. Foi uma delícia, todas as lembranças voltaram como que num passe de mágica. Tenho muito carinho também pela semana santa, como eu amava aquela tristeza que deveríamos sentir na sexta-feira da paixão. Ninguém falava alto, ninguém brincava pois tínhamos que ficar cabisbaixos, deveríamos sofrer por Jesus Cristo. Porém, quando chegava o sábado de aleluia era um pega para capar com algazarras, gritarias e a malhação do Judas. Já o domingo era sagrado para se comer o ovinho de Páscoa. Depois que as crianças almoçavam, desciam para comer chocolate na rua com os amigos. Lembro também das festas juninas, meu Deus, como era bom! As festas eram na rua com tudo o que tem direito, todo mundo do meu prédio participava com comidas, bebidas e a decoração. As crianças lindas, fantasiadas. Haviam umas pessoas bem folclóricas e situações bem folclóricas também. Tinha um ministro que morava em uma casa enorme em um terreno que deve ter uns 2.000 m2. A casa dele era a única que tinha poço artesiano, logo, quando faltava água a rua inteira ia lá com seus baldes, aliás o portão dele era permanentemente aberto, as pessoas podiam ficar no jardim, nunca soube de histórias de abusos de hospitalidade. Nunca vi a cara do ministro, nem sei qual era o seu nome e sua pasta. Convém acrescentar que até 20 e poucos anos atrás, muitos casarões em Botafogo abriam seus portões para mamães, babás e crianças pequenas brincarem no jardim. Infelizmente isso acabou. Na minha rua, tinha também uma clínica psiquiatra e de vez em quando fugia um maluco de pijama, era uma festa quando isso acontecia, as crianças ficavam muito excitadas correndo de um lado para o outro como se o doente fosse nos atacar. As crianças são lindas, mas são muito cruéis também. Havia uma menina que morava na parte de cima, ou seja, nossa inimiga, de nome Mary Lou com o cabelo mais vermelho que eu já vi na minha vida, parecia uma irlandesa. Era ela descer a rua que gritávamos de forma ritmada: "Mary Lou, cabelo de fogo, é a bruxa de Botafogo", coitada. De vez em quando, nos aventurávamos e invadíamos o território inimigo, isto é, subíamos a ladeira até o final, ao ponto de caminharmos bastante em uma picada dentro do morro, que até hoje tem vegetação original da Mata Atlântica. Na nossa imaginação, ali tinha um terreno com areia movediça, jacarés, cipós e tudo mais que os filmes americanos nos mostram. Tinha criança que jurava de pés juntos que já tinha visto leão, gorila, girafas, etc. Não importa, eu acredito piamente que eles viram animais selvagens africanos em pleno Rio de Janeiro. Se a Xuxa pode acreditar em duendes, eu também posso acreditar nisso. Quase todos os meninos torciam para o Botafogo, não por causa do bairro, mas sim pelo Garrincha que encantava todo mundo de todos os times. Muitas vezes eles conseguiam ir ao campo para ver algum treino. As meninas não estavam nem aí, odiavam futebol. O único garoto que não gostava desse esporte era o Guy, meu irmão, ele era de tal forma agitado e brincalhão que não conseguia ver algum sentido nessa ânsia de se fazer um gol, mas por outro lado era expert em fazer e ganhar corridas de carrinho de rolimã. O quarto dele era uma verdadeira oficina, fez carrinhos para muita gente dos mais variados modelos. Só mesmo a minha mãe, completamente desligada de assuntos relativos a decorção de casa, que permitia essa bagunça, as demais mães nem pensar. Meu irmão era tão traquinas que ele assustava até mesmo as outras crianças. Quando ele tirava os óculos, sempre tinha alguém que ia avisar a minha mãe: "Dona Maria, o Guy tirou os óculos.". Essa frase era a senha para a minha mãe descer correndo para ver o que ele iria fazer, normalmente alguma coisa com grandes possibilidades de acidentes, como tentar descer a ladeira com carrinho de rolimã, escalar a casa da amiga Helena para chegar ao telhado e caminhar sobre ele de um lado para o outro ou dar uma corrida, subir uma parede e dar uma cambalhota em pleno ar. Nunca se acidentou e também nunca perdeu um óculos, era muito cuidadoso. Quando ele teve caxumba, minha mãe foi obrigada a ficar o tempo todo deitada com ele na cama ou sentada no sofá do seu lado, pois caso contrário ele ficava o tempo todo pulando e ela tinha medo da caxumba descer para o saco escrotal. Nunca vi uma criança mais agitada em todo o meu tempo de vida. A nossa vida era muito boa e simples, nossas roupas duravam muito tempo, não havia moda, os brinquedos podiam ser comprados por um preço bom. Nossa família nunca deixou ninguém perceber que tínhamos um padrão de vida bem melhor que os demais. A única coisa que mostrava isso era que meus pais compravam muitos brinquedos para nós, meu irmão teve uma imensa coleção daqueles carrinhos em miniatura importados. Se não me falha a memória o nome da fábrica é Match Box, ou alguma coisa parecida. No resto, era todo mundo igual, brincando de sandálias Havaianas. Ainda hoje, a rua está rigorosamente igual, nada mudou, com exceção de um conjunto de casas, um botequim e uma padaria bem início da rua que foram derrubados para a construção de um prédio. Tenho uma tia que ficou com o nosso apartamento e sempre estou indo lá. Entretanto, não vejo nenhuma criança na rua, todas estão trancadas em casa com os videogames da vida. É uma tristeza o que aconteceu com o nosso país e com a nossa cidade, não há mais retorno, a sociedade brasileira iniciou um caminho sem volta. Cada geração sentirá nostalgia daquilo que viveu, a minha saudade é especial porque ela é minha, mas valeu a pena tudo que eu vivi. Beijocas Yvonne publicado por: Nós Por Nós às 01:08
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Domingo, Dezembro 25, 2005 Minha Amiga Elza Amiga: Conforme minha promessa, estou enviando um e-mail contando as novidades da minha primeira semana depois de ser transferida pela firma para o Rio de Janeiro. Terminei hoje de arrumar as coisas no meu novo apartamento. Ficou uma gracinha, mas estou exausta. São dez da noite e já estou pregada. Segunda-Feira: Cheguei na firma e já adorei. Entrei no elevador quase no mesmo instante que o homem mais lindo desse planeta. Ele é loiro, tem olhos verdes e o corpo musculoso parece querer arrebentar o terno. Lindooooo! Estou apaixonada. Olhei disfarçadamente a hora no meu relógio de pulso e fiz uma promessa de estar parada defronte ao elevador todos os dias a essa mesma hora. Ele desceu no andar da engenharia. Conheci o pessoal do setor, todos foram atenciosos comigo. Até o meu chefe foi super delicado. Estou maravilhada com essa cidade. Cheguei em casa e comi comida enlatada. Amanhã vou a um mercado comprar alguma coisa. Terça-Feira: Amiga! Precisava contar. Sabe aquele homem de quem falei? Ele olhou para mim e sorriu quando entramos no elevador. Fiquei sem ação e baixei a cabeça. Como sou burra! Passei o dia no trabalho pensando que preciso fazer um regime. Me olhei no espelho hoje de manhã e estou com uma barriguinha indiscreta. Fui no mercado e só comprei coisinhas leves:biscoitos, legumes e chás. Resolvido! Estou de dieta. Quarta-Feira: Acordei com dor-de-cabeça. Acho que foi a folha de alface ou o biscoito do jantar. Preciso manter-me firme na dieta. Quero emagrecer dois quilos até o fim-de-semana. Ah! O nome dele é Marcelo. Ouvi um amigo dele falando com ele no elevador. E ainda tem mais: ele desmanchou o noivado há dois meses e está sozinho. Consegui sorrir para ele quando entrou no elevador e me cumprimentou. Estou progredindo, né? Como faço para me insinuar sem parecer vulgar? Comprei um vestido dois números menor que o meu. Será a minha meta. Quinta-Feira: O Marcelo me cumprimentou ao entrar no elevador. Seu sorriso iluminou tudo! Ele me perguntou se eu era a arquiteta que viera transferida de Brasília e eu só fiz: "U-hum"... Ele me perguntou se eu estava gostando do Rio e eu disse: "U-hum". Aí ele perguntou se eu já havia estado antes aqui e eu disse: "U-hum". Então ele perguntou se eu só sabia falar "U-hum" e eu respondi: "Ã-hã". Será que fui muito evasiva? Será que eu deveria ter falado um pouco mais? Ai, amiga! Estou tão apaixonada! Estou resolvida! Amanhã vou perguntar se ele não gostaria de me mostrar o Rio de Janeiro no final de semana. Quanto ao resto, bem... ando com muita enxaqueca. Acho que vou quebrar meu regime hoje. Estou fazendo uma sopa de legumes. Espero que não me engorde demais. Sexta-Feira: Amiga! Estou arruinada! Ontem à noite não resisti e me empanturrei. Coloquei bastante batata-doce na sopa, além de couve, repolho e beterraba. Menina, saí de casa que parecia um caminhão de lixo. Como eu peidava! (nossa! Você não imagina a minha vergonha de contar isto, mas se eu não desabafar, vou me jogar pela janela!). No metrô, durante o trajeto para o trabalho, bastava um solavanco para eu soltar um futum que nem eu mesma suportava. Teve um momento em que alguém dentro do trem gritou: "Aí! Peidar até pode, mas jogar merda em pó dentro do vagão é muita sacanagem!" Uma senhora gorda foi responsabilizada. Todo mundo olhava para ela, tadinha. Ela ficou vermelha, ficou amarela, e eu aproveitava cada mudança de cor para soltar outro. O meu maior medo era prender e sair um barulhento. Eu estava morta de vergonha. Desci na estação e parei atrás de uma moça com um bebê no colo, enquanto aguardava minha vez de sair pela roleta. Aproveitei e soltei mais um. O senhor que estava na frente da mulher com o bebê virou-se para ela e disse: "Dona! É melhor a senhora jogar esse bebê fora porque ele está estragado!". Na entrada do prédio onde trabalho tem uma senhora que vende bolinhos, café, queijo, essas coisas de camelô. Pois eu ia passando e um freguês começou a cheirar um pastel, justo na hora em que o futum se espalhou. O sujeito jogou o pastel no lixo e reclamou: "Pó, dona Maria! Esse pastel tá bichado!" Entrei no prédio resolvida a subir os dezesseis degraus pela escada. Meu azar foi que o Marcelo ficou segurando a porta, esperando que eu entrasse. Como não me decidia, ele me puxou pelo braço e apertou o botão do meu andar. Já no terceiro andar ficamos sozinhos. Cheguei a me sentir aliviada, pois assim a viagem terminaria mais rápido. Pensei rápido demais. O elevador deu um solavanco e as luzes se apagaram. Quase instantaneamente a iluminação de emergência acendeu. Marcelo sorriu (ai, aquele sorriso...) e disse que era a bruxa da sexta- feira. Era assim mesmo, logo a luz voltaria, não precisava se preocupar. Mal sabia ele que eu estava mesmo preocupada. Amiga, juro que tentei prender. Mas antes que saísse com estrondo, deixei escapar. Abaixei e fiquei respirando rápido, tentando aspirar o máximo possível, como se estivesse me sentindo mal, com falta de ar. Já se imaginou numa situação dessas? Peidar e ficar tentando aspirar o peido para que o homem mais lindo do mundo não perceba que você peidou? Ele ficou muito preocupado comigo e, se percebeu o mau cheiro, não o demonstrou. Quando achei que a catinga havia passado, voltei a respirar normal. Disse para ele que eu era claustrófoba. Mal ele me ajudou a levantar, eu não consegui prender o segundo, que saiu ainda pior que o anterior. O coitado dessa vez ficou meio azulado, mas ainda não disse nada. Abaixei novamente e fiquei respirando rápido de novo, como uma mulher em estado de parto. Dessa vez Marcelo ficou afastado, no canto mais distante de mim no elevador. Na ânsia de disfarçar, fiquei olhando para a sola dos meus sapatos, como se estivesse buscando a origem daquele fedor horroroso. Ele ficou lá, no canto, impávido. Nem bem o cheiro se esvaiu e veio outro. Ele se desesperou e começou a apertar a campainha de emergência. Coitado! Ele esmurrou a porta, gritou, esperneou, e eu lá, na respiração cachorrinho. Quando a catinga dissipou, ele se acalmou. As lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos. Ele me viu chorando, enxugou meus olhos e disse: "Meus olhos também estão ardendo..." Eu juro que pensei que ele fosse dizer algo bonito. Aquilo me magoou profundamente. Pensei: "Ah, é, FDP? Então acabou a respiração cachorrinho..." Depois disso, no primeiro ele cobriu o rosto com o paletó. No segundo, enrolou a cabeça. No terceiro, prendeu a respiração, no quarto, ele ficou roxo. No quinto, me sacudiu pelos braços e berrou: "Mulher! Pára de se cagar!". Depois disso ele só chorava. Chorou como um bebê até sermos resgatados, quatro horas depois. Entrei no escritório e pedi minha transferência para outro lugar, de preferência outro País. Apague este e-mail depois de ler, tá? Sua amiga, Elza. publicado por: Nós Por Nós às 23:25
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Sábado, Dezembro 24, 2005
publicado por: Nós Por Nós às 11:57
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Sexta-feira, Dezembro 23, 2005 BUNDAS DE FORA "Neste espaço semanal estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós. O nome refere-se a alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando". Amigos, apesar de não estar presente aqui, deixei tudo prontinho para ser postado. O querido Carlos foi por mim convidado para colaborar com um dos seus textos que eu acho simplesmente divino. Espero que vocês gostem muito, porque eu adorei. Beijocas Yvonne A MULHER DOS MEUS SONHOS Há muito tempo eu venho procurando por uma pessoa, uma mulher, que já conheço perfeitamente sem nem mesmo tê-la visto. É a mulher dos meus sonhos, a mulher que está com uma asa, asa essa que juntamente com a minha nos fará voar para longe, nos fará voar um vôo perfeito para um lugar único e somente nosso. Juntos viveremos intensamente, aproveitando cada minuto do dia. Nossa convivência será fácil, pois nossos gostos são muito parecidos. Faremos do outro a pessoa mais feliz deste mundo, pois temos este objetivo em comum. Ah, a mulher dos meus sonhos. Ela me faz pular de alegria. Mas afinal de contas, como alguém que ficará com uma mulher carinhosa, inteligente, sensível, calma, intensa, que faz seu coração bater mais rápido, sua barriga gelar e seus lábios sorrir continuamente, pode não ficar pulando de alegria? Minha querida, já tenho muitos planos para nós dois. São tantas coisas que quero fazer com você. Desde viagens até coisas do dia-a-dia. E todas terão um gostinho especial, pois vamos fazê-las juntos. Vamos ser o casal mais apontado pelos amigos e também pelos desconhecidos. Todos vão nos olhar e ficar pensando como nós dois conseguimos sentir tamanha felicidade. Ai, ai. Suspiros. Mulher dos meus sonhos, você me faz suspirar. Cada vez que penso em você dou alguns suspiros. E durante o dia, uma das coisas que mais faço é suspirar pelos cantos, em qualquer lugar que estou. Pois você é a dona dos meus pensamentos e do meu coração. Mulher dos meus sonhos, eu quero e preciso de você. Quero te encontrar, ser feliz e te fazer feliz. Nossa hora chegou, quero que você saia dos meus sonhos e venha fazer parte da minha realidade. Carlos publicado por: Nós Por Nós às 01:10
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Quinta-feira, Dezembro 22, 2005 Maridos em julgamento Duas notícias me chamaram a atenção neste dias. Elas são, digamos, unusuais. Padre flagrado A primeira saiu no site do Yahoo! no sábado, dia 10, e informa que "...o padre católico Joselito de Souza, foi flagrado num motel com a mulher de Hernandez Cavalheiro, no município de Anastácio, no Mato Grosso do Sul.
Cavalheiro estava armado com um revólver, mas não disparou contra o "casal" porque os funcionários do motel chamaram a polícia. Os três foram detidos e levados para a delegacia de polícia. O padre e a mulher foram dispensados e Hernandez detido por porte ilegal de arma. De acordo com a polícia, o caso entre o padre a mulher era antigo, pois muitos freqüentadores da igreja comentavam". Dizem que chifre não dói, mas nesse caso parece doer um pouquinho, não? O Ricardão é liberado, podendo até se confraternizar com a amante, e o traído fica no xilindró! É dose pra corno! Marido ilegal A segunda notícia foi manchete no The New York Times, na quarta-feira passada, dia 14. Fala sobre o caso de Matthew Koso, que declarou-se culpado de abuso sexual contra uma criança que, atualmente, é a sua esposa. Matthew, hoje com 22 anos, e Crystal, com 14, começaram a namorar em setembro de 2003, quando ele tinha 20 e ela 12. Ela engravidou e eles casaram-se em maio, com a autorização de seus pais. Mas para casar-se, tiveram que ir ao Kansas, pois o Nebraska, onde residem, não permite casamento para menores de 17 anos, e ali é ilegal a relação sexual entre maiores de 19 e menores de 16. Sua filha, Samara, nasceu em agosto. O processo contra Mathew foi instaurado em julho e prevê seu julgamento para 07 de fevereiro próximo.Mathew pode ser condenado a 50 anos de cadeia! Inicialmente ele tinha se declarado inocente, porém mudou de idéia por estar inseguro quanto ao pensamento do júri, mas espera receber a liberdade condicional. O Promotor Geral do Nebraska, Jon Bruning, que formalizou a acusação contra Matthew, declarou que "Culpa e inocência não estão realmente em julgamento aqui, está claro que ele violou a lei." Bruning disse que cadeia para Matthew Koso desencorajará outros de ter relacionamento sexual, mesmo consensual, com menores, que são muito jovens para avaliar o possível impacto de suas ações. "Não deixamos que nossas crianças bebam álcool, não deixamos que elas dirijam carros, não permitimos que elas prestem serviço militar, nem deixamos que elas fumem. Então a questão é: pode um adulto ter sexo com uma criança?" "Você tem que se responsabilizar pelas conseqüências de seus atos," disse Bruning. "Eu creio que isso é um crime muito grave". Considero este caso, muito esquisito, até mesmo perturbador. Até que ponto o destino do indivíduo tem que ser regulado pela coletividade? E você leitor, concorda com Bruning, ou acha que o caso de Mathew não deve ser visto por esse ângulo? Abraços do tesco publicado por: Nós Por Nós às 02:00
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Quarta-feira, Dezembro 21, 2005 VOCÊ SE PROTEGE? Papo entre amigas no barzinho: - E aí, como foi o encontro? - Ah, foi tudo de bom! Ele é simplesmente divino na cama! - Que bom! E você se protegeu? E ela, inaudível... - Não... Segue uma lista de xingamentos impublicáveis. - Sua maluca! COMO você pôde fazer uma coisa dessa?! - Eu sei... mas é que na hora, não deu. Fiquei com vergonha de falar em camisinha, sei lá. A terceira amiga, que até agora tinha se mantido calada, diz: - Eu te entendo. Isso já aconteceu comigo. Quando não estamos seguras em relação ao parceiro, dá mesmo o medo que ele nos abandone por causa dessa exigência. Mas é preciso que você perceba que a sua vida não tem preço. Se o cara não quer usar camisinha, ele não serve pra você. Tenha sempre isso em mente. - É, tenho que concordar com vocês, amigas. Pois se ele não quis usar comigo, é porque na usa com nenhuma parceira. Então, nada me garante que ele esteja 100% limpo de doenças. Chega mais uma rodada de chope. - Um brinde à nossa saúde, às nossas vidas! Depois dessa conversa fiquei pensando... será que ainda tem gente hoje em dia que não acredita na força devastadora das DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) ? Não falo só de AIDS, a pior de todas. Há também o vírus HPV, que causa muitos transtornos. Comecei a fazer uma pesquisa informal entre minhas amigas mais jovens ( na faixa dos 30 a 40) e descobri que muitas vezes elas é que têm que pedir ao parceiro que use camisinha. Confesso que fiquei bastante surpresa. Achei que essa geração que já começou a fazer sexo sob o signo da AIDS fosse mais consciente e não abrisse mão de proteção. Mas o que elas me disseram é que alguns caras se fazem de desentendidos - se a mulher não pedir, eles não usam. Vocês não acham um absurdo isso? Confesso que estou bem por fora da nova etiqueta sexual. Quando comecei a namorar meu marido o mundo era outro, as regras que regiam os relacionamentos eram outras e não havia a AIDS. Até entendo que para os homens hoje na faixa dos 50 seja difícil se acostumar com o uso da camisinha. Mas é a vida que está em jogo! Por mais que a camisinha possa atrapalhar, não há inconveniente que justifique o risco. Claro, estou falando em relacionamentos eventuais ou recentes. Gostaria de ouvir vocês sobre o assunto, já que temos um grupo de leitores bem diversificado - casados, solteiros e separados de várias faixas etárias. Para os homens: Você usa camisinha espontaneamente? Para as mulheres: Você exige que seu parceiro use camisinha? Os casados podem responder como agiriam se separados ou se tivessem uma relação extraconjugal. Postado por Viva publicado por: Nós Por Nós às 01:53
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Segunda-feira, Dezembro 19, 2005 Pois é amigos, o ano está acabando e nós estamos mais uma vez torcendo para que o próximo seja bom para todos nós. O Natal é um período que já ficou um tanto deturpado por causa do lado comercial. Isso já estamos carecas de saber. No entanto, ainda assim eu acho muito gostoso receber demonstrações de carinho e votos para que nossas vidas fiquem melhores do que estão. Eu também gosto de desejar coisas boas para os outros. Faz um bem imenso. Estou em uma fase de mudança total de vida e por essa razão tenho escrito muitas reminiscências. Isso é saudável para mim porque tal qual uma fênix, estou me queimando para recomeçar e nesse processo de queima, estou relembrando o passado. Também contribui o fato de que a minha casa está completamente desorganizada. São caixas espalhadas pela sala, é o som e os CD's que não se encontram mais aqui e que estão fazendo uma enorme falta, é ter apenas dois conjuntos de toalha de banho e dois de lençol. É ter apenas roupa de verão, é ter somente dois pratos rasos, dois fundos e dois pires, pois o nosso aparelho de jantar já está em Guarapari. É querer fazer uma lasanha para a família e não poder porque o pirex grande também já está no apartamento novo. Enfim, estou sem um porto seguro, em um lugar que não é mais meu, mas que ao mesmo tempo ainda é. Além disso, tenho que conviver com as lágrimas das pessoas amigas que ainda não aceitaram bem a nossa decisão. A Andréia, minha manicure que vem religiosamente em minha casa todas as terças há exatos 10 anos. A Sandra que dá banho todas as quartas no meu cachorro há 8 anos. É o Seu Américo, português casca-grossa e dono do boteco aqui da rua (um autêntico Bundas de Fora) que só tem falado comigo e principalmente com o meu marido com os olhos marejados. A Lúcia, a Marisa e a Jô, minhas amigas estilo "sex and the city". A Rejane, a Verinha, a Célia e Rosany, outro grupo de amigas também do mesmo estilo com quem me encontro pelo menos uma vez por quinzena. São os meus amigos da Praia do Flamengo que provavelmente não verei por um bom tempo. É a cidade do Rio de Janeiro que eu amo muito, muito, muito. É toda uma vida que não deixo para trás porque a levarei dentro do meu coração. Uma semana por mês estarei por aqui. Não falei da Yasmin, do Felipe e do Guy, meu irmão. Nem tenho condições porque se começar a pensar, eu desabarei. Não estou triste, apenas um pouco nostálgica. Aliás, eu estou muito feliz. Sinto-me renovada, tal qual uma mocinha prestes a se casar. Aproveitei um dinheiro extra que ganhei inesperadamente e fiz um chá de panela para mim mesma. Minhas amigas estão me dando presentes para casa e eu começarei o meu novo lar com um monte de coisas novas e bonitinhas. Estou muito excitada, cheia de planos e com a alma leve. Só sinto um pouco de saudade antecipada, mas depois tudo vai se ajeitar. Amigos, a partir de hoje, poderei ficar a qualquer momento sem Internet, pois vou transferir o Velox para o apartamento do meu irmão, onde minha filha vai morar. Já deixei com o Tesco e a Viva algumas reminiscências minhas para 3 terças-feiras. Espero que eles não tenham que publicá-las porque quero já ter o meu novo computador antes do final do ano. Vou me mudar no dia 26.12. Quero desejar a todos vocês um Feliz Natal e um ano de 2006 cheio de alegrias. Prometo que quando voltar, depois de contar as novidades, tentarei ser menos passional e olhar com menor freqüência para o meu umbigo. Estejam certos que o ano de 2005 foi muito especial para mim pois tive a oportunidade de conhecer vocês que já fazem parte da minha família. Beijocas carinhosas e até o ano que vem Yvonne publicado por: Nós Por Nós às 21:15
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Amigos, a Lize estará ausente por um período que espero seja bem pequeno. Uma das contribuições que recebi para o "Bundas de Fora" foi enviada pela Vania e tem tudo a ver com esses dias que estamos vivendo próximos ao Natal. Como respeitamos a ordem de chegada, não faria sentido deixar esse texto para o ano que vem. Logo, aproveitando a ausência da Lize, curtam esse "Bundas de Fora - Edição Especial de Natal" que fala sobre o que é ser cristão. Espero que cristãos, não cristãos e ateus curtam porque o que vale é ter amor e generosidade dentro do coração. Beijocas Yvonne Yvonne e amigos! Envio um texto para se colocado, se acharem que devem, no Nós por Nós. Grande abraço! VANIA VASCONCELOS Visitem-me em: http://viagensfilosoficas.blig.ig.com.br http://vitorialuz.blig.ig.com.br http://tribuna_livre.blig.ig.com.br -------------------------------------------------------------------------------- SER CRISTÃO SER CRISTÃO JÁ FOI SINAL de ser alguém portador de indômita coragem. O Cristão da época, especialmente dos 300 primeiros anos após a crucificação de Jesus, era alguém que desafiava as autoridades, o poder, a sociedade porque importava muito mais defender os seus princípios, do que a sua própria vida. Amar o Cristo significava ir sacrificar tudo o que ia contra este amor e, se necessário fosse (e foi muitas vezes), doar a própria vida, sacrificar posição social, os seres amados. SER CRISTÃO JÁ FOI SINÔNIMO de ser invencível na fé. Não importavam quão terríveis e devastadoras eram as perseguições, os cristãos, serenos entregavam-se ao martírio, na certeza de que seus exemplos alimentariam a chama do idealismo que iluminaria a humanidade. Nada lhes impedia a manifestação religiosa, na intimidade do coração ou na praça pública. Se as igrejas eram fechadas, buscavam as catacumbas. Ali, onde muitos celebravam a morte, eles celebravam a vida falando da imortalidade. SER CRISTÃO JÁ SIGNIFICOU ser identificado pelo amor que possuíam. Se um companheiro era conduzido ao sacrifício, não faltava quem lhe enviasse uma mensagem: Morre em paz. Também sou cristão. Tua família encontrará um lar em minha casa. Os cristãos repartiam o pão, o teto, o cobertor. Respiravam o Evangelho. SÉCULOS DEPOIS, HOJE, AINDA EXISTEM MUITOS QUE SE DIZEM CRISTÃOS. Mas destes, quantos demonstram fraqueza nas atitudes e sentimentos mornos, quantos se envergonham de dizer que crêem. Quantos ¿cristãos¿ se dizem ¿não praticantes¿, como se religião não praticada justificasse o amor não praticado. Já não somos, como cristãos, aqueles que Jesus intimou ao dizer ¿seja teu sim, sim, e teu não, não¿. Já não lembramos que ser cristão é seguir os exemplos do Cristo, e que Jesus afirmou que os seus discípulos seriam reconhecidos por muito se amarem. Hoje acomodamo-nos nas desculpas da falta de tempo, esquecendo-nos que Deus trabalha incessantemente por nós, e que alguém deu sua própria vida para mostrar que é possível superar todas as mazelas, medos e dificuldades para alcançar a felicidade de se achegar ao Criador. O Natal se aproxima outra vez. E outra vez falamos de Jesus só da boca para fora, preocupando-nos efetivamente com presentes, enfeites, ceias e bebidas com as quais receberemos amigos e familiares. Mas é possível aliar as festividades que fortalecem os laços entre os próximos de nosso coração, e agir verdadeiramente em nome do aniversariante divino, este ser pleno de amor que veio dizer Pai NOSSO, indicando que somos irmãos. E reflitamos que enquanto um só irmão na terra não tiver alegria, saúde, lar, alimento, vestimenta, educação, não teremos felicidade lícita, real. Neste Natal, façamos uma pausa. Aproveitemos este momento especial para uma rogativa sincera a quem é o Caminho, a Verdade e a Vida. Roguemos que nos dê alento para nossas lutas, coragem para nossos atos. Roguemos que fortaleça-nos a fé, ainda tão tímida. Roguemos que ampare-nos as vidas pelas quais tanto tememos. Roguemos que aumente nossa esperança de dias melhores no amanhã. Roguemos que nos infunda vigor para as batalhas contra nossas próprias paixões. Roguemos que Jesus permita que este natal, símbolo de sua vinda ao mundo material, seja nosso momento de decisão, para que o novo ano nos encontre com disposição renovada para finalmente exercitarmos as virtudes que nossa alma anseia: amor, honestidade, perdão, fraternidade, caridade, alegria, fé, coragem. E que, rogando sinceramente, percebamos ter sido ouvidos; que em nossas vidas se multiplique o trabalho, o progresso e a paz. Que nestes dias possamos ser, afinal, verdadeiros cristãos. Adaptação de texto de mesmo título da página Momento Espírita publicado por: Nós Por Nós às 06:02
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Sábado, Dezembro 17, 2005 PROMOÇÃO NPN 13
publicado por: Nós Por Nós às 22:12
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Sexta-feira, Dezembro 16, 2005 BUNDAS DE FORA "Neste espaço semanal estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós. O nome refere-se a alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando." Amigos, hoje a contribuição é da Luciana. Minha história com ela começou recentemente e confesso que nem me lembro como ou quando foi que nos conhecemos "virtualmente". Só sei dizer que me pergunto o motivo de ter vivido até há pouco tempo atrás sem as deliciosas histórias dela. Espero que vocês gostem do que ela escreveu porque eu simplesmente adorei. Vocês já sabem, mas mais uma vez eu irei repetir: o Bundas de Fora é voltado para qualquer pessoa, blogueira ou não, publicar os seus textos inéditos ou não. Quem quiser contribuir basta enviar a sua colaboração para o endereço exepes2004@yahoo.com.br. Se vocês enviarem alguma colaboração e nós não dermos um retorno em até 48 horas é porque simplesmente a mensagem não chegou. Se isso acontecer, basta enviar novamente para os nossos endereços. Beijocas carinhosas e um excelente final de semana. Yvonne MEN Por que será que as garotas gostam dos super-heróis? Com os super-heróis podemos correr o perigo que for, podemos até mesmo morrer, que eles vão dar um jeito e vão nos salvar. Eles vão nos levar pra dar uma voltinha voando sob suas capas, pendurados em teias de aranha, a mil por hora em um batmóvel envenenado. Vão dar beijo de cabeça pra baixo, deixar a gente zonza e tudo mais enfim. Eles, se preciso for, vão abrir mão de nós para que não corramos perigo, para que sejamos felizes. Os super-heróis vão salvar a humanidade, mas sempre dando a impressão de que estão salvando mesmo só a gente. Vão usar umas roupas muito loucas, umas máscaras bem malucas que a gente vai lamentar a vida toda o fato de ser menina e não poder sair fantasiada como eles no carnaval. E sempre vai haver um beco, uma cabine telefônica, uma caverna pra eles se metamorfosearem. Vão usar identidade secreta e a gente não vai dar a mínima bola pra aqueles caras comunzinhos ao nosso lado ¿ magros, desajeitados, ranzinzentos, míopes. Mas deveríamos, sabia? Porque aquele cara comunzinho pode ter perdido os pais na infância, pode ter sido adotado, pode ter sido criado pelos tios. E num domingo à tarde ele pode querer lhe levar pra conhecer os tios dele e fazer um lanche; ou viajar com você pro campo pra lhe apresentar a família que o acolheu; ou ainda, pode querer construir uma família, pra colocar no lugar da que roubaram dele. O cara comunzinho pode ser fotógrafo e tirar fotos lindas de você, no parque. Ele pode ser jornalista, que nem você, e trabalhar bem ao seu lado. Pode ser milionário e acabar realizando seu sonho de transformar a escola pública sem recursos onde você trabalha em uma escola modelo. É por isso que eu não sei dizer qual dos super-heróis realmente é o melhor. Porque sempre acabo me apaixonando pelos caras comunzinhos. Pela identidade secreta, contudo terra-a-terra. Pela timidez do Peter; pela solidão do Bruce; pelo jeito sem jeito, desajeitado do Clark. Pelo rapaz que me leva ao cinema, que divide a pipoca e o mentex, que aperta minha mão, emocionado, quando os super-heróis da nossa infância aparecem na tela e convivem conosco por uma ou duas horas. Então é por isso que as garotas gostam de super-heróis ¿ porque elas se apaixonam, e dentro do olhar apaixonado que elas passam a ter, aquele cara comunzinho na poltrona de cinema ao lado, é sim um super-herói. Luciana publicado por: Nós Por Nós às 06:00
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Quinta-feira, Dezembro 15, 2005 Episódios Queridos amigos: Como os novos contos ainda estão em gestação, e está em voga contar casos ou causos da própria vida, entrego-lhes dois episódios da minha infância. Sim, eu tive infância, apesar das aparências. E, embora isenta de aventuras mirabolantes, sempre existem alguns fatos que podem ser narrados. Aqui vão. Incoerência Tinha sete anos e ia fazer a famosa Primeira Comunhão. Com aquela roupinha branca,
ainda de calças curtas. Que gracinha! Um dia antes, tínhamos que fazer a Confissão, pré-requisito indispensável pelos Sagrados Ritos. As instruções não foram tão completas quanto deveriam. Senão, o menino inteligente e aplicado que eu era, teria lembrado e cumprido tudo à risca. Porém, ao ajoelhar-me na borda do confessionário, calado estava, calado fiquei. O padre Teobaldo iniciou o diálogo então. - Meu filho, conte seus pecados. Continuei mudo, nada tinha a declarar. O padre, contudo, veterano em confissões infantis, sabia como estimular. - Você jogou pedra na casa do vizinho? Eu nunca fui adepto de jogar pedras. - Não sinhô. Você fez safadeza com sua irmãzinha? Eu não tinha irmãzinha, minha irmã tem cinco anos a mais que eu, e mesmo, eu não saberia o que seria ''safadeza''. - Não sinhô. - Você foi pra Bebinho Salgado, escondido da sua mãe? Bebinho Salgado era um local de banho de rio, num dos pequenos afluentes do Capibaribe. Só cheguei a conhecê-lo três anos depois. O Capibaribe, como todos sabem, é o famoso rio pernambucano que, ao se encontrar com o Beberibe, forma o Oceano Atlântico. -Não sinhô. O diálogo quase monólogo não prosseguiu por muito tempo, o padre deve ter concludo: ''Desse mato não sai coelho'', e tascou a penitência. - Pode ir rezar cinco Ave Maria e três Pai Nosso (naquele tempo era Padre Nosso). Dirigi-me aos pés do altar e comecei a rezar. Mas aquela penitência havia me intrigado. A diferença entre um anjo e eu, era que eu não tinha asas. Pensei: ''Se eu não tenho pecado, por que estou sendo castigado?'' Claro, para uma criança de sete anos, ficar estático, ajoelhado, recitando textos nebulosos por cinco minutos, só pode ser castigo. Essa experiência foi a semente, e seis anos depois, excluí-me de vez da Igreja Católica. Sim, outros fatores houve para isso, mas tudo tem um começo. Acidente Pouco tempo depois (ou muito tempo, não lembro o ano), estava eu procurando cavar um pequeno buraco, por ordem de meu pai. Creio que era para obter barro pra fazer alguns tijolos. Meu pai, que era multifacetado, versado em várias artes práticas, como as de pedreiro, marceneiro, carpinteiro, alfaiate, barbeiro, cozinheiro e coisas assim, que os pobres aprendem por força da necessidade, adorava reformar a casa. Pois, eu estava com uma pequena enxada nas mãos, pronto para dar a primeira enxadada. Levantei a enxada, bastante para dar a impulsão inicial e, às minhas costas estava meu irmão, mais velho que eu três anos e bem mais alto. Pá! Na testa! Não a pá, mas o dorso da enxada. Um grande corte se abriu, mas o ferimento foi superficial, não fraturou o osso (o frontal é bem resistente). Recebidos os primeiros socorros, tudo bem. Estivesse meu irmão, um ou dois centímetros mais à frente, não sei o que sucederia. Felizmente, entre as ''lições'' do padre Teobaldo, não constava fratricídio. Abraços do tesco. publicado por: Nós Por Nós às 00:23
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Terça-feira, Dezembro 13, 2005 "Eu te adoro" é "eu te amo" envergonhado. A frase filosofada pelo Rafael Galvão ficou martelando dias na minha cabeça. Rascunhei este post e acabei deixando de lado. Hoje retomo o assunto e tento organizar melhor meu pensamento. A frase é boa, me fez refletir e rendeu na ocasião post do Alex, com interessante observação da sua ruiva: "eu te adoro" deveria ser mais que "eu te amo" - o outro colocado como objeto de adoração. Na cultura americana dizer I love you é muito mais comum do que na brasileira. Banalizado até, em minha opinião. É dito entre pais e filhos e entre amigos, coisa que não vejo acontecer muito por aqui (pelo menos nos grupos que freqüento. Por favor fique a vontade para discordar se você tem experiência diferente.) Lá, nas despedidas de cartas e e-mails informais usa-se love no lugar do nosso beijo (que eles, naturalmente, estranham. Talvez por considerar um beijo excesso de intimidade). Pergunto-me, então, como é que os americanos apaixonados se declaram? Sim, porque se o I love you é usado a torto e a direito, existe uma expressão mais, digamos apaixonada? Respostas na caixa de comentários. Eu não me lembro de ter ouvido meus pais me dizerem eu te amo embora nunca tenha duvidado do seu amor. Simplesmente não é hábito na minha família. Para mim eu te amo sempre teve conotação do amor homem-mulher. Talvez por isto eu tenha ficado tão surpresa quando o Bia deixou um scrap pra mim dizendo amo você. Pensei que um homem tem que ter muita coragem pra falar isso pra uma amiga. Ainda mais assim, em público, sem medo de ser mal interpretado. Quantos de vocês costumam dizer eu te amo para seus pais e/ou filhos? E para os amigos? Quantos já ouviram-na de seus pais ou amigos fora de ocasiões especiais como Ano Novo ou aniversário? Quanto a mim, tenho exercitando mais o eu te amo com meus filhos e amigos. Enquanto isso espero o momento certo de dizer para alguém especial eu te quero!. postado por Viva Pedido do Bia é sempre uma ordem. Ainda mais quando se trata de ajudar a divulgar uma instituição séria que atende crianças e adolescentes portadores de câncer e doenças sanguíneas. O Centro Infantil Boldrini está vendendo calendários de mesa para o ano de 2006. Para adquirir os calendários, permitindo uma arrecadação adicional da instituição neste final de ano, ligue para o Centro Infantil Boldrini ou envie e-mail: Fone: (19) 3787-5115 e-mail: comunica@boldrini.org.br Mais informações sobre o Centro: www.boldrini.org.br publicado por: Nós Por Nós às 23:28
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DA SÉRIE YVONNE E SEU UMBIGO Amigos, através do blog eu tenho a oportunidade de fazer amigos, escrever, trocar idéias e o principal: faço psicanálise diariamente. Na semana passada escrevi sobre o meu pai e interrompi o texto quase que bruscamente. Recebi palavras de carinho e conforto, mas agora escrevo de forma mais completa e acabou saindo este enorme texto. Não se sintam obrigados a ler. O principal é que fiz um grande desabafo e mais uma vez as coisas vão se ajeitando na minha cabeça. Beijocas Yvonne Meu pai, conforme falei semana passada é francês e vive na França. Segundo meus avós era um garoto adorável. Foi escoteiro, gostava de natureza e uma alma generosíssima. Até que estourou a Segunda Guerra e foi feito prisioneiro em um campo (vejam bem, não é campo de extermínio e sim de soldados prisioneiros). Aprendeu a falar Alemão no campo, sofreu o pão que o diabo amassou, foi torturado e quase no final desse período teve a simpatia de seus algozes e uma pequena "promoção": ficou encarregado de cuidar do leite que os alemães bebiam. Ele escondido comia a nata que se formava em cima dos latões. Minha avó, com muito custo, descobriu onde ele estava e foi lá visitá-lo. Acreditem que ela conseguiu falar com ele. Pensou que ele estivesse pele e ossos, mas ficou encantada ao ver que ele estava bem, apesar de tudo. Bom, acabada a guerra e após 3 anos de confinamento, meu pai começou a sua juventude com bebedeiras, farras e um monte de histórias barra pesadas. Fez uma filha com uma moça (desculpa o termo, a filha foi feita após uma trepada de fim de noite) e estava com a vida totalmente desequilibrada. Caiu em si, viu que já era hora de decidir o que fazer na vida e pensou em ficar rico. Só que a Europa era o último lugar do mundo para alguém enriquecer no final dos anos 40. Recebeu uma proposta de emprego para trabalhar em um campo de petróleo na Venezuela e lá veio ele para a América do Sul. Só que o navio quase naufragou na costa brasileira (nem pensem em Titanic que não foi nada do gênero). Quando ele estava no navio chegando ao porto, ele reconheceu o Brasil pela bandeira que é a que tinha no café que ele bebia. Parou na cidade de São Luís do Maranhão, terra natal de minha mãe, se apaixonou perdidamente por ela e desistiu de enriquecer na Venezuela. Ficou no Brasil, fazendo um bico aqui, outro ali, quase morrendo de fome, mas ainda assim não abriu mão dela, foi um lindo amor. Seu primeiro emprego relativamente decente foi o de professor de Francês do José Sarney, que na época não era ninguém. Ela teve que comprar duas calças e camisas para que ele pudesse entrar na casa do cara decentemente vestido. Em um de seus bicos, teve a oportunidade de conhecer um homem, turista carioca, quando ele estava montando uma casinha com restos de madeira. Meu pai é um artista, aliás como toda a minha família paterna e o meu irmão também. Esse cara se encantou com a habilidade dele e o convidou para vir para o Rio trabalhar em um escritório de Arquitetura como maquetista, profissão que praticamente não existia aqui no Brasil. Ele veio, se destacou e logo em seguida foi convidado para trabalhar com o Oscar Niemeyer e Lúcio Costa na construção de Brasília. Ele foi um dos pioneiros. Toda maquete que vocês vêem de Brasília, daquela época bem entendido, foi feita por ele. Oscar Niemeyer teve o sucesso que teve, foi convidado para trabalhar em um monte de países e meu pai indo junto. Mamãe, que largou o emprego que tinha como funcionária pública estadual, ficou com a mesma vida de dona de casa e nunca atendeu aos pedidos do meu pai para que passasse uma ou duas semanas nos países onde ele estava. Ela não poderia imaginar a possibilidade de que eu e o meu irmão ficássemos longe dela. Toda a minha família insistia para que ela viajasse, mas ela ficava irredutível. Eu só tive a presença do meu pai direto nos meus primeiros quatro anos. O resto do tempo ele ficou viajando a trabalho. Meu pai sozinho lá fora, conhecendo um monte de mulheres interessantes e mamãe mais dona de casa impossível. Logicamente acabou o amor. Ainda assim, ele desistiu de tudo lá fora e veio para cá para tentar reatar o relacionamento, mas não deu mais certo e num belo dia, dizendo que iria para Brasília visitar os meus avós, ele simplesmente pegou um avião e fugiu para a França, levando nossas economias e sem se despedir decentemente de minha mãe e dos filhos. Essa foi a primeira facada que eu levei nas costas, exatamente no dia 17.04.1966, quando fiz 12 anos. Com tudo isso, mantínhamos relacionamento por carta e ele sempre mandou dinheiro para a gente. Em março de 1973, quando eu tinha 19 anos, morreu o meu avô materno que sempre foi a pessoa que nos deu apoio. Este foi o último mês que nós recebemos mesada. Ficamos de uma só tacada sem o nosso avô que poderia nos dar apoio financeiro e sem o dinheiro do meu pai. A sorte é que eu já estava trabalhando se não teríamos tido graves problemas. Passamos um ano sem poder comer queijo, presunto e qualquer outra comida que não fosse a super básica. Eu que aos 15 anos ganhei dez mil cruzeiros para a minha festa, de repente estava vivendo aos 19 com um salário de 500 cruzeiros por mês (o salário mínimo era Cr$ 185,00 - nunca mais esqueci) e o valor do nosso condomínio era exatamente a metade do meu salário. Apesar de estar muito dura, larguei o emprego no Unibanco em horário integral e fui trabalhar em uma entidade filantrópica ganhando menos - 480,00, mas era meio expediente no horário da tarde e perto da minha casa. Às terças e quintas pela manhã eu estudava na Aliança Francesa com bolsa de 100%. Às segundas, quartas e sextas eu dava aula particulares em casa. De noite, sábado a tarde e domingo pela manhã eu tinha pré-vestibular com bolsa de 50%. Sábado de manhã eu dava aula particular na casa de um menino rico e esse era o único dinheiro que eu ficava. Esse também era o único dia que eu fazia um lanche decente. Essa era a minha vida com 19 anos. Namorado? Nem pensar porque não tinha dinheiro e roupa para sair e muito menos tempo e disposição. Eu que era classe média quase alta morando na zona sul do Rio de Janeiro, criada a pão de ló, como diria a minha avó, tive que lutar feito uma leoa para construir a minha vida. Consegui a duras penas. Fui promovida nessa entidade, passei a ganhar Cr$ 1.800,00 por mês e finalmente vislumbrei uma luz no fim do túnel. Meu irmão trabalhando decentemente ao invés de fazer bicos. Logo em seguida fui trabalhar no Banco do Brasil, ganhando menos - Cr$ 1.200,00, três anos depois fui transferida para a Diretoria de Câmbio e finalmente já via uma grande luz na minha vida. Eu não estava mais dentro do túnel e sim fora dele. Foi a melhor coisa que me aconteceu. Meu pai, sem querer, me fez um grande favor. Talvez se não tivesse passado por essa experiência eu seria aquela patricinha da adolescência. Isso tudo que nós passamos aqui foi no período em que ele estava vivendo o melhor momento financeiro de sua vida. Ele morando na Argélia fazia compras de supermercado em Paris. Chique não? Ainda assim sempre me correspondendo com ele até que em 1979 fui à Europa e me encontrei com ele após 13 anos de afastamento. Quando eu o vi no aeroporto, corri chorando para abraçá-lo e ele "gentilmente" me disse a seguinte frase: "Pára com isso, as pessoas estão olhando". Essa foi outra facada que tomei nas costas e a partir daquele momento deixei de gostar dele. Ficar com ele por dez dias foi o que poderia ter acontecido de pior para mim. Fiquei hospedada em seu apartamento de frente para o mar em Palma de Mallorca, desfrutando de todas as delícias de uma ricaça européia. Logo depois viajamos para Paris e eu fiquei no Sheraton e usufrui de mais delícias ainda, mas me senti super infeliz. Só pensava na minha mãe e queria o colo dela desesperadamente. Tive o cuidado de não ligar para ela nesse período porque ela perceberia que eu não estava bem. Lembro que um dia, antes de ir para um restaurante super badalado, eu liguei o rádio e tocou Desafinado com Gal Costa, chorei todas as lágrimas do mundo, senti saudade do meu trabalho, do meu namorado, da faculdade, do ônibus que tomava para ir para o trabalho, da cidade do Rio de Janeiro e dos seus grandes problemas, ou seja, de tudo que era a minha vida. Agora ele está doente, velho demais e eu tenho pena dele, mas não consigo escrever. Falar o quê? Quando nos falamos por telefone é um verdadeiro tormento para mim. Ao contrário do que alguns de vocês pensam e escreveram no post anterior, eu já perdoei o meu pai há muito tempo. Nunca o condenei por ter largado a minha mãe porque eu sei que ela era uma pessoa bastante complicada. Eu sou uma mulher casada com um homem que quando eu conheci era divorciado. Não tenho ilusões a respeito de "felizes para sempre". Existe ex-marido, ex-esposa, ex-político, ex-funcionário da IBM, ex-petista, mas não existe ex-filho, ex-filha, ex-pai ou ex-mãe. Meu pai ao se separar de minha mãe, a considerou ex-esposa (logicamente) e conseqüentemente eu e Guy passamos a ser ex-filhos (sem lógica alguma). Outra coisa, enquanto eu fui menor ele nos deu todo o apoio (apenas financeiro), mas que quem disse que pai ou mãe devem deixar os filhos entregues a própria sorte pelo simples fato de eles terem se tornado maiores? Por causa dessa minha experiência, eu e Antonio temos jogado pesado com nossos filhos, mas nunca, nunca vou virar as costas para a minha filha e o meu enteado apenas pelo fato de eles serem maiores de idade. Eles sabem perfeitamente bem que estão "entregues a própria sorte", mas com o conforto de ter em mente que se houver algum problema, financeiro ou não, nós estaremos do lado deles. O nome disso é amor ou talvez responsabilidade. Nós iremos nos mudar para Guarapari e os dois ficarão aqui no Rio, mas têm consciência que papai e mamãe mesmo longe, estarão presentes em suas vidas até o final de nossas existências. A única coisa que sei de minha irmã mais velha é que ela concorreu com mil pessoas de todo mundo para fazer um curso de Língua e Literatura Chinesa na China e ficou com a única vaga. Seu nome já esqueci, acho que é Antoinette, mas não tenho certeza. Meu pai não deu apoio nenhum para ela quer afetivo, quer financeiro. Três anos após o meu pai ter fugido do Brasil, em 1969 meu avô foi "convidado" pelo governo da ditadura para sair do país. Logicamente ele e minha avó voltaram para a França e pediram auxílio ao meu pai em um primeiro momento. A única providência que ele tomou foi colocá-los em um asilo para logo em seguida fugir para a Argélia. Minha avó morreu de desgosto e o meu avô viveu mais tempo. Eu tive a felicidade de passar lindas tardes com ele no asilo quando passei uma temporada na França. Tudo isso é passado, ele se condena por essas ações e sofre muito. Ele já está mais do que perdoado no meu coração, a minha dificuldade é conversar ou escrever carta. Só tive pai nos meus quatro primeiros anos. O resto do tempo, ele era um hóspede em nossa casa. Nunca leu um boletim escolar, nunca me deu umas porradas por ter feito algo errado, nunca ficou acordado enquanto eu tremia de febre, nunca me deu um beijo ou disse "eu gosto de você", nunca soube das minhas decisões em fazer faculdade de Matemática e depois Ciências Contábeis, nunca soube que tive depressão pós-parto por dois meses, ou seja, é um total estranho na minha vida. Vou dizer o quê? Agora, próximo ao Natal eu terei que ligar para ele e vou aproveitar para contar que me mudarei para Guarapari. Assim, é um assunto novo que eu tenho a falar e não serei obrigada a lançar mão de artifícios como falar mal do governo Lula e sua crise política. Os nossos papos são extremamente superficiais. Quando comecei a namorar o meu marido, ele, que tinha um filho de 3 anos, falou para mim que os seus finais de semana eram dedicados unica e exclusivamente ao filho. O Felipe vinha para nossa casa depois da aula de sexta e só ia embora na segunda para ir para a escola. Ele (Antonio) virou-se para mim e disse assim: "a mulher da minha vida eu posso perder porque encontrarei outra, mas o meu filho não posso abrir mão em hipótese alguma. Se você quiser ficar comigo, vai ter que entender que nós nunca teremos os finais de semana e férias só para nós. Se quiser ficar comigo, é nesses termos. Se não quiser, pode ir embora". Neste exato momento, eu descobri que tinha encontrado o homem da minha vida. Eu jamais ficaria com ele, caso ele negligenciasse o Felipe. Não iria me relacionar, mais uma vez, com um pai canalha. Valeu a pena porque ele é o melhor pai do mundo. Amigos, muito obrigada a quem chegou até aqui. Para mim foi excelente contar tudo isso porque me fez um enorme bem. Beijocas Yvonne publicado por: Nós Por Nós às 05:37
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Domingo, Dezembro 11, 2005 Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o. -Nietzsche - Belo pensamento, agora lanço uma pergunta: - Será que é realmente arriscado lançarmos mãos de tudo e acreditar que aquele homem ou mulher o fará feliz? Será que a convivência realmente nos traz uma segurança nesta hora? postado por Lize publicado por: Nós Por Nós às 19:45
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PROMOÇÃO NPN 12: RESULTADO
publicado por: Nós Por Nós às 10:43
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Sexta-feira, Dezembro 09, 2005 BUNDAS DE FORA "Neste espaço semanal estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós. O nome refere-se a alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando." Amigos queridos, hoje a colaboração é do Alexandre Costa. Foi um prazer ter recebido a sua colaboração. Mais uma vez lembro que o Bundas de Fora é destinado para qualquer pessoa blogueira ou não possa enviar suas colaborações que podem ser inéditas ou não. Nosso estoque de textos já está acabando. Dessa forma, sintam-se a vontade para nos contatar através do e-mail exepes2004@yahoo.com.br. Um excelente final de semana para todos. Beijocas Yvonne A chuva Lá fora a chuva que caía lavava os seus pecados. Debaixo dos seus pés molhados o chão áspero e duro lembrava perfeitamente a sua própria condição. A loucura, parceira diária, teimava em lhe visitar todos os dias colocando à prova sua sanidade. Mas ele não desistia. Porque seus olhos podiam ver mais que a simples chuva. Seu corpo podia sentir mais que a cor da solidão. E suas convicções podiam alcançar mais que o simples desejo de fugir daquele lugar. Assim, a vida lhe mantinha vivo para que pudesse domá-lo, provocava e curava com a mesma rapidez. Se o paraíso existia, tinha-lhe fechado as portas. Se seu ¿deus¿ pudesse recebê-lo, não atenderia suas reivindicações. Então, não havia nada que pudesse devolvê-lo ao mundo e ele se mantinha à margem de todos aqueles homens de ¿verdade¿. Ele pensou: - ¿Sou uma sombra, e só uma sombra tem a liberdade que eu tenho. Sou tão livre que nada me atinge. Maldita a liberdade que possuo¿. Foi assim então, que o homem desejou não ser livre. Criou deuses, ídolos, ícones e mitos, desejos e a falta deles. Hoje curte com desmedida paixão seu cárcere espiritual. Alexandre Costa publicado por: Nós Por Nós às 06:26
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Quinta-feira, Dezembro 08, 2005 Caros amigos, Acabei de receber um telefonema do Tesco (vejam que chique) dizendo estar impossibilitado de postar porque sua cidade está sem luz. Dessa forma, aproveito para convidá-los a uma confraternização, no dia 13 de dezembro (3ª feira), às 19h, no Armazém Digital (Rio Design Center, Av. Ataulfo de Paiva, 270, subsolo - Leblon), ocorrerá a Premiação final do "Contos do Rio", o concurso promovido pelo jornal O Globo em que o conto "Sábado de Aleluia", do Marcos VP foi classificado. . O evento é gratuito e aberto ao público portanto vamos aproveitar para fazer a nossa confraternização de final de ano e o meu bota-fora (além de torcer pelo Marcos, é claro). O local é uma livraria e um bar/café - nada mais apropriado, não acham? Quem puder ir, por favor avise para tentarmos reservar lugar. PS: Além da premiação, vai haver um debate com os escritores Sérgio SantAnna, Luiz Ruffato e o escritor e professor Gustavo Bernardo Krause, que vão falar sobre os rumos da literatura nacional contemporânea. x-x-x-x-x-x-x-x Considerando que fui pega de surpresa, aproveito a oportunidade para postar uma mensagem engraçada que recebi um dia desses: O que as mulheres dizem após o sexo? AS ADOLESCENTES! Ai, será que vou engravidar? AS NAMORADEIRAS! Como é o seu nome mesmo ? AS EXAGERADAS! Você acabou comigo!! AS ORGÁSTICAS! Estou com as pernas bambas! AS ANORGÁSTICAS! Ainda bem que esta merda acabou!!! AS TARADAS! Por que parou? Parou por quê? AS MODERNINHAS! Você é bem melhor do que meu marido! AS ARREPENDIDAS! Você bem que poderia ser melhor do que meu marido!!! AS ADÚLTERAS! Isso é que é homem... Não aquela merda que eu tenho lá em casa!! AS MENTIROSAS! Você é o melhor homem na cama que eu já tive! AS PUTAS! São 50 reais! AS GAROTAS DE PROGRAMA São 100 reais! AS SCORTGIRLS São 200 reais! AS ESPOSAS Cadê o salário? AS DONAS-DE-CASA! Terminou? Posso ir fazer a janta? AS ESPERANÇOSAS! Por que eu insisto com você??? AS EXIGENTES! Isso é o melhor que você pode fazer? AS INGRATAS! Só isso? AS INSEGURAS! E agora? O que as minhas amigas vão pensar de mim? AS MENTIROSAS! Você é o primeiro que me faz sentir isso! AS DESCARADAS! Eu nunca tinha feito isso antes! AS INSACIÁVEIS! As preliminares foram ótimas. Agora vamos fazer pra valer! AS INSATISFEITAS Isso é o seu melhor?? Postado por Yvonne publicado por: Nós Por Nós às 10:46
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Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
PEARL JAM, EU FUI ! Confesso que quando ouvi falar que o Pearl Jam viria ao Brasil só conhecia meia dúzia de 3 ou 4 músicas. Mas já dava pra saber que seria um show imperdível. Seguindo a recomendação do meu guru musical Biajoni no Sublinhado comprei o CD Live on Two Legs pra já ir aquecendo os tímpanos. Comprei os ingressos já no segundo dia com medo de esgotar rapidamente como aconteceu em SP. Minha filha iria fazer o favor de me acompanhar (me lembrei do post da Mércia sobre jovens velhos!) Na semana do show ela resolveu que não iria mais pois ganhara um papel de destaque na apresentação de seu coral. Hmpf! Achei que seria fácil vender um ingresso já que estavam esgotados. Mas não foi bem assim. Somente aos 44 do 2º tempo, a quatro horas do início do show, recebo um telefonema do amigo do primo do vizinho da Flávia interessado em comprar. Combino um ponto de encontro e começo a descrever minha roupa. Ele me interrompe dizendo: "É mais fácil você me achar. Sou gigante e tenho dois alargadores de lóbulo, pretos, nas orelhas." Ai, que mêda! Mas deu tudo certo, o Rafael tem 1m90 e uns 120 Kg de simpatia. Fiquei com ele até que encontrasse seus amigos barulhentos. Acho que só naquele momento me dei conta de que, pela primeira vez, estava indo a um show de rock sozinha. Eu e mais 40 mil pessoas. Quantas barreiras estava quebrando ali. A maravilhosa sensação de eu posso, eu não dependo de ninguém! A entrada foi tranqüila, embora um pouco muvucada devido à quantidade de gente. Não tem como não se sentir como gado indo para o abate naquelas baias. Fiquei satisfeita de ver que os homens estavam sendo revistados um a um. Mas as mulheres, não. Também não vi bolsas sendo examinadas. Que machismo! Na entrada cartazes avisando que a cerveja seria vendida somente até as 20h30 e desencorajando atitudes violentas, demonstravam a preocupação do Pearl Jam com o bem estar do público. Eles são conhecidos por não fazerem shows para mais de 40 mil pessoas e por não permitirem cobrança de preços abusivos (se bem que, no Brasil, parecem ter feito vista grossa para essa questão. O ingresso custava R$ 120,00 ou R$ 60,00 para estudante). Às 19h30, sob um límpido céu azul ainda claro, uma lua crescente como o sorriso de Cheshire, entra em cena o Mudhoney, que eu não conhecia e gostei. Mas a recepção do público foi meio fria. Finalmente, às 20h50 sobe ao palco o tão esperado grupo de Seattle. Se querem saber o set list e informações técnicas, procurem nos jornais. Eu vim aqui só pra contar das minhas emoções. O charme ruivo do vocalista Eddie Vedder encantou a todos de cara. Super simpático, ensaiou algumas frases em português como "É aqui que desfilam as escolas de samba? Hoje desfila o rock de Seattle." Aliás, eu adoro a voz de Vedder, pra mim uma das mais belas do rock atual. Forte, quente e afinada. O show foi um delírio só. A cada acorde inicial, uma catarse coletiva. Foi lindo demais ver, da arquibancada, 40 mil pessoas agitando os braços de forma coreografada, na maior paz. Os celulares e isqueiros brilhando durante as baladas. A qualidade e a potência do som também foram espetaculares. Vedder ainda puxou um coro Hey, ho, Ri-o e tentou outras frases em português em meio a goles de vinho no gargalo (puxa, com aquela grana toda não dava pra bancar uma taça Spiegelau?) Pra não dizer que foi tudo perfeito, meu protesto junto à Prefeitura do Rio que não condicionou o horário do show ao funcionamento do Metrô. O show terminaria por volta de 11 e meia e o Metrô fecha às 11. Ponto pra a Prefeitura de São Paulo que conseguiu impor o horário do término do show (21h30) para que não perturbasse a área residencial no entorno do Pacaembu. Não fiquei pra ver como se desenvolveria a Teoria do Caos e saí antes do fim do show pra pegar o último trem. Mas, mesmo não tendo visto tudo, estava nas nuvens por ter ouvido minhas preferidas Last Kiss, Daughter , I Am Mine e Alive. Hey, I, oh,I'm still alive! Postado por Viva publicado por: Nós Por Nós às 01:47
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Terça-feira, Dezembro 06, 2005 SALADA DA YVONNE Amigos, de volta à salada de frutas. Para quem não costuma aparecer por aqui, eu chamo de salada de frutas os meus posts que falam sobre diversos assuntos que não tem nada a ver um com outro. Beijocas Yvonne FOTO E ENCONTRO Quando o Tesco nos solicitou foto para o falecido Nós Por Nós do Weblogger, eu fiquei um pouco na dúvida se colocaria ou não. Optei por um desenho. Só que comecei a me sentir incomodada com crise de identidade, rsrsrs. Dessa forma, decidi colocar a minha foto lá. É só descer um pouquinho que vocês me verão. Outra coisa, a Viva e eu iremos nos encontrar no dia 14.12 (quarta-feira) às 18.30 em local ainda a ser combinado. Gostaria que esse encontro fosse de blogueiros para uma confraternização de fim de ano. Vamos lá? Optamos por esse dia para que não haja problema com as comemorações de fim de ano. Adoraria que todos do país inteiro estivessem por aqui. Seria a glória. LIBERDADE Comecei a usar salto alto por volta dos 18 anos. No começo eram mais baixos, mas a medida que ia me tornando mais velha, o salto aumentava cada vez mais. Quando estudava na UFF, um reduto de jovens logicamente, cheguei ao ponto de ir para lá com calça jeans e camiseta, mas sempre com salto. E foi assim por toda a minha vida. Como sempre fiz o estilo clássica, sempre torci para me tornar balzaquiana para poder usufruir as delícias de um estilo nem um pouco "na voga". Era saltão, boca vermelha, unhas da mão vermelhas e, caso desse, um discretíssimo colar de pérolas. Vivi feliz assim e não sabia como poderia ser diferente, até que me aposentei. Todas as minhas roupas ficaram esquisitas e sem o menor sentido. Com muito custo, comecei a fazer um novo guarda-roupa, dessa vez, com outros estilos. O que mais me agrada é o KIT MENDIGA. O que vem a ser o kit mendiga? É camisetão, bermuda de malha e ... tênis ou sandália rasteira. No começo, essas roupas eram usadas apenas para caminhar no Aterro do Flamengo com o meu cachorro, depois, timidamente é claro, comecei a fazer compras no comércio ou ir ao banco. Gente, como é que vivi por todo esse tempo sem esse tipo de roupa?!? LIBERDADE !!!! E isso - DAR UMA GUINADA NA VIDA E FAZER UMA COISA COMPLETAMENTE IMPENSÁVEL - é uma das grandes delícias de nossa existência. FRED ASTAIRE E GINGER ROGERS Sou cinéfila. Gosto de quase todos os tipos de filme, desde o americano pipoca a alguns filmes cabeça. Não gosto de musicais, com exceção de Noviça Rebelde é claro. No entanto, tenho p-a-i-x-ã-o por filmes com danças. Eu babo com vejo Fred Astaire dançando com Ginger Rogers. Essa dupla é uma das lendas de Hollywood. Ele feio, magro e com voz diminuta. Ela bonita, um tanto ou quanto antipática e decididamente uma dançarina que poderia render muito mais. Fred Astaire teve melhores parceiras, mas com nenhuma delas teve a mesma química. Dizem as más línguas que os dois não se suportavam, mas que quando alguém dizia "gravando", as diferenças eram esquecidas e os dois se tornavam um só. Fred Astaire, apesar de ter uma voz meio estranha, era o cantor predileto de Cole Porter, Ira Gershin, George Gershin e Irving Berlin, dentre outros. Se por acaso vocês não sabem quem são essas pessoas, pesquisem no Google e terão a oportunidade de descobrir que eles foram uns dos maiores compositores americanos do século passado. Gente, o meu lado romântico se identifica muito com histórias do tipo. COMO COMECEI A ESCREVER Gente, sempre fui CDF. Nunca a melhor ou coisa que o valha, mas sempre dedicada nos estudos. Português só passava raspando. Hoje em dia eu fico pensando que eu só devo ter passado nessa matéria por decisão do conselho de professores. Lembro bem que quando estava terminando o ginásio (para quem não sabe é a oitava-série de hoje), a professora me pediu para ir ao quadro negro e marcar o que era objeto direto e indireto. Eu chorei porque não tinha a menor idéia. Redação? Nem pensar, eu não escrevia nem um bilhete. Até que fui trabalhar no Banco do Brasil. Com 3 anos de casa, fui convidada para trabalhar em um setor que tinha como uma de suas tarefas fazer avisos de débito ou crédito. Vocês sabem que eu sou jurássica. Nenhum dos jovens que aqui freqüentam tem a mínima idéia do que eu estou falando, mas antigamente, ao invés do banco debitar nossa conta com a referência "1 KGDV", nós recebíamos um aviso com o seguinte texto "IMPORTE que debitamos em sua conta referente a despesa incidente sobre ...". Bom, tempos depois fui promovida para assessora de diretor e cabia a mim fazer pareceres sobre os mais diversos assuntos relacionados com a área internacional (Câmbio). Gente, foi dessa forma que tomei gosto por escrever. Fazendo um serviço nada charmoso e extremamente burocrático, eu descobri o prazer da escrita. JUVENTUDE Gente, vocês sabem que tenho 51 aninhos. Digo aninhos porque sou jovem em muitos aspectos. Não sou uma Elba Ramalho que sente prazer em namorar garotos. Não gosto de meninos. Eles foram importantes na minha vida quando eu era menina, mas agora não vejo mais nenhuma graça neles para manter um relacionamento amoroso, ainda que eu saiba que o furor sexual deles é qualquer coisa, mas como não sou mais uma Brastemp, ficamos combinados assim. No entanto, o universo blogueiro nos reserva muitas surpresas. Meus mais novos amigos de infância são pessoas com idade para serem filhas e filhos. Existe uma frase meio grosseira sobre homens que são menores que suas mulheres que diz que homens e mulheres deitados na cama têm a mesma altura, logo Yvonne e fulana ainda que tenham milhares de anos de diferença de idade podem se tornar unha e carne. Não vou citar nomes porque tenho medo de esquecer alguém, mas confesso que me sinto extremamente feliz em ser amiga (ainda que virtual) de um monte de gente que eu morro de paixão. Como é que vivi por todo esse tempo sem vocês? Jovens queridos, obrigada por deixarem que eu faça parte da vida de vocês. PAPAI Amigos, meu pai é francês e mora na França. Foi extremamente apaixonado pela minha mãe, até que esse lindo amor acabou. Não teve dó e nem pena e simplesmente nos deixou. Até os meus 19 anos ele pagou pensão alimentícia, ou melhor, mesada. Depois disso nos deixou de lado. Com essa idade, eu me tornei o "homem" da casa, visto que minha mãe não trabalhava e o meu irmão só tinha 17 anos e ninguém dava emprego para ele por estar prestes a servir o Exército. De uma renda que hoje equivaleria a uns dez mil reais por mês, passamos a viver com os três salários mínimos que eu ganhava no UNIBANCO. Lutamos pela nossa sobrevivência feito uns leões e finalmente demos certo na vida. Mesmo negligenciados, sempre escrevíamos cartas e procurávamos alguma aproximação. Ele sempre distante, trabalhando com sucesso na França e posteriormente assumindo o cargo de autoridade máxima de uma filial de uma multinacional francesa localizada na Argélia. Até que começou essa onda de terrorismo islâmico e todos os estrangeiros tiveram que sair correndo daquele país. Papai perdeu tudo e teve que viver da caridade da previdência social francesa com uma aposentadoria ridícula. Pensou na vida, repensou, pensou novamente e começou a ver tudo de errado que ele fez: ter abandonado os pais a própria sorte, nunca ter dado atenção a uma filha feita durante a Segunda Guerra e ter nos deixado aqui no Brasil com uma mão na frente e outra atrás. Chegou a conclusão que ele sempre foi um canalha (palavra dele e não minha). Agora quer nossa companhia, mas não tem como vir para cá e nem nós podemos ir para lá. Ele sofre de enfisema pulmonar e nunca, jamais, em tempo algum poderia viver em uma cidade úmida como o Rio. Também não teria a mínima chance de ter aqui o sistema de saúde que tem lá. Mandou em setembro uma carta cheia de fotos e pequenas besteiras. Até hoje não respondi. Não sei o que falar com ele que é um estranho na minha vida. Meu avô, pai da minha mãe, é que foi o meu verdadeiro pai. E eu que tenho a capacidade de escrever essa salada de frutas, não tenho condições de escrever nada além de "Querido papai". Eu preciso fazer essa carta porque eu sei que ele está prestes a morrer, mas não sei o que fazer. Bom, vou ficar por aqui. Beijocas Yvonne publicado por: Nós Por Nós às 06:35
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Domingo, Dezembro 04, 2005 Povo brasileiro Acabei de chegar da festa de Natal das crianças carentes do "Projeto Sonhar Acordado", no qual sou voluntária. Foram oitocentas crianças e trezentos voluntários das mais diversas idades, ficando duas crianças para cada voluntário cuidar e brincar. Havia a diversificação de crianças: crianças bem cuidadas, mal cuidadas, crianças inseguras, bagunceiras, educadas, alegres, tristes, negras e brancas. Foi uma linda festa feita num buffet daqui de Fortaleza, que o dono cedeu para que fosse realizado este grande dia, tão importante para estas 800 crianças. Como existem pessoas boas ainda neste mundo! Queria que cada um de vocês visse os voluntários, a dedicação de cada um para com suas crianças, brincava, esperavam pacientemente na fila pelo brinquedo que suas crianças queriam. Corriam com as mesmas, se preocupavam em alimentá-las. Pude constatar como também existem empresários que são carismáticos, não deixando faltar lanches, presentes de Natal e material de brincadeiras. Enfim, o povo brasileiro é um povo extremamente solidário, pois se esperarmos pelos nossos políticos para dar um dia tão importante para estas crianças carentes, é melhor nem esperar... Beijins Lize publicado por: Nós Por Nós às 21:49
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Sábado, Dezembro 03, 2005 PROMOÇÃO NPN 12
publicado por: Nós Por Nós às 22:18
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O lado certo? "Taí os quatro que queimaram o ônibus. Nós do CVRL (Comando Vermelho Roberto Lemgruber) não aceitamos atos de terrorismo. CVRL, lado certo da vida errada ... Fé em Deus ... só falta o safado do pela-saco do Lorde" Recado deixado por traficantes que executaram quatro bandidos que incendiaram um ônibus com pessoas dentro. Amigos, Eu penso que a trajetória de um ser humano se dá em 3 fases: na primeira delas nós somos filhos de alguém. Cabe a esse alguém nos ensinar o que é certo e o que é errado, nos mostrar o bom caminho e nos fazer entender que o nosso direito acaba quando começa o do outro. Na segunda fase deixamos de ser filhos para sermos alguém. Nos tornamos adultos e passamos a compreender o que vem a ser uma sociedade e o nosso papel dentro dela. Na última fase, passamos a ser pais de alguém e dessa forma cabe-nos orientar nossos filhos. E assim se fecha o círculo: filho, adulto e pai. Vejam bem, filho, adulto e pai no sentido literal e, o mais importante, no figurado também. Quando alguma coisa não vai bem nesse caminho, há um desequilíbrio que prejudica o ser humano e a sociedade. Eric Fromm disse em um de seus livros que todos nós seres humanos precisamos de um pai. Quando ficamos adultos e já não precisamos mais da orientação dos nossos, buscamos em uma ideologia, religião, partido político ou seja lá o que for a figura paterna. Exemplo clássico disso foi Hitler que se tornou um pai de todo um país. Cabe ao Estado com suas leis, instituições e poderes públicos mostrar aos cidadãos a maneira correta de se portarem. É saudável saber que os governantes do nosso país estão zelando pelos nossos interesses. Quando isso não acontece, perdemos o rumo de nossas vidas e ficamos a deriva. É neste momento que entra o traficante de drogas, o aliciador, o bandido. Pessoas do tipo sabem perfeitamente bem como adotar quem tem necessidade de ter um pai. Os jovens, principais vítimas, que não tiveram a figura paterna, a orientação de uma boa professora ou os conselhos de um grande amigo, encontram nesse líder máximo (o traficante) um grande protetor e assim toda a carência afetiva de uma vida é suprida. Chegamos a tal ponto que traficantes do "bem" que têm "fé em Deus" tomaram para si a tarefa de executar os traficantes do "mal". Não vou falar mal de nossa polícia porque ela não tem o conforto de saber que é amparada, protegida e respeitada pelo Estado (o pai). Os jovens que incendiaram o ônibus fizeram isso porque Lorde (papai e protetor) mandou. Os traficantes do "bem" executaram os outros porque esta é a função de um pai que precisa mostrar para os filhos que atos de terrorismo não é coisa de gente boa. Eles se acham "o lado certo da vida errada". É estamos muito doentes, toda a sociedade está doente e precisamos de uma UTI com urgência. Beijocas Yvonne publicado por: Nós Por Nós às 07:21
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Sexta-feira, Dezembro 02, 2005 BUNDAS DE FORA Neste espaço semanal estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós. O nome refere-se à alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando. Amigos, hoje o texto é da Mércia Lustosa. Já sabem que para nós é um grande prazer dedicar as sextas-feiras para os amigos, blogueiros ou não, publicarem seus textos inéditos ou não. Quem quiser participar, basta enviar um e-mail para o endereço exepes2004@yahoo.com.br colocando no campo assunto a palavra "Contribuição". Beijocas carinhosas e um excelente final de semana para todos Yvonne P.S.: Mudando de assunto, gostaria de informar que amanhã teremos postagem sobre recente barbárie que aconteceu no Rio. Compareçam. Conservadora, eu? Quando ouvi de um jovem, muito jovem, que eu era mais conservadora que a sua bisavó, levei um susto. Eu? Não acreditei! Eu? Sou da geração dos jovens que viveram mudanças de comportamento como a contracultura. Dos jovens que lutaram para destruir o velho e impor o novo. Da década da contestação. Da época que mudou o mundo. Da geração dos que não aceitaram o que estava estabelecido e consagrado. De quando as mulheres abandonaram as saias rodadas para usar calças¿cigarettes¿ num prenúncio de liberdade. De quando (ter) liberdade era usar uma minissaia, a vedete dos anos 60. Sou, enfim, a juventude dos anos 60. A juventude que tinha como característica o desejo de se rebelar, a busca por liberdade de expressão e liberdade sexual. Para um jovem, muito jovem, que nasceu na era da informática, uma rebelde dos anos 60 deve ser, de fato, hoje, conservadora tanto quanto a sua bisavó, que pode ser da minha idade. Ou não. Mas essa não é a idéia que eu faço de mim mesma. Se a luta da juventude dos anos 60 contribuiu ¿ e, com certeza contribuiu - para que um jovem, muito jovem, tivesse a liberdade, atualmente, de expressar os seus sentimentos com naturalidade, sem constrangimento, então valeu toda a nossa contestação à sociedade e a sua cultura nos diversos aspectos pelos quais lutamos..., como, por exemplo, a mudança dos costumes e da moral...! Parabéns aos jovens dos anos 60, quase sessentões, agora, e aí eu me incluo, claro, e, parabéns aos jovens, muito jovens, da era da informática e aí está incluído o jovem, muito jovem. Enquanto aqueles estabeleceram idéias inovadoras, estes as usam como inspiração para as suas criações. "O conceito que fazemos de outras pessoas, bem como aquilo que vemos no espelho quando nele nos miramos, depende do que sabemos do mundo, do que acreditamos ser possível, das memórias que guardamos e se nossa lealdade está comprometida para com o passado, o presente ou o futuro". (Theodore Zeldin - Uma História Intima da Humanidade) Aos jovens de todas as gerações, um beijo e um abraço de encostar costela. Bom dia...muitas alegrias. Mércia publicado por: Nós Por Nós às 06:26
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Quinta-feira, Dezembro 01, 2005 DESISTA Denis de Rougemont, em "História do Amor no Ocidente", cita Choderlos de Laclos (1741-1803, autor de "Ligações perigosas"), que teria dito (ou escrito): "A maioria das pessoas renunciaria aos seus próprios prazeres se estes lhes custassem a fadiga de u | ||