Nós por Nós





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\ NóS POR NóS /

AUTO-CONHECIMENTO PARA DESATAR OS NóS


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- PERFIS -


DOS POSTADORES

POSTADORES ATUAIS



TATOO
Não sei o que dzer sobre mim
Sou muitas! Baiana morando
em Brasília há séculos,
muito bem humorada
(até que pisem no meu calo -
aí, viro uma FERA!).
Odeio preconceitos de qq
espécie, falsidade, hipocrisia
e mediocridade! Adoro rir e
tenho uma gargalhada
inconfundível. Praticamente
sou um ponto de referência
por isso!! Amo minha família,
meus amigos e a VIDA!!!
Adoro poesias, livros, cinema
e teatro...ah! e fotografia tb!
Gosto de gente leve e
engraçada...e com inteligência,
é claro! Ah! Sou de 1967!

Tatoo posta às SEGUNDAS.




YVONNE
yvonneparadatz@hotmail.com
Brasileira, carioca, aposentada,
ariana nascida em abril de 1954,
casada, mãe de uma linda moça,
madrasta de um belo rapaz.
Gosto de artes em geral, de ler,
de trocar idéias, de praia,
de cinema, de tomar cerveja
e de soltar gargalhadas.

Yvonne posta às TERÇAS.




ANNA
annapaula_a@hotmail.com
Curitibana de 1981, nascida na
época errada! Escorpiana cuja
vida tem trilha sonora.
Apaixonada por engenharia,
leitura e teatro, no palco ou
na platéia. Troca tudo por uma
cerveja com amigos! Mas sua
bebida favorita é vinho branco,
gelado. Odeia discussões...
acaba sempre chorando.
É simples, mas intensa!
Se fosse flor, seria uma rosa;
Se fosse estação... outono;
Se fosse cor, bem, aí seria
“furta-cor” porque ela não
consegue se definir tão
especificamente assim.

Anna posta às QUARTAS.




tesco
ydantol@yahoo.com.br
Pernambucano da safra de 1953,
geólogo, casado, quatro filhos,
mora em Aracaju - SE.
Depois de uma ginástica de
leitura, relaxa lendo um pouco.
Come bastante leitura enquanto
beberica uma leiturazinha.
Nos intervalos está lendo.

tesco posta às QUINTAS.


Ás SEXTAS tem MISCELÂNEA


POSTADORAS EVENTUAIS





LIZE
lizemoura@yahoo.com.br
Brasileira, cearense, aquariana,
nascida em janeiro de 1975,
casada, ainda não é mãe
(mas pretende!).
Gosta de artes, de ler
e de uma boa caminhada
na praia à tarde.




VIVA
viva_exepes@hotmail.com
Carioca de corpo e alma,
canceriana de 1958, viúva,
um casal de filhos que são
grandes companheiros (14 e 17).
Gosta de gente, vinho, cerveja,
chocolate, de dançar e de cantar,
não necessariamente
nessa ordem.
Acha que a vida é feita
de escolhas, por isto entre o mar
e a montanha fica com os dois.
Dá a vida por seus amigos,
desde que não tenha que
escolher entre o amigo e a piada.



PERFIL DO BLOG


Nascido em 21/02/2005,
o NOS POR NÓS é uma
reencarnação do ExEPEs.

Nós freqüentávamos o blog
Elas Por Elas
criado pelas jornalistas
Carla Rodrigues e
Martha Mendonça,
e nos sentimos órfãos,
quando o blog foi extinto.

Para não nos dispersarmos,
Lize iniciou o ExEpes,
sendo logo auxiliada por
nossa querida Tatoo.

Ao mudarmos de hospedeiro
(Blig para Weblogger),
decidimos mudar também o
nome, optando pela sugestão
do Clark Kent também em
homenagem ao Elas Por Elas

Estamos no Blogger Brasil
agora, mas sempre dispostos
a novas mudanças.

Diretrizes e objetivos de
nosso blog estão expressos
na declaração de nascimento
do ExEPEs:

Ex EPES
Nascimento:
Dia 27/08/2004 às 16:35.
Descrição:
Da necessidade de um
ponto de encontro de uma
galera alto-astral para um
papo pra lá de informal.
Porque Ex EPES:
Uma homenagem ao extinto
EPE, que viabilizou,
entre tantas coisas boas,
a nossa amizade virtual.
Quem pode participar:
Adultos, sem IMP
(Idade Máxima Permitida).
Se você se encaixa no
perfil, seja bem vindo!
Conteúdo:
Contos, poesias, musicas,
protestos, declarações,
depoimentos, etc.
Animados, divertidos,
polêmicos, eróticos,
questionadores,
contestadores, etc.
Vale tudo!
Procedência dos integrantes:
Planeta Terra
(exceto um ou outro).



- BLOGS AMIGOS -


Afonso: O Chato
Alex Castro: LLL
Allan: Carta da Itália
Ângela: Ursa Sentada

Biajoni
Bruno Freitas: Ik Haat

Calliope: Calliantéia
Carlos: O Beco dos Bytes
Carol: Appothekaryum
Claire Insone
Cláudio Costa: Pras Cabeças

Denise: Síndrome de Estocolmo
DO: Ramsés Séc XXI
Donizetti: Me, Myself and I
Drosófila

Ei, Porra!
Edu: Troca-troca

Fellini: A Sétima Arte
Flávio Prada: Lixo Tipo Especial

Gabs/Gis/Carla/Ju: Pega na Gra
Guto: NCC

Henrique: Bagunçando o Coreto
Humberto: A Vaca e o Brejo

Inagaki: Pensar Enlouquece
Ivan: Vertentes de Mim

Johnny: Estraga Filmes

Karla Spader
Kith: Diário de uma mãe

Leila Couceiro: Stuck in Sac
Leo: Impulso Primitivo
Lúcia: Uma Malla pelo mundo
Luciana: Uma Garota Apenas
Luma: Luz de Luma

Magui: Blog da Magui
Manoel Carlos: Agrestino
Márcia: Brincando com Clarinha
Mário Oliveira: Toca
Marmota
Martha Lopes
Mauro Castro: Taxitramas
Mc Mut: Sibrubilac
Menina Prodígio
Mércia: Espelho Feminino
Michel: Hotable
Mimeógrapho (¹/²dúzia de 6)
Mineiras, uai! (Letícia/Lu/Anita)
Mônica: Fina Flor
Mônica: Monicômio
Mônica: Quarenta três

Nababu (João M.)
Nélson Moraes: Ao Mirante
Nora: Língua de Mariposa
Nóvoa em Folha (Christiana e Maria Helena)

Rafael Galvão
Rafael Luna: Na cara do Gol
Rah: Blog da My Girl
Renata M.: Kit Básico
Ricardo Montero: Homem Baile
Roberta: Alma em Punho
Ronzi: Popelaria

Sandra: Escritos em Letra
Simy: Apsiquismo
Soié: Ontem e Hoje
Sônia Pallone: Solidão de Alma

terragel: Complexo Gel
tiagón: Bereteando

Vânia V.: Tribuna Livre
Vânia V.: Viagens Filosóficas
Vânia V.: Vitória Luz


- BLOGS IN MEMORIAM -

Elas Por Elas
Idélber Avelar
July: NPN Receitas





PROMOÇÃO NPN
REGULAMENTO


Ao comentar, faça sua opção
pela dezena ou grupo de dezenas disponíveis, conforme
especificado no post.
A dezena vencedora será a do
5º prêmio da Loteria Federal
do dia determinado no post.
Se a dezena vencedora
não tiver sido escolhida,
valerá a do 4º prêmio, e assim,
se necessário, até ao 1º prêmio.
Caso as dezenas sorteadas
não tenham sido requisitadas,
o sorteio será prorrogado para
a próxima extração da Loteria.
Serão aceitas inscrições de
leitores que publicam
e-mail válido ou sua
home-page.
O vencedor enviará endereço
(no Brasil) para recebimento
do brinde, em e-mail para
nossa caixa postal:
exepes2004@yahoo.com.br
Casos omissos serão decididos
pela coordenação do blog.




arquivo

2006
JANEIRO

2005
DEZEMBRO
NOVEMBRO



UM LUGAR ESPECIAL PARA UMA GALERA ALTO ASTRAL!


Terça-feira, Fevereiro 28, 2006


publicado por Nós Por Nós às 18:15              Comments:          Halo


Bom dia, todos!
Seguinte, enquanto vocês estão aí curtindo o carnaval, cá estou eu (uma pobre e reles mortal) trabalhando! Ééééééé torcida do Flamengo, estou trabalhando sim! E tenho até reunião marcada com cliente para a parte da tarde (de fato, ninguém em sã consciência marca reunião para uma tarde de terça-feira quando esta é uma terça-feira de carnaval, apenas a minha cliente, e eu só vou atendê-la porque ela é uma pessoa muito simpática). Mas vejam pelo lado bom, assim poderemos ter post nessa terça-feira, porque vocês não acham que se eu não tivesse que trabalhar eu iria lembrar de ligar o computador enquanto estivesse na beira da praia, tomando uma cerveja gelada (ou uma água de coco) enquanto lia um bom livro e me divertia sob o sol de fevereiro, acham?
Bem, mas seria até falta de consideração com minha amiga Yvonne, que mesmo contundida deixou um texto ótemo para ser postado hoje.
Beijo grande a todos e curtam o resto do carnaval.
Anna

Com vocês, nossa amada Yvonne:



A FUNCIONÁRIA

- Olha, meu chapa, o negócio é o seguinte: não vou poder trabalhar no sábado a noite porque estarei menstruada - disse Rosilene ao seu cafetão.
- O que?!? Que mané menstruada é esse? Donde já se viu puta recusar cliente? respondeu Geraldão.
- É isso mesmo que você ouviu: m-e-n-s-t-r-u-a-d-a - retrucou Rosilene. E tem mais, a próxima vez que você me encher a cara de porrada eu tomarei providências. Irei primeiramente na Delegacia das Mulheres e darei entrada em um processo. Além de você responder criminalmente pelos seus atos, eu darei entrada em uma licença no Ministério do Trabalho, você terá que arcar com as minhas despesas e eu ficarei em casa descansando - disse Rosilene.
- Como é que é? - perguntou Geraldão perplexo. Você nem carteira de trabalho tem.
- Não tenho do verbo quero ter e é agora. Já estou com ela na mão para você assinar tudo direitinho. - disse Rosilene. E tem mais: se me perturbar muito vou processar você pelos 6 anos que trabalhei sem os meus direitos. Ah! E tem mais: se quiser me comer, vai ter que pagar que nem os outros clientes porque também processarei você por assédio sexual. Já assinou a carteira? Anda logo porque tenho que ir ao banco abrir uma conta-salário.
- Conta-salário? Que merda é essa? - indagou Geraldão.
- Se você não sabe, eu vou explicar direitinho: conta-salário é onde você depositará os meus proventos. Quero ganhar um fixo de R$ 500,00 e mais comissão de 50% sobre cada cliente. As minhas férias serão em dezembro e mensalmente quero receber um auxílio-doença para poder fazer exames ginecológicos. O exame da AIDS é gratuito, você não gastará nada, mas por outro lado, quero receber também uma verba-insalubridade para os dias de muito frio e chuva - disse Rosilene cheia de dignidade.
- Mas eu nem sei o que é proventos e insalu o quê. Como é que eu vou poder fazer isso tudo se nem eu mesmo tenho carteira ou, nesse caso, uma firma - respondeu Geraldão, já perdendo a paciência.
- Como você vai fazer eu não sei, mas quero os meus direitos e é agora. Chega de exploração. Acho bom você resolver esse assunto agora porque eu sou capaz de fazer uma verdadeira revolução. Eu e as demais meninas faremos greve e piquetes. Vai ser tão bom, finalmente eu vou poder participar de passeatas gritando palavras de ordens: "Piranhas unidas, jamais serão vencidas", "Não fique aí parada, você é explorada." - respondeu Rosilene com um certo ar de CUT. Já conversei com a companheira Heloisa Helena e ela ficou de vir à inauguração do SPGPEA. O Fernando Gabeira, nosso anjo protetor, também virá para dar uma força.
- Mas o que é isso? - perguntou Geraldão já sem ar.
- Sindicato das Putas, Garotas de Programas e Afins - respondeu Rosilene, cheia de moral.
- Quem é afins? - quis saber Geraldão.
- Ah! o "afins" abrange muita gente: ex-BBBs, modelos que engravidam de jogadores de futebol e pagodeiros, ex-namoradas de ex-BBBs, ou seja, as putas que deram certo na vida. As famosas que saem nas revistas. Com a contribuição delas, nosso sindicato será muito forte, tenho fé em Deus - respondeu a nossa revolucionária.
- Bom, você realmente não quer que eu seja feliz. Deixa isso para lá, neguinha. Pode deixar, a partir de hoje você está livre de mim, vou vender paçoca nas barcas Rio-Niterói. Eu não entendo nada dessas coisas e não serei eu que resolverá o seu problema. Vou ser autônomo agora, só eu e São Jorge, mas me diz uma coisa, de vez em quando posso dar umazinha em nome da nossa velha amizade?

Texto by Yvonne

publicado por Nós Por Nós às 09:52              Comments:          Halo


Domingo, Fevereiro 26, 2006


PROMOÇÃO NPN 20
(REGULAMENTO NA COLUNA AO LADO, ABAIXO DE PERFIS E LINKS)
SORTEIO DE 4 EM 1



Quatro livros condensados pelo Readers Digest, em
SELEÇÕES de LIVROS




CÓDIGO EXPLOSIVO
de KEN FOLLETT

Trama de espionagem e paixão,
na luta para por no espaço
o primeiro foguete americano.




SAPATEADO
de JEANNE RAY

Comédia romântica em que toda
uma família é visitada por Cupido



NÃO CONFIE
EM NINGUÉM
de IRIS JOHANSEN

Uma mãe luta para proteger o filho de 5 anos,
de um chefão de cartel de drogas.




ANJO CAÍDO
de DON SNYDER

Empresário de Hollywood tenta fugir de seu passado,
mas tem que retornar à cidade natal.




Inscreva-se assim:
Escolha apenas UM grupo de dezenas de 1 a 25.
As dezenas já estão determinadas para cada grupo. Exemplos:
Grupo 1 = dezenas 01, 02, 03 e 04 - Grupo 25 = dezenas 97, 98, 99 e 00.
Escolha um grupo que ainda esteja disponível!
A dezena vencedora será a do 5º prêmio da Loteria Federal de 04/03/2006.
Escolha, ATÉ às 18:00 h do dia 04/03,

e BOA SORTE!

publicado por Nós Por Nós às 01:38              Comments:          Halo


Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006


ENCONTRO DE BLOGUEIROS NO RIO ATRAI MAIS DE UM MILHÃO

De Viva, correspondente carioca, para o Nós por Nós.

Reunião de blogueiros realizada no último fim de semana em Copacabana (RJ) atrai cerca de um milhão e duzentas mil pessoas, segundo cálculos da Polícia Militar. A maior concentração de blogueiros da história teve, ainda, como show do intervalo, uma apresentação gratuita dos Rolling Stones.

A esta altura vocês já sabem TU-DO sobre o show dos Stones no Rio. Na verdade nem lembram mais do show, já que veio o U2 e desbancou os Stones em termos de manchete. Mídia é assim: notícia boa é notícia fresca. Algo como rei morto, rei posto. Mas eu estive lá e, como ainda não extirpei totalmente o vírus da blogagem, não posso deixar passar a oportunidade de contar a minha experiência e me exibir um pouquinho, né?
Na verdade queria falar sobre o fim de semana todo, que foi fora de série: um show histórico me deu a oportunidade de fazer uma das coisas que, vocês já sabem, mais gosto: reencontrar meus amigos blogueiros e, de quebra ainda conhecer mais alguns.

Então vai aí um breve (breve?) relato:

Já na 6ª feira a ansiedade lá em casa era grande por conta do jantar com Gabi e Guto. Queríamos ter ido dormir cedo pois nossos amigos paulistas prometeram chegar às 6 da manhã e a noite era curta pra colocarmos o papo em dia.

Pré-show

Às 10 da manhã recebo um telefonema desesperado de Doni, dizendo-se perdido e prestes a entrar numa favela. Podia ouvir os soluços incontroláveis da Pat Köhler , a motorista! Pior que eu não conseguia entender ONDE eles estavam. Pelo que pude concluir, estavam próximos à Central do Brasil (!!!) Até hoje não entendi como foram parar lá vindos da Linha Vermelha ! Enfim conseguiram chegar à Copacabana, onde se hospedariam.

Imediatamente os intimei, como boa carioca que sou, a comparecer ao Bracarense, um dos mais famosos botequins do Rio, eleito seguidamente o melhor chope carioca, além de ter tira-gostos maravilhosos como o bobó de camarão e o bolinho de aipim recheado de camarão com catupiry preparados diariamente pela Alaíde e servidos pelo Chico.



Do lado de fora do Bracarense ( pra variar, lotado): Na fila de trás: Donizetti, Inagaki e Jorge. Na frente: eu, Gabi e Luninha.


Almoçamos e fomos pra Copacabana temendo pegar muito engarrafamento mais tarde. Por sorte nos instalamos confortavelmente em um ônibus com ar condicionado pois a viagem de apenas 5 Km levou cerca de uma hora.

Assim que chegamos ao ponto de encontro, em frente ao Copacabana Palace, o Inagaki recebe um telefonema do Ian, que devia estar morrendo de saudades (não se viam há 4 horas!). Pois não é que o japaraguaio atendeu ao apelo do Ian e se mandou a pé pra Ipanema (!) ou seja, voltou todos os 5 Km que havia acabado de percorrer no frescão! De quem será que ele estava fugindo?

Para reverter minha decepção, só mesmo Deus . Isso mesmo! Nessa hora fico sabendo pelo celular que Denis, o blogueiro de Americana que o Biajoni apelidou de Deus , está a duas quadras dali.
Fragmentos do diálogo:
Ele: - Então você quer que eu vá até aí?
Eu: - Quero!
E Deus veio até mim! Não tem preço, vai dizer?

Finalmente conseguimos juntar as duas turmas. Denis estava acompanhado de seu inseparável arcanjo Gustavo Brigatti , aka Briga, embora pareça ser de boa paz, da bela morena Nunu e mais uma turma de americanos (da próspera cidade do interior paulista, não dos EUA). Aliás, reza a lenda que a origem do sotaque carregado no R daquela região (sotaque este que nós, cariocas, chamamos de caipira) vem justamente da forte presença dos norte-americanos na época da 2ª Guerra Mundial.



Entre Deus e Briga


Estendemos uma canga no chão e nos esparramamos sobre ela. Todo o calçadão de Copacabana parecia uma praia pós tsunami, cheia de corpos estendidos ou sentados. Apresentamos aos nossos amigos estrangeiros uma das especialidades da culinária carioca, o biscoito Globo. Denis bebeu todas as latinhas que encontrou pela frente e viajou achando que era um prego. (ou será que isso é alguma gíria em SP?). E então, depois de falar pelos calcanhares pois seus cotovelos já estavam roucos...



...assim como no sétimo dia, em Copacabana Deus descansou... (legenda by Gabi)


A esta altura o João já tinha conseguido nos encontrar. Mais um pouco e chega Carol, tão esbaforida que nem vi se ela trouxe o temido Febrônio.
Chega a hora de ir pra areia e enfrentar a muvuca. O grupo se separa.

Na muvuca

Como descrever a sensação de estar no meio de mais de um milhão de pessoas? Nem que eu fosse uma imortal conseguiria. Só mesmo estando lá. Energia, comunhão, medo, pânico, êxtase por estar participando de um evento único, calor, sede, raiva da rouquidão que não me deixava cantar, raiva de ser baixinha, inveja dos VIPs. Tudo isso passou pela minha cabeça.



Isso é que é grupo VIP, vai dizer?


Na hora de ir embora, mais pânico pois a multidão compacta nos conduzia como um cardume de sardinhas nas ondas do mar. Ainda bem que eu e Luninha estávamos sob a guarda de dois guerreiros: Doni e Jorge. Não passava um sufoco desses desde que, há uns 20 anos, presenciei a passagem do Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar pela Praça Castro Alves, em Salvador.

Apesar do cansaço e da hora ainda tivemos ânimo (não me pergunte como!) para esticar no Solar das Nóvoa, que nos receberam com o carinho de sempre. Uma delícia papear no pé do Cristo, à beira da piscina, com Júpiter em conjunção com a lua minguante circundados por um halo mágico.

O domingo

Para descansar da maratona e das poucas horas de sono escolhemos um programa light: passear no calçadão do Leblon, sentar num quiosque pra jogar conversa fora e tomar uma água de coco. Finalmente conheci a linda Luciana, e seu príncipe com sorte Ian.



Jorge, Chris Nóvoa (meditando) e seu filhote Léo, Luninha e eu com nossos All Stars coloridos, Pat K. , Donizetti (tentando se esconder) , Lu, Ian e Inagaki (que feio, botando língua!)


Depois de muitas risadas e promessas de novos encontros, nossos amigos partem no fim da tarde quente em direção a Sampa. Já estou com saudades!

PS: Não deixem de ler as impressões do Donizetti aqui, do João aqui e do Biajoni aqui
(este último, mesmo não tendo vindo ao Rio, psicografou um texto imperdível).

Mas agora CHEGA de rock! Vamos botar o bloco na rua que já escuto os tamborins!

Bom carnaval a todos! Brinquem bastante os que são da folia, descansem aqueles que buscam sossego. E bebam com moderação ;).

Postado por Viva, em edição extraordinária. E agora voltamos ao estúdio.

publicado por Nós Por Nós às 23:12              Comments:          Halo



PROMOÇÃO NPN 19: RESULTADO

Na extração de ontem, 22/02, da Loteria Federal,
as dezenas dos 5º, 4º e 3º prêmios, não foram requeridas.
A dezena do 2º prêmio, 48 (grupo 12, foi escolhida
pelo mutante sortudo:


MC MUT!

PARABÉNS do NPN!

publicado por Nós Por Nós às 09:51              Comments:          Halo



FOFOCA

Não vou contar fofoca, vou falar de um artigo publicado no "The New York
Times", em agosto do ano passado. Sobre fofoca.

Com o título de "Have You Heard? Gossip Turns Out to Serve a Purpose"
(aproximadamente: "Ouviu? Fofoca serve pra alguma coisa"), diz que os
cientistas pesquisadores estão voltando sua atenção para a fofoca.
Não para fofocar, mas pesquisando sobre a fofoca.

As pesquisas são conduzidas por biólogos, antropólogos e psicólogos, e
parecem sérias (sem finalidades puramente comerciais).

O artigo não tem um resumo das características e utilidades da fofoca, mas
vou tentar resumi-las pra vocês.

1- conteúdo e freqüência das fofocas são universais;

2- as pessoas dedicam, em qualquer lugar, de um quinto a dois terços ou mais
       de sua conversa diária, à fofoca;

3- os homens parecem ser tão ávidos a fofocar, quanto as mulheres;

4- roubo, mentira e fraude, entre amigos ou conhecidos, compõem o material
        mais saboroso;

5- a maioria de pessoas passa suas melhores pepitas para, pelo menos, duas
        outras pessoas

6- a fofoca ramifica-se por quase todos os grupos sociais;

7- funciona, em parte, para manter as pessoas livres de se desviar demais das
        regras, escritas e não escritas; do grupo social;

8- devido a esta função protetora de grupo, fofocar pouco pode ser tão
        arriscado quanto fofocar muito;

9- "não participar de fofoca, em algum nível, pode ser pernicioso e anormal"
        (Sarah Wert, uma psicóloga de Yale);

10- faz circular informação que não é publicada em nenhum manual oficial.;

11- fofoca eleva a autoestima das pessoas;

Como podem ver, a fofoca tem um alto conteúdo de utilidade social.

Então, já fez sua fofoca hoje?



Abraço do tesco

P.S.: COMPLEMENTANDO

Uma pesquisa conduzida por Kathleen Vohs, da Universidade de Case Western Reserve,
com estudantes da mesma Universidade, mostra algumas estatísticas relevntes:

A fofoca era sobre quem?
Um amigo ou conhecido 85%
Um estranho 11%
Uma celebridade 4%

Você a passou adiante?
Sim 55%
Sim, para mais de 3 pessoas 28%

A fofoca fala mal da pessoa?
Sim 65%

Você aprendeu alguma coisa que pode aplicar em sua vida?
Sim 64%

Algumas respostas à pergunta: O que você aprendeu da fofoca?

"A infidelidade eventualmente vai pegar você"

"Só porque dizem que alguém tem fotos de alguma coisa, não significa que
esse alguém pratica essa coisa"

"Pessoas alegres não necessariamente são pessoas felizes"

"Não faça sexo com menores, quando estiver numa posição respeitável"

"As pessoas comumente vão descobrir o que você tenta esconder"

"Nem todo mundo segue as mesmas regras da mesma maneira"

"Isso só me prova que fraternidade está diretamente relacionada à bebida"

"Minha melhor amiga é mais forte do que ela mesma julga"

"Não seja um hipócrita"


Abraços renovados

publicado por Nós Por Nós às 09:20              Comments:          Halo


Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006


Bom dia!!! Desculpa, gente, mas aí vai mais uma história melosa... Não tenho conseguido escrever nada diferente disso, mas eu prometo tentar mudar na semana que vem...Tentar!!!

O congresso

Estavam todos agitados procurando seus lugares, arrumando a bagagem, fazendo piadas com os amigos que estavam por perto.
Ela sentou-se ao lado de sua amiga e começou a observar aqueles que seriam seus assíduos companheiros pelos próximos dois dias, afinal estavam indo todos para um congresso. Além dos amigos, alguns já eram conhecidos de vista, outros nunca os tinha visto antes. Um homem fez um comentário que chamou a sua atenção. "Aquele deve ser um sujeito bacana" pensou ela. E pôs-se novamente a observar as pessoas que entravam no ônibus e as que ficavam para trás... pais, amigos, irmãos, namorados, maridos, esposas.

De repente, aquele homem que havia chamado sua atenção sentou-se no braço de um dos bancos, de frente para ela que, inconscientemente, deparou-se a olhar curiosamente para aquela figura, enquanto ele conversava com os demais, prestando atenção a cada detalhe. E nesse olhar ela se perdeu, até perceber que ele olhava para ela, também com um olhar curioso. Sustentou o olhar por mais alguns segundos, sabendo que deveria ter desviado, mas por algum motivo não quis desviar o olhar.

Não, não era amor à primeira vista, nem passava perto disso. Ela apenas sentiu que havia algo especial naquele homem, algo que seu sexto sentido não dizia o que era, mas que era algo muito bom. E ela nem se sentiu constrangida de estar sustentando aquele olhar, como teria acontecido normalmente. Estava acontecendo algo estranho com aquela moça.

Todos estavam embarcados, embora ainda agitados, quando o ônibus começou a partir. As pessoas conversavam e, conforme o assunto, outras iam se integrando à conversa, mesmo aquelas que não conheciam todos os que já estavam no assunto. Afinal, estavam todos muito próximos.

Aquela moça acabou dando uma opinião sobre o assunto em questão, e parece que com isso fez notar-se pelo tal sujeito, que perguntou algo em relação a sua formação e atuação no mercado de trabalho. Ela respondeu, teceram mais alguns comentários e ficou por isso mesmo.

A viagem prosseguia, e ao longo dela as pessoas foram fazendo das suas conversas entre duas ou três pessoas, conversas entre um grupo razoavelmente grande, afinal eles teriam que conviver bem juntos durante dois dias. Isso permitiu à moça observar mais alguns detalhes do tal homem, e percebeu que ele era dotado de um excelente humor, bem como de um certo cavalheirismo, coisa rara em homens tão jovens quanto ele. Ele realmente parecia ser alguém especial.

As conversas foram diminuindo e as pessoas ajeitando-se para tentar dormir, afinal, o dia seguinte seria puxado. A moça posicionou-se, procurando seu melhor ângulo (coisas de mulher), mas não um ângulo do qual ela parecesse bonita ou sensual, mas sim o ângulo do qual parecesse serena e tranqüila. Talvez nem ela saiba explicar o porquê disso, mas tinha algo a ver com aquele homem.

Depois de pedágios, paradas, cochilos, frio, sonhos, conversas paralelas, etc. eles finalmente chegaram ao hotel. Aquela noite pareceu uma eternidade, mas finalmente havia acabado. Agora poderiam tomar um bom café da manhã e começar a programação do dia.

Após tomar o seu café da manhã e guardar suas bagagens no quarto a moça desceu e ficou aguardando o momento da partida em frente ao hotel, quando percebeu que o rapaz estava muito próximo dela e de sua amiga, conversaram animadamente até um italiano interrompê-los para saber de onde eram, e começar a questionar o rapaz sobre o descobrimento da América. Mais uma vez a moça gostou do comentário dele, que apesar de impor e defender seus argumentos era uma pessoa muito educada. Passado isto, embarcaram novamente, rumo à primeira atividade do dia, ali eles separaram-se e só voltaram a ver-se ao final daquela atividade, de volta ao ônibus, com um calor infernal, cansaço, dores de cabeça. A exaustão era tanta que a moça apenas conseguiu perceber mais
um olhar curioso daquele homem.

E lá foram eles para a segunda etapa do dia, uma visita técnica, onde o grupo foi dividido em dois. A moça estava lá, envolvida com sua nova câmera digital, tentando descobrir como fazer para tirar fotos. O sujeito todo solícito, propôs-se a ajudá-la. Finalmente conseguiram descobrir. Ele propôs-se a tirar uma foto dela, que aceitou. Mas até então a conversa entre eles era discreta, contida.

Apresentaram-se um ao outro:
- Bruno!
- Luana!
- Muito prazer em conhecê-la!

Por coincidência, Bruno ficou no mesmo grupo da moça e no decorrer da longa visita os dois, volta e meia, estavam próximos, teciam comentários entre eles. Mas até aí era só isso.

Ao final desta visita técnica ainda dirigiram-se para um museu, lá a conversa entre eles já estava um pouco mais descontraída, talvez porque Luana estivesse com tanta dor de cabeça que mal conseguia raciocinar, e acabava falando coisas bobas, sem pensar, que acabava por fazê-lo rir. E Bruno também estava fazendo-a sorrir apesar do mal estar que ela sentia. Ela pensou mais uma vez - Ele realmente é um cara bacana -. Ele questionou-a se após o jantar ela e sua amiga voltariam para o hotel para dormir ou se estariam dispostas a sair pra se divertir um pouco. Ela apenas respondeu que isso dependia da dor de cabeça passar, mas que era uma boa idéia.

A volta ao hotel parecia interminável para Luana, que sentia-se realmente muito mal, nem sabia ao certo quem estava por perto, tão grande era o mal estar que sentia. Ela mal recorda-se de ter pedido a chave do seu quarto e pegado o elevador para chegar até ele. Despiu-se, ligou o chuveiro e ficou a sentir a dor que a água fria causava ao cair na sua cabeça, mas ao mesmo tempo o alívio que aquilo trazia para o mal estar que estava sentindo. Tudo que ela queria era tomar um analgésico e ficar de olhos fechados, longe da luz, deitada em uma cama, com o vento soprando seus cabelos encharcados e seu corpo semi-nu. "Talvez não tenha sido uma boa idéia ficar sem comer durante o dia todo apenas para assistir todas as palestras que me interessavam, ainda mais com esse calor! Creio que acabei com minha noite! Vou tentar descansar um pouco até a hora de descer para o jantar e depois dele volto para o quarto dormir."

Ela conseguiu dormir um pouco, apesar da dor de cabeça e da preocupação com o estado em que ficaria seu cabelo após ter secado amassado no travesseiro. Enquanto dormia sua dor de cabeça foi passando, junto com o mal estar que sentia antes. De repente Luana acordou assustada, faltavam apenas 10 minutos para o horário combinado para o jantar e ela estava ali, semi-nua, com o cabelo todo despenteado, vestiu-se rapidamente e ao olhar-se no espelho para ver o que poderia fazer por si mesma constatou que sua dor de cabeça havia passado, que sua pele nem estava tão ruim quanto imaginava, e até seu cabelo teria um jeito apesar de não ter em mãos um secador de cabelos nem um spray fixador. Apesar de estar se sentindo muito fraca ela pensou - Deus existe! -, passou um batom, pegou sua bolsa e rumou ao saguão do hotel, onde foi combinado de encontrarem-se para sair para o jantar. Mal deixou a chave na recepção e já estavam todos saindo pra o restaurante.

Ela mal podia esperar para comer alguma coisa, sentia muita fome. Enquanto os demais iam chegando ao restaurante ela e mais alguns foram servindo-se e tomando seus lugares nas mesas.

Após fazer sua refeição ela resolveu voltar para o hotel e ao rumar para a saída do restaurante sentiu que alguém estava lhe observando, procurou e caiu novamente nos olhos de Bruno, sustentou o olhar por dois segundos e continuou no seu caminho.

Ao chegar à calçada ela e sua amiga depararam-se com mais quatro amigos que as convidaram para dar uma volta. O ar da noite estava parecendo lhe fazer bem e ela aceitou o convite. Andaram devagar durante longos minutos à procura de um banco e posteriormente de um barzinho onde pudessem sentar-se e tomar alguma coisa. Ela pediu água, não poderia correr o risco de sua dor de cabeça voltar.

Algum tempo depois, quando todos perceberam que estavam cansados demais, resolveram voltar para o hotel. Alguns ainda queriam pegar alguma balada, ao que ela protestou firmemente:
- Eu não tenho a menor condição de encarar uma balada hoje, preciso dormir!

Chegando ao hotel, quando foi pegar suas chaves, o recepcionista lhe informou:
- Dona Luana, o Sr. Bruno pediu para lhe avisar que está aguardando a senhora no Bar Fox, à duas quadras daqui, nesta mesma rua.
- Como assim?
- Bem, ele pediu para eu lhe dar o recado, e disse que se a senhora não aparecer até às 23h ele vem buscá-la.
- Ahn... Obrigada!

Luana entrou no elevador totalmente atordoada...
"Como assim vem me buscar? Eu não combinei nada com ninguém, e além do mais preciso dormir."
Quando abriu a porta do quarto seu celular tocou.
"Quem será a essa hora?"
- Alô!
- Luana?
- Sim, pois não?
- Aqui é o Bruno, estou ligando para saber se você já está pronta?
- Como assim? Pronta para que?
- Para sairmos para dançar.
- Ah... a gente vai sair para dançar, é?
- Vamos sim, tem um tanto de gente do grupo aqui no bar e daqui a gente vai para a boate. Você vem até aqui ou quer que eu vá buscá-la?
- Não, não... não me arrumei ainda, estava indo dormir, não tinha pensado em sair.
- Eu espero você se arrumar!
- Não! Isso pode demorar um pouco...
- Posso esperar você na boate então? Você vai, né?
- Acho que vou sim... Mas preciso de um tempinho ainda.
- Ok! Estou te esperando, heim?
- Ok! Até logo.

"Putz! Como assim "até logo"? Pirou Luana? Você está morta de cansada... Pensando bem... Não, não estou não. Nada que um pouco de divertimento não faça melhorar! E a companhia promete ser boa... Vamos à produção!"

Luana se arrumou em menos de meia hora, coisa inédita até então, desceu até o saguão do hotel, ia pedir um táxi quando ouviu a voz de Bruno:

- Até que não demorou! E você está linda!
- Ué? O que está fazendo aqui?
- Não iria deixá-la ir sozinha, iria?
- Puxa, obrigada! Vamos?
- Mas é claro!

Ele foram caminhando até a boate. A noite estava quente, mas muito agradável. Ao chegar à boate juntaram-se ao grupo que havia viajado com eles. Luana estava empolgadíssima e dançou a noite toda, sempre ao lado de Bruno, que parecia estar provocando com aquele olhar enlouquecedor.

- Para quem estava morta de cansada até que você está animada, heim?
- Se eu topei vir é para ficar animada, não é? Senão nem teria vindo. Mas estou começando a ficar cansada.
- Quer sair um pouco aqui do tumulto? Vamos beber alguma coisa lá no bar.
- Obrigada, você é muito gentil! Vamos sim.

Bruno passou o braço em volta da sua cintura, ao que ela prontamente olhou para ele com cara de interrogação.

- Para facilitar a sua passagem no meio desse povo todo!
- Ok!

Sentaram-se no bar e ela pediu uma água.

- Água?
- Puxa, estou com sede!
- Mas vai ficar SÓ na água?
- Claro, você pode estar intencionando me embebedar...
- Eu? Claro que não! Apesar de que não seria má idéia...
- Estou brincando, é que a sede é de água mesmo, tive uma dor de cabeça muito forte já hoje, e não posso brincar com ela.
- Ok, vou acompanhá-la na água então!

Conversaram muito durante toda a noite, dançaram muito também. Mas a uma certa altura, Luana não se agüentava mais em pé, avisou a Bruno que estava indo embora. Ele disse que iria com ela.

- Não, de forma alguma! Não precisa, pode ficar se divertindo aí com a turma. É que para mim não dá mais. Estou muito cansada.
- Mas eu quero ir também!
- Então vamos, ué!

Caminharam de volta ao hotel e ao chegar ficaram conversando mais um tempo no sofá da recepção. Ele parecia hipnotizado pelo olhar de Luana, que estava de forma igual, hipnotizada pelo olhar dele.

Resolveram subir, Bruno acompanhou-a até a porta de seu quarto, mas não foi convidado a entrar. Luana deu-lhe um beijo no rosto, desejou-lhe boa noite e fechou a porta agradecendo a sua companhia. Encostou-se na porta com a respiração descompassada, pensando como conseguira resistir àquele homem, apesar de não ter motivo nenhum para resistir. De repente abriu a porta do quarto e chamou por Bruno que já estava no final do corredor. Ele voltou caminhando lentamente, com um sorriso no rosto.

- O que houve? Tem uma barata no seu quarto?
- Não... é que eu lembrei de te perguntar uma coisa.
- Pergunte!
- Como você conseguiu meu celular?
- Ah... era isso?
- Sim... como conseguiu?
- Subornei o rapaz da recepção, falei que eu estava apaixonado por você e que precisava falar com você urgentemente.
- E ele cedeu fácil assim?
- Fácil nada! Custou-me R$50,00!!!
- Só R$ 50,00? Então foi fácil demais! Boa noite!

Luana fechou a porta novamente, deixando Bruno sem entender absolutamente nada do outro lado.
Ela decidiu que não podia mais conter seus desejos e não tinha porquê contê-los. Ligou para a recepção e descobriu o quarto de Bruno. Pediu uma garrafa de champagne e duas taças e foi até o quarto dele.

Quando abriu a porta ele parecia muito surpreso, talvez pelo fato de estar com apenas uma toalha branca em torno da cintura, mas mais ainda por vê-la parada em sua porta com uma garrafa de champagne e duas taças.

- Resolvi deixar você me embriagar...
- Com uma garrafa de champagne apenas?
- Com uma garrafa de champanhe misturada com seus beijos!

Ele puxou-a para dentro do quarto, fechou a porta atrás de si, tirou a garrafa e as taças das mãos dela, puxou-a pela cintura e beijou-a ardentemente...

Era quase de manhã quando ele perguntou:

- Como você descobriu qual era o meu quarto?
- Subornei o rapaz da recepção...
- E foi fácil assim?
- Fácil nada, me custou uma garrafa de champagne...
- Só isso?
- Não, além disso me custou um olhar de súplica e o constrangimento de dizer que você havia conseguido fazer com que eu me apaixonasse também!

Ele a abraçou e riram muito naquele momento e em muitos outros momentos que sucederam o congresso. De fato, ele era um cara especial!


Postado por ANNA

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Terça-feira, Fevereiro 21, 2006


PARABÉNS, NPN!


HOJE É O PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DO NÓS POR NÓS.

Foi um ano de muitas vitórias, e por isso nos alegramos.
Nossas vitórias são os amigos e leitores que conquistamos,
e é muito bom chegar a um ano de idade com muitos amigos.

A todos que colaboraram para este sucesso,
- e cada comentário é uma colaboração -
queremos dizer:


OBRIGADO, AMIGOS!


Coincidentemente, começamos o Nós Por Nós, com um texto de Yvonne,
e comemoramos o aniversário, com outro texto dela.
Comam e bebam à vontade na nossa festinha!





Bom dia, pessoas!
A nossa ídala e símbala Yvonne está com um pequeno probleminha... Ela quebrou o cotovelo direito e está afastada dos teclados por um determinado tempo, mas como ela é nada mais nada menos que "a maravilhosa Yvonne" ela já deixou tudo encaminhado para os seus dias de ausência! (Isso é que é competência, heim? Fala sério!) Então, pessoas, aí vai um texto da nossa adorada amiga Yvonne, enquanto nós aqui ficamos torcendo para que ela se recupere o mais rápido possível.
Yvonne, querida, melhora rápido que nós já estamos morrendo de saudades, viu?



O SEXO E A MÍDIA
Amigos, a história da humanidade é um ciclo que sempre se repete. Existe uma fase "assim" que se transforma em outra "assado". Não fui clara? Então tentarei explicar. Na Antiguidade as pessoas desconheciam por completo o que era o pecado. Os homens gregos praticavam sexo com qualquer "coisa" que respirasse e transavam entre si: nem por isso eles eram considerados homossexuais. Eles eram heterossexuais que tinham relações com homens. Paradoxal, não? O que dizer dos romanos? E os "pagãos" que tinham rituais de arrepiar os cabelos? Tudo muito simples e muito natural.

Quem já teve a oportunidade de ler sobre o assunto, constatou que os anos 20 e 30 (a época das "melindrosas") foi de uma explosão de sexualidade sem precedentes. Os filmes hollywoodianos mostravam mulheres com roupas de tecidos finíssimos, com decotes generosos e muito atraentes. A palavra vamp veio desse período e a sacanagem rolava solta.
Os famosos cabarés de Berlim daquela época eram uma válvula de escape. Enquanto Hitler se firmava e o Nazismo começava a mostrar para o que veio, o povo participava de orgias. Uma vez eu li que quanto mais existe o perigo de uma guerra ou desastre, mais as pessoas trepam e se entregam a loucuras. O raciocínio deve ser o seguinte: "Já que posso morrer, vou botar para quebrar".
Aí, no final dos anos 30 estoura a Segunda Grande Guerra. Não sei porque cargas d'água, ou melhor, eu sei, mas não vou encompridar a conversa, começamos a fase "da moral e os bons costumes". Essa mesma Hollywood com suas mulheres sensuais passou a exibir outras com saias retas e jaquetão. Não mais ombros a mostra, não mais decotes e não mais sensualidade. Eram mulheres-sargentos que sequer poderiam pensar na possibilidade de deixar que um homem olhasse para os seus seios. E esses homens não estavam aí para "macular" mulher alguma. Eles queriam casar e dormir em camas separadas. Tudo em nome do respeito. Bom, era isso que eles mostravam e queriam que as pessoas acreditassem.
Bom, chegamos aos anos 50 que foram o auge da repressão no século passado. Ninguém tinha órgão sexual. Moça que se prestasse não podia dar intimidades para rapaz algum. Arnaldo Jabor já escreveu trocentas milhões de vezes sobre a verdadeira maratona que um jovem tinha que enfrentar para poder comer alguma mulher. Era raro aparecer um moça, não virgem, de família e que se propunha a ter prazeres. Deus me livre e guarde.
Aí, surgem os anos 60 - maravilhas das maravilhas. As pessoas gritaram um BASTA e literalmente ou no sentido figurado botaram prá quebrar: QUEREMOS SEXO. Queremos ser homens e amar mulheres ou homens, queremos ser mulheres e amar homens ou mulheres. Queremos tudo que a vida pode oferecer. Queremos ficar nus, queremos fumar maconha, viajar com LSD, enfrentar os poderosos, lutar contra as guerras, contra a repressão e desejar um mundo de paz e amor. Que bom! Finalmente uma luz no final do túnel, só que nos anos 80 surge a AIDS e, mais uma vez, surge um retrocesso: não podíamos mais transar a torto e a direito, sob pena de morrermos como morreram Cazuza, Renato Russo, Sandra Bréa e tantos outros.
No entanto, como o sexo é mais forte do que o medo da própria morte, as pessoas continuaram transando. Umas com responsabilidade, outras não. E como disse no início, nós estamos voltando a uma fase velha conhecida: a dos cabarés alemães. Nunca tivemos oportunidade de presenciar tanta luxúria nos meios de comunicação. Nunca vi tantas bundas, vaginas, seios pequenos ou siliconados. O mundo é um grande supermercado com uma infinita possibilidade de termos prazeres do jeito que queremos. Ah! Yvonne, você não acha isso legal? Eu respondo que SIM, mas já não agüento mais um monte de gente vendendo a imagem de que é feliz e muito bem resolvido sexualmente.
E o quarto e poderoso poder que se chama mídia faz questão de nos mostrar diariamente que o legal é ver um monte de gente linda e que tem infinitos prazeres. E caso nós tenhamos dificuldade de sermos pessoas maravilhosas, somos considerados, digamos assim, seres humanos de segunda categoria. Quem não gosta de ver um corpo maravilhoso? Eu gosto, mas também acho que existe alguma beleza em um corpo de mulher que já foi mãe. Aprecio também um homem que tem uma pequena barriga. Dá gosto de ver uma senhora com rugas em volta dos olhos. Acredito que cada uma dessas rugas tem uma história especial para ser contada. Não estou falando que o bonito é ser feio e velho. Para mim, o bonito é ser gente. Gente feia ou bonita. Fico inebriada quando vejo Luana Piovani e Ana Paula Arósio, para mim os dois rostos mais lindos da televisão. Da mesma maneira aprecio a feiúra da Fernanda Montenegro, não por ser boa atriz e sim porque tem um rosto marcante.
E pegando carona na obrigatoriedade da beleza, temos também a do sexo muito bem resolvido. Não suporto mais ver propagandas ou filmes com homens e mulheres que nos mostram que sabem perfeitamente bem o que querem, que gozam feito dois alucinados e que, além disso, ainda são pessoas cheias de outras qualidades, tais como ter a possibilidade de receber o Prêmio Nobel da Literatura. Já estou de saco cheio de gente que faz e recebe sexo oral de maneira divina, de mulheres que trepam por cima feito umas potrancas maravilhosas enquanto seus homens arrebentam de prazer enquanto tocam os seus seios que nunca olham para baixo ou para frente, mas sempre para cima.
Já estou farta de cabelos lindos de propaganda de xampu e desse mundo cor de rosa, repleto de Barbies e Tom's Cruise's. Quero ver G E N T E como eu e vocês. Quero ter a certeza de que a Humanidade é composta de seres que um dia são estrelas que brilham demais e que no outro são pobres planetas que precisam da luz do Sol. Mulheres bonitas ou não ao lado de homens bonitos ou não. E que sofrem, ficam doentes, têm carências e medos. Os deuses moram no Olimpo, aqui somos apenas pessoas.

Beijocas
Yvonne

publicado por Nós Por Nós às 08:59              Comments:          Halo


Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006


Bom dia, meus lindos!
Demorei de postar porque não consegui acessar o blogger de jeito nenhum!! desculpem..
Pra vcs, um texto da maravilhosa Adélia Prado, espero que gostem.
Um grande beijo,
Tatoo



O Desbunde

Adélia Prado



Tinha, como direi, eu, que sou uma senhora a seu modo pacata e até pudica, uma, ou melhor, um derrière esplendido. Não é preciso ser homem pra essas avaliações.
Firme em definidos e perfeitos contornos, rebelde ao disfarce das saias e anáguas daquele tempo, inscrevia-se na cara de sua dona, que, movendo os olhos como as ancas, subia a rua em falsa pudicícia, apregoando-se: tenho.
Os homens ficavam loucos. Eu era mocinha boba e escutei no armazém do Calixto ele dizer pro Teodoro, meu futuro marido, naquele tempo preocupado em fazer bodoques de goma: eh, ferro! O Vicente não vai dar conta daquela ali, não. É preciso muita saúde.
Calixto falava com o Teodoro do que eu suspeitava serem os tesouros da Oldalisa e ela nem aí, toda toda, sobe e desce rua. Exatamente o que era me escapava, só podia ser coisa de homem e mulher. Felicitei-me por estar viva e participar de segredos tão excitantes. O Vicente era muito magrinho, não jogava bola, não nadava, "não salientava em nada", o Vicente
Cisquim. Pois foi dele que a Raimunda - como o Calixto chamou ela naquele dia - gostou. Casaram e tiveram pencas de filhos. O Calixto ficou chupando o dedo.
Ser bonitão e dono de armazém não contou ponto pra ele.
Pois é, falou o Teodoro, hoje, assim que botou o pé em casa: O que é a tecnologia, hein? Tecnologia? É o avanço da medicina. Teodoro falava era do avanço do tempo. Tou aqui matutando, disse ele, porque a Oldalisa escolheu o Vicente, não tem base.
Tô vendo aquela dona pegando as compras no caixa e... Plim! Era ela, a velha senhora. A Oldalisa do Vicente? É. O Vicente estava junto? Não. Estava com duas alianças e um menino, neto dela com certeza. Será que o Vicente morreu da praga do Calixto? Acho que não, porque eu procurei o traseiro da Oldalisa e nada da olda, só mesmo a lisa, magra e murcha.
Ter encontrado a Oldalisa expropriada de seu dote mais tentador deixou Teodoro bem filosofante sobre as agruras do corpo. Teria ele também sido um apaixonado da Oldalisa e eu corrido sérios riscos?
Porque amor não olha idade, não é mesmo? Agora, daquela do escritório eu tive, medo não, por causa de meus outros poderes, tive inveja. A uma cintura de vespa seguia-se, instruída e fatal, o que a Oldalisa trazia com inocência.
Batia à máquina, agarradinha no Teodoro, de saia justa e batom cor de sangue. O apelido dela na firma era Corrosiva, e foi Teodoro quem pôs.
Se chamava Rosiva, a perigosa. Imagina o risco que eu corri.


Adélia Prado - Filandras - Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 51.

publicado por Nós Por Nós às 10:42              Comments:          Halo


Sábado, Fevereiro 18, 2006


PROMOÇÃO NPN 19
(REGULAMENTO NA COLUNA AO LADO, ABAIXO DOS PERFIS)
SORTEIO DO LIVRO



ILUMINANDO
ANJOS E DEMôNIOS
de SIMON COX


Explanações sobre detalhes do best-seller de Dan Brown,
Anjos e Demônios. As explicações são interessantes,
mesmo que você não tenha lido o romance original.



INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UM grupo de dezenas, de 1 a 25.
As dezenas já estão determinadas para cada grupo. Exemplos:
Grupo 1 = dezenas 01, 02, 03 e 04; --- Grupo 25 = dezenas 97, 98, 99 e 00.
Escolha um grupo que ainda esteja disponível!

A dezena vencedora será a do 5º prêmio da
Loteria Federal de 22/02, próxima QUARTA-feira.
Escolha, ATÉ às 18:00 h do dia 22/02,

e BOA SORTE!

publicado por Nós Por Nós às 23:30              Comments:          Halo



PROMOÇÃO NPN 18: RESULTADO

Na extração de hoje, 18/02, da Loteria Federal,
as dezenas dos 5º, 4º e 3º prêmios, não foram requeridas.
A dezena do 2º prêmio, 84 (grupo 21), foi escolhida
pela primeira tricampeã nas promoções NPN:


SANDRA!
Parabéns Sandrinha!

publicado por Nós Por Nós às 22:45              Comments:          Halo


Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006


BUNDAS DE FORA

Neste espaço semanal estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós. O nome refere-se a alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando.

Amigos, o texto abaixo foi escrito por um grande amigo meu há algum tempo. Seu apelido é Bigm@n. Ele é um leitor eventual do Nós Por Nós, mas não faz comentários. Bigm@n viveu a sua adolescência no final dos anos 50 e teve experiências que são muito interessantes para os padrões de hoje. Curtam um pouco essa história que eu considerei muito romântica. É legal ver que em todas as épocas os jovens sempre tiveram dificuldade de começar a vida sexual. Hoje é um pouco mais fácil, mas igualmente complicado.
Queridos, temos apenas mais uma contribuição do Mário Oliveira que sairá na próxima sexta. Ainda não sabemos ao certo se o Bundas irá continuar. Estamos conversando e tão logo a gente decida sobre o assunto, manteremos vocês informados. Um bom final de semana para todos.
Beijocas
Yvonne

LANTERNAS VERMELHAS

Jair Amorim, Evaldo Gouveia e Adelino Moreira. Embora não disponha dos números -- e talvez ninguém os tenha -- esses foram os autores mais cantados nas "zonas" desse nosso Brasil. As vozes? Certamente as de Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Anísio Silva e outros fantásticos intérpretes de músicas cujos temas eram dramalhões e dores de cotovelo, tão em voga no século passado, anos 50 e 60, principalmente.

Zonas, para quem ainda não sabe -- ou já se esqueceu, pois parece não existirem mais -- eram determinadas áreas ou bairros de uma cidade onde as casas de tolerância eram, conforme se pode depreender da própria definição, toleradas. Eram ocupadas pelas mulheres de vida mais difícil desse nosso mundo e que nossa hipócrita sociedade insiste em rotular como de vida fácil.

Quando os ouço hoje, aqueles autores e intérpretes, não consigo evitar o inevitável: as imagens que minha lembrança revive de casas com varanda iluminadas com luzes vermelhas ou azuis. Seus silêncios e murmúrios, a penumbra, os cheiros misteriosos de talcos e colônias femininos, as músicas na vitrola Sonata e a famosa frase "me paga uma bebida, meu bem?"

Não fui freqüentador de zona, como cliente. Minha pouca idade, a dureza de grana -- natural para todo adolescente da classe média em minha época -- e minha timidez não me permitiam. Mas, como também quase todo adolescente da classe média -- nesse caso, creio que nem só os de classe média -- fui um "voyeur". E assim, calçado com meu tênis silencioso, dirigia-me para a zona de minha cidade lá pelo horário das 19h00, quando as "meninas" se arrumavam para a noitada profissional e, pulando e escalando muros e cercas, infiltrava meus olhos ávidos pela proibida nudez nas frestas que janelas, persianas e vitrôs me permitiam.

Aquilo tudo me conduzia aos céus, embalado pelas sensações mais incrivelmente sentidas e desejadas, curtidas até onde meus extremos permitiam. Era um menino deslumbrado pelo que aquela parte do mundo feminino podia oferecer. Difícil entender, mas não conseguia deixar de ver uma beleza especial naquilo tudo.

Aos quinze anos, com o dinheiro recebido de meu pai como presente de aniversário, debutei na vida sexual, conduzido pelas mãos e outras magníficas partes do corpo da veterana iniciadora de adolescentes de minha cidade, a meretriz Edith. Desde o momento em que, da área da casa onde trabalhava, num domingo pela tarde, levou-me para a sua alcova, tive por ela, como ainda tenho até hoje -- embora nem mais esteja viva -- o maior respeito e a mais profunda consideração.

Quem sabe seja por tudo isso que hoje me desmancho em saudades reconfortantes e outras fortes e agradáveis emoções quando ouço os autores e intérpretes aqui mencionados.

Certamente que sim!

Bigm@n

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Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006


Orgasmo feminino

Orgasmo femino é um tema polêmico, que até já rendeu bate-boca aqui no Nós Por Nós
(ou foi no Exepes?), e eu não tenho bagagem cultural pra me alongar nele.
Porém, os fatos que me circundam, ou pelo menos, os que eu tenho aptidão de perceber,
contradizem um rumor que andam dizendo por aí, que as mulheres têm dificuldade em
conseguir o orgasmo.

Não é que eu ande fiscalizando os orgasmos das minhas amigas ou colegas de trabalho,
longe disso. É que não me chegam aos ouvidos queixas desse tipo. Nunca ouvi ninguém
afirmar que perseguiu um orgasmo, mas não conseguiu garrá-lo. Pelo contrário, á ouvi
muita gente )mulheres, naturalmente) entusiasmada, e até revirando os olhinhos com as
lembranças.

Sei que isso não é assunto para ouvidos masculinos mas, sabem como é, confidências
vazam e, afinal, segredos existem para serem contados, não é?

Deduziria que, a maioria esmagadora das mulheres obtém o seu orgasmozinho com
relativa facilidade, e mais um mito rola, rola, perdura e se perpetua na sociedade.

Ou seria o contrário e o mito é justamente o orgasmo propalado pelas "felizes e
realizadas" mulheres? Seria esse o famoso "orgasmo fingido" de que tanto se tem falado?

Li outro dia que os homens são facilmente enganados por gemidos e orgasmos
simulados. Mas a quem as mulheres estariam enganando? Um homem que não se
esforça em propiciar prazer à mulher, com preliminares adequadas e prolongadas,
abundância de carinhos, afagos, sussurros, beijos, elogios, mimos e que tais, pouco
(pouquíssimo ou nada mesmo) está se importando que a parceira tenha ou não orgasmos.

É verdade que, para minhas conclusões, não consultei nem o DataYvonne nem o IVP
(Instituto Viva de Pesquisas). Estou apenas emitindo uma OPT (opinião pessoal do
tesco).

Bem, queridas leitoras ((opiniões dos leitores também são preciosas), ajudem-me e
instruam-me. Nessa escola - igual ao Erasmo - jamais tirei um dez!


Abraço do tesco

publicado por Nós Por Nós às 09:15              Comments:          Halo


Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006


Amizade incondicional???

Meu irmão sempre me disse que uma mulher nunca tem um amigo homem cuja amizade seja pura e simples, sem que alguém tenha algum interesse além da amizade.

Eu sempre contestei!

Até porque, desde o segundo grau, quando iniciei um curso técnico na área de construção civil, eu convivo diariamente com muito mais homens do que mulheres. Hoje, terminando o curso de Engenharia então, a grande maioria de amigos são homens.

Acho que uma mulher e um homem podem sim ser amigos sem interesses "carnais", digamos assim. Lógico que isso nem sempre acontece... É perfeitamente possível, mas eu tenho começado a mudar um pouco a minha teoria. Lógico que não vai acontecer com todos os amigos(as) que você tem, mas é muito provável que com algum(a) venha a acontecer um envolvimento. Talvez seja pela intimidade que uma amizade cria, ou então pela natureza do ser humano.

Há anos atrás eu tinha um amigo no qual eu vivia grudada. Não estudávamos na mesma turma, mas nos momentos em que não estávamos na aula, passávamos sempre muito próximos. Eu namorava um de seus melhores amigos, ele namorava uma amiga minha. Depois de terminados esses namoros nós ficamos ainda mais próximos. Ele se lamentava pela perda da namorada, mas ao mesmo tempo fomos descobrindo que um sentia ciúmes do outro. Tivemos um envolvimento rápido, nada sério. Porque, convenhamos, é difícil ter um relacionamento sério com alguém cujos pensamentos você sabe de cor... Hoje ainda somos amigos, quase não nos vemos, mas um sempre sabe como o outro está. Ele está casado. Há alguns meses almoçamos juntos, puxa, quanta saudade daquela amizade. Na semana seguinte ele me convidou para jantar... Claro que eu não fui, conheço meu amigo, pela sua cabeça passava algo do tipo "Vou levá-la para jantá-la". Recusei e expliquei o porquê. Sua reação: "Intimidade é mesmo uma merda!".

Esse amigo em questão é o mesmo que em uma mesa de bar, junto comigo e com meu irmão, defendia com unhas e dentes a idéia de que um homem e uma mulher podem ser amigos sem demais interesses. Ele e meu irmão estavam numa batalha de idéias fervorosa quando ele vira para mim e diz: "Veja eu e a sua irmã! Somos amigos há anos e APENAS amigos!". Tenho quase certeza de que meu irmão entendeu porque eu me afoguei com a cerveja...

O problema é que o ser humano é muito versátil, podendo passar de amigo a amante em menos de dois minutos!!!

Mais ou menos como esse, eu poderia citar, pelo menos, mais 3 exemplos que aconteceram só comigo. Assim como eu posso citar, no mínimo, 7 casos de amizade com homens que foram, e ainda são, puramente amizade. A mais sincera e pura amizade. E onde não há a mínima possibilidade de acontecer algum envolvimento.

Talvez meu irmão estivesse certo. Mas não totalmente! Fazendo o balanço, a minha idéia de que uma mulher pode sim ter amizade incondicional com um homem ainda sai na frente.

E vocês? O que pensam a respeito? Defendam suas teorias.
Tenham um bom dia!


Postado por Anna

publicado por Nós Por Nós às 10:26              Comments:          Halo


Terça-feira, Fevereiro 14, 2006


FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO

30/11/1984

Não sei o que acontece comigo mas estou sofrendo de uma angústia que não sei explicar o que é. No próximo sábado será a festa de formatura do Segundo Grau. Convidei a Marcela para irmos juntos e eu percebo que ela está a fim de mim. Nossa mãe! Ela é linda, mas não tenho o menor interesse por ela. Eu só tenho olhos para os garotos, será que sou bicha?

27/08/1985

A ansiedade é grande, meu chefe vai escolher qual o estagiário que vai ser efetivado na empresa em que trabalho. Estou morrendo de medo de alguém ter percebido que não sou muito normal. Eu tento disfarçar, mas morro de medo de alguém descobrir que eu não gosto de mulheres. Eu tenho certeza de que, apesar de não gostar de mulheres, eu não sou bicha, mas será que esse pessoal percebe alguma coisa?

02/09/1985

Deus é pai, Seu Milton me escolheu para ser auxiliar de escritório. Eu acho que ninguém percebeu que eu não gosto de mulheres. Eu estou até interessado em Sandrinha, uma menina linda que trabalha aqui e é uma simpatia só. A vida é boa, vai dar tudo certo para mim.

02/06/1986

Conheci um rapaz incrível. Ele é irmão do namorado de minha irmã e é evangélico. Não gosto de crentes, mas ele é muito legal e eu acho que de repente eu posso encontrar o meu caminho em Jesus.

01/12/1986

Nossa, não vejo a hora de chegar a festa de Natal da nossa igreja. Minha mãe queria que eu ficasse com ela para juntos irmos à missa do Galo na Igreja de São João Batista, mas não quero saber de nada disso. Católico é muito estranho.

07/04/1987

Bispo Fernando me convidou para ser o seu auxiliar no culto. Nunca tive tanta honra na minha vida. O que seria de mim se não fosse Jesus?

02/01/1988

Merda, merda, merda, merda! O diabo vive me perseguindo. Para que dei ouvidos à minha irmã e fui assistir à passagem de Ano Novo na Praia de Copacabana? O mundo está infestado de viados.

04/03/1988

Bispo Fernando está com uma conversa que está me deixando meio aflito. Ele quer que eu conheça Maria Cristina, sua filha. Não pára de falar na menina. Diz que ela é muito especial e tem me observado há algum tempo. Ela é linda, a única coisa que estraga é aquela bunda grande. Se fosse um pouco mais esbelta...

22/07/1989

Estou há algum tempo sem escrever nada, mas é que na próxima semana será o meu noivado e eu tenho que agitar as coisas. Papai morreu e eu tenho que ajudar a minha mãe. Na próxima semana sairemos juntos para ver um presente para Maria Cristina, a mulher da minha vida. Nunca poderia imaginar que alguém pudesse ser tão feliz como eu. Ela fez um regime e está bem magrinha do jeito que eu gosto.

14/05/1990

Estou morrendo de medo. O filho da mãe do Collor confiscou todo o dinheiro do pessoal e eu não sei se as pessoas conseguirão dar os presentes que nós colocamos na lista. Além disso, os gastos são imensos. Ainda bem que os dízimos que o Bispo recebe são em dinheiro porque, caso contrário, não iria haver casamento. Amanhã o alfaiate vem aqui e ainda não escolhi o meu terno. Estou um pouco nervoso, mas muito feliz.

22/07/1990

Maria Cristina se revelou uma mulher sem nenhum escrúpulo. Quer sexo toda a hora. Sei lá, mas existem momentos que eu tenho nojo dela. Vou tentar ser um marido mais assíduo, mas tá difícil.

01/08/1991

Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Nasceu Juliana, a coisa mais linda do mundo. Agora já posso morrer em paz, sou pai. Nosso Senhor Jesus Cristo me abençoou com uma família e eu agora sou bispo de uma unidade só minha. Acredito que aquele vazio que sinto na alma vai acabar.

02/02/1992

Não estou entendendo o que está se passando. A Polícia Federal chegou na igreja para vasculhar tudo. O que será que o Bispo Fernando aprontou? Eu não tenho nada a temer, mas não paro de pensar como é que ele tem tantos bens. Bom, se ele tem é porque merece.

04/05/1992

Finalmente as coisas esfriaram um pouco. Graças ao nosso salvador Jesus, o Bispo Fernando encontrou um deputado que aliviou a nossa barra. Sangue de Jesus tem poder.

01/01/1993

Tive a melhor passagem de ano da minha vida. Nasceu Pedro, o meu garoto. Espero que Maria Cristina fique mais compenetrada no seu papel de mãe e dona de casa e pare de pedir sexo a toda hora. Se ela não fosse filha do Bispo Fernando, eu iria achar que ela tem parte com o diabo.

20/12/1993

Estou chateado. Por causa do Natal não pude acompanhar a família numa viagem de verão. Vou ficar sozinho. Maria Cristina não demonstrou nenhuma insatisfação com esse fato. Muito pelo contrário, comprou um monte de roupas e parece estar muito satisfeita. Sei lá, às vezes eu penso que seria melhor ela ter um amante.

01/01/1994

Fiquei triste de estar longe do Pedrinho no seu primeiro aniversário. Foram cultos demais e eu não pude me afastar da igreja. Quando todo mundo foi embora, eu decidi ficar um pouco para ver os fogos da Praia de Copacabana. Bispo Fernando acha que essa festa é coisa do diabo, mas eu vi tantas pessoas felizes que eu fico na dúvida se isso é verdade ou não. Como tem gay no Rio de Janeiro.

10/01/1994

Hoje o meu sermão foi maravilhoso. Casais que estavam quase se separando vieram me agradecer. A palavra de Jesus que sai da minha boca é muito forte. Foi tudo maravilhoso, mas não pude deixar de observar um rapaz que estava sozinho. Ele não parou de me olhar.

20/01/1994

Meu Senhor Jesus, amanhã chega a família e eu estou na cama de Adalberto. Eu quero me sentir infeliz, eu quero morrer, mas não consigo deixar de ter o coração acelerado de felicidade. Sou um monstro, uma aberração, mas estou feliz.

10/05/1994

Jesus ouviu as minhas preces. Maria Cristina nunca mais quis sexo e isso não parece incomodá-la porque ela está muito linda, parece que floresceu, tá mais mulher. Eu prefiro quando ela era bem magra, não gosto de mulher carnuda. Sei lá, parece vulgar.

03/02/1995

Meu mundo desmoronou. Minha casa foi invadida por Bispo Fernando e mais 3 bispos do Conselho para exigir o meu afastamento da unidade. Maria Cristina entrou com um pedido de divórcio amigável que pode se tornar litigioso, caso eu insista em não aceitar o que ela quer. Ela tem fotos minhas com Adalberto e ameaçou levar à empresa em que trabalho. Perdi tudo: nossos bens, a família, a igreja e o respeito da sociedade. Só poderei ver meus filhos acompanhado de uma pessoa. Concordei com todas as exigências.

23/11/1996

Adalberto me largou. Não suportou mais essa nossa vida de segredos e esconderijos. Como posso assumir um homem na minha vida? É errado, eu sei o que faço, mas sei que é errado. Jesus me abandonou. Não vejo as crianças tem mais de um mês. Não sei o que fazer da minha vida.

02/01/1998

As coisas parecem estar melhorando para mim. Meu apartamento é bonitinho, fui promovido no meu trabalho e Maria Cristina não está mais tão zangada comigo. Já saio com as crianças sozinho e elas têm passado os finais de semana comigo. Só queria encontrar uma nova mulher. Homem não, é errado. Finalmente estou curado. O ano de 1998 vai ser muito bom para mim, eu sinto isso.

03/09/1998

Amanhã é o grande dia. Vou ser diretor-adjunto. É uma pena que tenha que sair desse departamento que trabalhei por toda a minha vida. Amanhã vai ter uma festa e eu já estou com vontade de chorar. Os amigos que fiz aqui são muito bons. Nunca souberam de nada da minha vida e eu prefiro que as coisas sejam assim. Estou feliz.

06/09/1998

Quando eu penso que tudo poderia estar tomando um rumo diferente, eis que aparece um novo homem na minha vida. João se declarou para mim em plena festa. Fiquei confuso, nunca poderia imaginar. Pensei que fosse efeito da bebida, mas não, ele sustentou a história na manhã seguinte. Eu dormi com ele. Até agora não consigo acreditar, mas eu não pude resistir. Eu dormi com ele, passamos a noite inteira fazendo amor. Eu quero João na minha vida e na minha cama para sempre.

10/10/1998

Dessa vez as coisas serão diferentes. João jamais virá na minha casa. Não quero contrariar Maria Cristina e o Bispo Fernando. Em termos legais as exigências são as mesmas do divórcio, mas não quero perder a oportunidade de ter os meus filhos ao meu lado nos momentos que eu quiser vê-los. Vou fazer tudo como manda o figurino.

26/12/1999

O Natal foi maravilhoso. Depois de todo esse tempo pude comemorar com Maria Cristina e as crianças. O marido dela é muito simpático e todos nós nos sentimos bem a vontade. Levei Lucinha, uma amiga minha e do João e a apresentei como namorada. João também foi junto como amigo dela. A noite foi legal e eu aproveitei para dar os presentes de aniversário do Pedrinho. Amanhã eu e João iremos viajar para Fortaleza. Serão 15 dias só nossos, sem nenhum complexo de culpa. Ainda bem que João pensa da mesma maneira que eu, ele não quer que ninguém saiba de nada.

04/09/2003

Cinco anos. Parece que foi ontem. Cinco anos com o amor da minha vida. Cinco anos de paixão que nunca termina. Cinco anos do melhor sexo que alguém poderia ter. Cinco anos de felicidade.

                 ...

Amigos, essa história foi escrita no dia 16.11.2004 e eu tenho muito carinho por esse meu texto. Já até mandei para o Beco dos Bytes uma vez como contribuição. Quando comecei, eu estava pensando em alguma coisa bem catastrófica que justificasse a vontade do personagem em procurar a cura de sua homossexualidade através de um projeto do deputado evangélico e fluminense que promete, às custas do erário público, transformar um gay em heterossexual. Eu não sei no que foi que deu essa loucura. Logicamente seria um grande fiasco.
No entanto, optei por dar um final feliz, não por romantismo, mas sim por acreditar que as pessoas podem se sentir felizes do jeito que for melhor, ainda que o personagem não tenha assumido o que ele é completamente. Cada um sabe de si e aquela fórmula de satisfação pessoal que foi feita no início da nossa civilização se perdeu há muito tempo. Todos nós resolvemos procurar a nossa por conta própria e de acordo com o nosso livre arbítrio.
Esse meu diário é uma homenagem a todos os homossexuais que se acham dignos e felizes com as suas vidas.
Beijocas
Yvonne

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Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006


Boa tarde, meus lindos!!! desculpem a demora de postar, mas tive problemas hoje...
Enfim: para vcs, um texto do Orígenes Lessa - espero que gostem - mas antes, me digam: e vc, querido leitor, faria qualquer coisa por amor??
um grande beijo

Tatoo



O homem nas mãos

Orígenes Lessa


Sim, realmente eu matei. Era a prova de amor. a suprema prova que exigira de mim. Eu dera-lhe um carro. Não gostara. Dera-lhe um apartamento. Apenas o aceitou. Dei-lhe um iate. Não se convenceu. Já me atirara a seus pés, muitas vezes, sem êxito algum. E antes de me ajoelhar e antes do automóvel, do apartamento e do iate, já lançara mão de todos os recursos ao alcance de um apaixonado em pleno delírio. Nada a comovera. Só acreditaria, só aceitaria um grande, um infinito. um amor sobre-humano. Assim julgava eu o meu amor. Ela não se convencia. porém. E eu sofria e escrevia poemas e chorava ao luar. Era a inatingível. Ofereci-lhe a minha vida. Recusou. Jurei que me mataria em seguida, se ela cedesse. Ela sorriu. "Pede-me o impossível", dizia eu. E ela sorria. Para os grandes amores não existe o impossível. Estava. toda inteira, nessa minha proposta, a prova definitiva de inexistência do amor em meu coração. E eu continuava me multiplicando em humildade e entregas desvairadas.

Um dia, olhei para a minha vida. Estava arruinado. Nada mais tinha de meu. Se ela quisesse um automóvel novo. um iate mais recente, um apartamento maior, já não os poderia dar. Meu desespero foi, então, sem nome. Perdera a última esperança. Mas conservava ainda a capacidade de argumentar, estranho poder de raciocinar friamente. Atirei-me de novo a seus pés. Se não era o dinheiro, se não eram tributos materiais de amor o que esperava, mas a prova apenas de um grande amor, a prova ali estava, na minha miséria. Que exigia agora ? Que podia esperar ?

- Enriqueça de novo.

E dentro em pouco - somente eu, ninguém mais, pode falar do que é capaz um grande amor - estava rico outra vez. Novo automóvel ? Dela. Viagem à volta do mundo ? Teve. Jóias? Colares? Todo dia. Festas? Jantares? Boates? Uma eu construí exclusivamente para ela e seus amigos. Três semanas depois, entediada, me dizia:

- Pode fechar a boate.

E eu fechei.

Abri e fechei em vão. Como em vão fora tudo. Era tédio e ceticismo. Certa noite, alucinado, eu a levava de automóvel por uma estrada maravilhosa.

- Você quer a lua ?

Ela sorriu.

- Não. Mate aquele homem.

A luz clara do luar, caminhava um pobre vulto à nossa frente, cem metros além. Pisei o acelerador. Teve a duração de um relâmpago.

- Vamos ver se morreu, disse ela.

Voltamos.

Sim, valeu a pena. Ela foi minha. Foi minha, afinal. E a vida se iluminou. Vivi alguns dias ou anos ou séculos -até hoje não sei - na mais total felicidade. A natureza cantava, os pássaros cantavam, o mar cantava, as ruas cantavam, as casas cantavam, cantavam os homens anônimos nas ruas. Até que ela começou a não acreditar outra vez. E eu voltei a dobrar-me a seus pés. E a suplicar, a pedir, como um doido. Desci a todos os extremos. Ate cantei boleros. Inutilmente. Foi quando, depois de novos boleros e jóias, ela me pediu outra vida. Apressei o carro - o luar era lindo - e tive-a novamente em meus braços. E daí por diante esse foi o preço. A sorte me ajudava de maneira espantosa no jogo. Do produto de uma noitada ofereci-lhe um colar de um milhão. Ela olhou o colar, abandonou-o displicente no sofá.

- Eu quero é sangue.

Levantei-me, com a chave do automóvel na mão.

- A tiro, disse ela.

Voei para casa, apanhei o revólver, ela ao meu lado.

- Eu quero ver.

Viu.

Tive-a de novo.

Passou tempo, depois disso.

Confesso, agora, confesso humildemente, que o amor também passou. Não sei como. Não sei quando. Foi de repente, foi aos poucos, não sei. Acabou. Hoje eu mato, mato quando ela me pede, quase por constrangimento, por hábito talvez. Porque ela pede. Talvez para não desapontá-la. Talvez para não me desapontar. Talvez querendo iludir-me. Talvez por displicência, por preguiça mental, preguiça de reagir . Mato sem vontade, mato sem paixão, quase uma questão de rotina. Pediu, eu mato. Adquiri o hábito de obedecer. Ficou em mim, entrou no meu sangue, esse automatismo. Uma jóia ? Eu compro. Um carro ? Eu dou. Um homem ? Eu mato. Eu não tenho é meio de recusar. Não me interessa mais, não quero mais, mas faço. Faço, obedeço. Negar não sei.

O pior é que, pelo jeito. ela anda querendo que eu me apresente à polícia...


Orígenes Lessa nasceu em Lençóis Paulista, a 12 de julho de 1903. Colaborou e trabalhou em diversos veículos de comunicação, tendo feito sua estréia nos jornaizinhos escolares, com 12 ou 13 anos. Tentou, sem continuidade, diversos cursos superiores. Ingressou como tradutor no Departamento de Propaganda da General Motors, que teria grande influência na sua vida profissional: tornar-se-ia um dos publicitários de maior renome do País. Tomou parte ativa na Revolução Constitucionalista em 1932. Em 42, fixou-se em Nova York trabalhando no Coordinator of Inter-American Affairs, tendo sido redator da NBC em programas irradiados para o Brasil. Regressou ao Rio de Janeiro em meados de 43. Escritor, com uma obra bastante extensa, publicou, entre outros: Rua do Sal (Prêmio Carmen Dolores Barbosa ¿ romance); O Escritor proibido (contos); Garçon, Garçonette, Garçonnière (menção honrosa da Academia Brasileira de Letras); O Feijão e o Sonho (romance ¿ Prêmio António de Alcântara Machado, 15 edições com mais de 200.000 exemplares vendidos); 9 Mulheres (contos ¿ Prêmio Fernando Chinaglia); O Evangelho de Lázaro (romance ¿ Prêmio Luíza Cláudia de Souza do Pen Club do Brasil, 1972); e Beco da Fome. Incursionou pela literatura infanto-juvenil com muito sucesso, publicando oito ou dez volumes, um dos quais, Memórias de um Cabo de Vassoura, bateu a vendagem de O Feijão e o Sonho. Seus contos têm sido traduzidos para o inglês, espanhol, romeno, tcheco, alemão, árabe, hebraico, e várias vezes radiofonizados, não só no Brasil, mas também na Polônia.

Faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 13 de julho de 1986. Foi eleito em 9 de julho de 1981 para a Cadeira n. 10 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Osvaldo Orico. Casado com Elsie Lessa, jornalista, é pai do escritor Ivan Lessa.

Texto extraído do livro ¿Balbino, homem do mar¿, Livraria José Olympio Editora ¿ Rio de Janeiro, 1960, pág. 184, mais uma colaboração do ¿rato de sebo¿ José Antônio Bührer. Com este texto, homenageamos Orígenes Lessa pelo seu centenário de nascimento.

publicado por Nós Por Nós às 13:19              Comments:          Halo


Domingo, Fevereiro 12, 2006


PROMOÇÃO NPN 17: RESULTADO

Na extração de hoje, 11/02, da
Loteria Federal,
a dezena do 5º prêmio, 97 (grupo 25), não foi requerida.
A dezena do 4º prêmio, 64 (grupo 16), foi escolhida pelo pequeno mutante:

MC MUT
Parabéns do NPN!





PROMOÇÃO NPN 18

(REGULAMENTO NA COLUNA AO LADO, ABAIXO DOS PERFIS)

SORTEIO DO LIVRO

Mulheres que Amam
Homens Difíceis
de Judith Segal


Pistas e sugestões para melhor entender e comunicar-se
com os homens. A autora elaborou um questionário para
determinar se você atrai homens difíceis, e descreve
a estrutura psicológica dos 10 tipos mais comuns.


Modo de se inscrever:
Escolha apenas UM grupo de dezenas (de 1 a 25, como no jogo do bicho).
As dezenas já estão determinadas para cada grupo. Exemplos:
Grupo 1 = dezenas 01, 02, 03 e 04; --- Grupo 2 = dezenas 05, 06, 07 e 08;
Grupo 9 = dezenas 33, 34, 35 e 36; --- Grupo 25 = dezenas 97, 98, 99 e 00.
Escolha um grupo que ainda esteja disponível!

A dezena vencedora será a do 5º prêmio da Loteria Federal de 18/02/2006.
Escolha, ATÉ às 18:00 h do dia 18/02,

e BOA SORTE!

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Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006


BUNDAS DE FORA

Neste espaço semanal estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós.
O nome refere-se a alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde
fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando.


Amigos, hoje a contribuição é do Ivan Lembramos mais uma vez que o Bundas é aberto a todos.
Beijocas carinhosas para todos e desejando um ótimo fim de semana
Yvonne



Escrito em 11 de abril, este texto fala das minhas primeiras sensações obtidas com os blogs. É que estou revisitando os textos que já escrevi, já que pretendo republicá-los no Vertentes de Mim. Este, creio, tem a cara do Nós Por Nós. E, se for me dada a honra, gostaria de vê-lo transcrito, no Nós Por Nós!
...

Um Comentário Inspirou

Uma pessoa, que assinou apenas como Shalaia, fez o seguinte comentário: "entao vc acha q há vida inteligente nos blogs e, julgando-se inteligentíssimo, resolve montar o seu. Muito bem, a modéstia nunca foi mesmo uma das maiores virtudes." ´Não deixou e-mail ou Blog, apenas o nome. Tudo isso porque confessei meu anterior preconceito em relação aos Blogs. É que eu conheço pessoas que têm Blogs, todos vazios de idéias, na minha opinião. O que elas escrevem deve fazer algum sentido...para elas, não para mim. Quando, tempos depois, descobri que há gente escrevendo idéias com conteúdo- dos mais diversos- motivei-me a criar o meu espaço. Não porque me julgo inteligente, ou dono da verdade, mas porque vi a oportunidade de aprender com este recurso que, para mim, é novo.

Ninguém pode contestar o fato de que a tecnologia está cada dia mais avançada. Estende-se ao infinito e nem nos damos conta muitas vezes.. Sem ir longe, basta um pequeno retrospecto de nossa história a partir do século 19, e a análise nos mostrará evidências claras desse avanço. Muitos inventos alterararam (e alteram ainda) para melhor a vida social, sem contar as idéias que iluminaram o pensamento humano, refazendo conceitos enraizados na cegueira ética e moral; e extinguindo outros que não são mais compatíveis com o momento, onde se clama por novas exigências.

Homens audaciosos como Darwin, Gandhi, Madre Teresa, Allan Kardec, Karl Marx, Einstein, Paulo Freire e muitos outros produziram uma revolução tal nos conceitos e costumes dos homens, que até hoje temos de nos adaptar a "esse novo mundo" por eles descobertos. Cada vez mais amplos, os horizontes do pensamento alçam dimensões anates jamais imaginadas, desenvolvendo férteis e imcomparáveis recursos para o crescimento do indivíduo e o seu progresso nos mais diversos campos do saber. Todas as áreas experimentam avanços.

No entanto, mesmo diante desses valores enriquecedores, as guerras ainda ocorrem entre as fronteiras terrestres (menos que antes, é verdade), a fome ataca milhares de irmãos indefesos, os vícios ainda campeiam em desordem, as deéndências- químicas e sexuais- alucinam a todos numa voragem assustadora, promovendo o desequilíbrio louco que anula a consciência dos seres que descamabam por tais portas largas da perdição, como já nos alertava Jesus!

Há aqueles que, sem dúvida, já se preocupam com os desafios do momento. A vida sempre nos surpreende com suas potências inesgotáveis, convidando-nos a reflexões muito profundas. Recursos tecnológicos existem e nos servem, facilitando a nossa vida. O que fazemos deles é onde mora a questão problemática!! Talvez, por tudo isso, é que Joanna de Ângelis afirma que estes são dias gloriosos!!!!

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Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006


Violência nos relacionamentos


Do "Livro de Bolsa - Minutos de Ignorância", do grupo humorístico Grelo Falante,
composto por Carmmen Frenzel, Cláudia Ventura, Lucília de Assis e Suzana
Abranches, podemos extrair um pensamento que resume o dilema da mulher de
hoje:

      "Se para ter alguém pegando nos meus peitos, pegando na minha bunda,
      eu preciso ter alguém pegando no meu pé, eu prefiro ficar na mão".

Isso é porque ainda predomina entre os homens, aquele conceito expresso numa
das frases do Max Nunes, postada na segunda-feira passada:

     "O casamento é como a pessoa que quer tomar um copo de leite
     e compra uma vaca".

Ora, se vai casar, vai adquirir a vaca, digo, a mulher, vai tornar-se proprietário
dela e, portanto, ter direitos de vida e morte sobre o "bem" adquirido . (por isso
mesmo, a chama de "meu bem").

Tal conceito não é de hoje, já Abraão o seguia e, depois de engravidar a
empregada Agar (assédio sexual no trabalho), gerando nela o filho Ismael,
violentou ainda mais as leis trabalhistas, demitindo os dois (e nem pagou o valor
correto do FGTS).

Um fato inadmissível para Luciana Gimenez, por exemplo (e ela nem tinha vínculo
empregatício com os Stones).

A mulher de hoje quer uma relação estável, com "sexo bom" (e existe sexo ruim?
Sexo ruim é ausência de sexo), companheirismo, compreensão e confiança.
Não cabe aí machismo, intolerância, ciúme, violência e controle descalibrado,
conseqüências do pensamento possessivo.

No entanto, infelizmente, esses monstros do relacionamento insalubre, convivem
conosco e, mais infelizmente ainda, não se restringem à relação homem-mulher:
A relação pais-filhos tem se destacado nos noticiários de maneira trágica.
A televisão mostra menos novidades que um desfile gigantesco de anomalias
desse relacionamento. Descartar filhos como sacos de lixo já está se tornando
moda e mães queimando e espancando filhos, é rotina.

Quem dera que a televisão mostrasse também as conseqüências negativas desses
atos criminosos. Quando são presos, os responsáveis pelos crimes permanecem
ocultos, e não se divulga a idéia de que a carga penal imposta é pesada o
suficiente para desincentivar crimes por parte de outras pessoas.


Abraço do tesco

publicado por Nós Por Nós às 10:18              Comments:          Halo


Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006


Despedindo-se de um amigo

Eis que ela percebeu algo diferente. Fingiu que não era verdade, tentou não pensar.
Trabalhavam juntos há quatro anos, eram muito amigos, mas nunca estiveram tão próximos quanto agora.

Passaram a conversar pelo "msn", mesmo estando a uns três metros um do outro. Essas conversas eram animadíssimas, com elas adquiriram uma intimidade e cumplicidade muito grande.

Ela vivia reclamando do seu cigarro, pedia sempre para que ele parasse de fumar, ele sempre prometia tentar, mas nunca conseguira ficar longe do cigarro por mais de uma semana.

Saíam para beber alguma coisa após o expediente, pelo menos, três vezes por semana, mais especificamente na terça, quinta e sexta. Mas nada além de longas conversas acontecia entre eles. E eles não queriam que acontecesse, pois sabiam que poderiam perder aquela amizade gostosa que tinham construído. Ambos sabiam do desejo que havia dentro de si, apesar de um não desconfiar que o outro também o desejava.

A respiração dela era subitamente interrompida quando ouvia os passos, e mesmo sem olhar ela sabia que era ele que se aproximava. Talvez pelo cheiro, talvez pelo compasso, ou quem sabe pela vibração energética que emanava do corpo dele.

A temperatura do seu corpo aumentava proporcionalmente à proximidade daquele homem, e ela tentava fugir daquele desejo, afinal ele era apenas seu amigo, nada mais.

Mal sabia ela que o desejo era mútuo. Ele daria tudo para ficar olhando aqueles olhos por algum tempo, sem ter que desviá-los para não ser apanhado em flagrante. O cheiro dela estava presente mesmo quando ela não estava mais por perto, ele havia ficado registrado em seu cérebro e a cada pouco parecia exalar de um "não sei onde". Aquele sorriso espontâneo e sincero dela encantava-o cada dia mais.

Ele, que sempre foi uma pessoa muito transparente, em uma de suas conversas resolveu contar a ela que havia algo de diferente acontecendo entre eles, ao que ela não pôde deixar de confirmar.

Combinaram que deixariam as coisas acontecerem no momento em que tivessem que acontecer. Mas ali ela soube que o desejo transformara-se numa bomba, prestes a explodir a qualquer momento. Sabia que não seria capaz de resistir a qualquer toque seu.

Num dos vários happy-hours que faziam, após conseguir arrancar dela um daqueles sorrisos espontâneos e estonteantes ele parou, olhou fixamente para ela, cujos olhos tentaram desviar em vão, ela estava praticamente hipnotizada por aqueles olhos azuis que há tanto tempo conhecia, mas que nunca surtira nela um efeito tão avassalador.

Após passado o encanto do momento eles decidiram que era hora de ir para casa, mesmo para uma sexta-feira já estava bastante tarde, até mesmo porque ele viajaria no dia seguinte por uma semana, a trabalho.

Ele a deixou em casa como de costume, mas não ousou perguntar se poderia subir com ela.
Ela entrou em casa e sentiu-se decepcionada por ele não ter pedido para subir. Não resistiu e mandou uma mensagem para o celular dele:

"Achei que você iria subir comigo! Mas..."

Mal terminou de mandar a mensagem e a campainha tocou. Assustada correu para abrir a porta, era ele...

- Achei que você não ia me convidar!

Ele havia subido e ficado parado na porta do apartamento dela tentando decidir se tocava a campainha ou se ia embora.

Ela lhe deu um longo abraço, como quem se despedisse do amigo, e em seguida o beijou.

A bomba de desejos explodira, e eles curtiram intensamente cada segundo daquela explosão. Já era madrugada quando, depois da explosão consumada, os ânimos se acalmaram e ele acendeu um cigarro, deu uma tragada e estava preparado para ouvir a reclamação dela que apenas beijou-o novamente.

Ela o acompanhou até o aeroporto despediu-se e preparou-se para passar uma semana inteira sem ele.

Durante essa semana ele resolveu parar de fumar por causa dela.

E ela, que há mais de quatro anos deixara de fumar, sentia extrema necessidade de um cigarro. Precisava sentir novamente o gosto, só não sabia dizer se do cigarro ou do beijo.

Tenham um bom dia!

Postado por Anna

publicado por Nós Por Nós às 09:23              Comments:          Halo


Terça-feira, Fevereiro 07, 2006


O FUNDO DO POÇO

Acordei em um quarto que não era o meu com uma mulher ao lado que decididamente não era a minha. Fiquei sem saber de nada que tinha acontecido no dia anterior. A cabeça era um vazio total. Já era dia claro e eu completamente perdido. Com muito custo consegui que a mulher acordasse e perguntei a ela o que tinha ocorrido. Ela, entre um murmúrio e outro, disse que estávamos juntos há dois dias e que bebemos e cheiramos todas. Dois dias! Meu Deus do Céu, como estaria Fatinha? Entrei em desespero e o meu corpo precisava com urgência de uma carreirinha. Vasculhei o quarto e nada encontrei. Com muito custo, entrei no banheiro imundo e tomei um banho com um chuveiro que caia pouca água. Vi o meu terno atrás da porta e mais uma vez me desesperei. Eu estava fora de casa desde sexta-feira.
Hoje devia ser domingo. Justamente hoje que tem o aniversário da filha do Carlos que estava sendo aguardado com bastante sofreguidão por Fatinha e Helena, minha filha. Tinha que ir logo para casa e explicar o inexplicável. Andando pelas ruas me dei conta que elas estavam cheias de crianças com uniforme escolar. Senti um aperto no estômago ao constatar que era dia útil. Parei na banca de jornal para ver a data e nem foi preciso comprar nenhum porque o JB estampou em sua primeira página que o Vasco tinha sido campeão. Eu sabia que o jogo contra o Flamengo seria no domingo. Como é que eu posso ter ficado fora de casa de sexta a segunda? Perdi o dia trabalho e o principal: devo ter perdido a mulher e a filha.
Precisava cheirar, não podia ir para casa de cara limpa. Apenas pela última vez só para ter coragem de falar com Fatinha. Olhei a carteira e vi que não tinha um único centavo. Também não tinha relógio. Devo ter vendido para comprar cocaína. Para ser sincero, somente algum tempo depois é que fui me dar conta que estava no Méier. Como é que eu poderia ir do Méier até Botafogo sem dinheiro e sem dignidade?
Ainda que envergonhado, liguei para minha mulher que demonstrou alívio ao saber que eu estava vivo. Perguntou onde eu estava e disse que logo chegaria para me apanhar. Meia hora depois, vejo o carro dela com o meu pai ao seu lado e meu sogro atrás. Fui recebido com frieza o que para mim foi bom porque eu não suportaria ouvir nenhum sermão.
Ao chegar em casa, Helena correu para mim e me deu o abraço mais afetuoso de minha vida. Ela estava feliz em me ver e contou muito chateada que a mãe não quis levá-la na festinha de aniversário. Fatinha entrou no quarto chorando e algum tempo depois trouxe duas sacolas de viagem com pertences meus. Meu pai falou que ela decidiu se separar e que ele me levaria para a casa dele. Falou que ligou para o meu trabalho e disse que eu não tinha ido por estar adoentado. Queria falar com minha mulher, mas ela não se deu ao trabalho de olhar nos meus olhos. Como é que eu poderia ser tão canalha ao ponto de magoar a única mulher que eu verdadeiramente amei?
Fui embora e prometi a Helena que eu iria vê-la com freqüência. Este foi o único momento em que senti algum carinho por parte de Fatinha porque ela fez questão de frisar para a nossa filha que o papai gostava muito dela e que estaria sempre ao seu lado quando ela quisesse.
Já hospedado na casa do meu pai, me tranquei no quarto e tomei uma atitude radical: iria solicitar ao meu chefe uma licença sem vencimentos para fazer um tratamento. Falei do meu propósito com o meu pai e ele me deu todo o apoio possível. Disse que poderia arcar com as minhas despesas por pelo menos uns seis meses, mas não poderia pagar o meu tratamento. Decidimos que eu ficaria em casa até que acabasse a crise de abstinência e que depois veríamos o que poderia ser feito. Felizmente o meu chefe me deu o tempo necessário para eu resolver o meu problema e falou com o meu pai que a sua única exigência era que eu não tivesse acesso à minha conta bancária o que meu pai concordou prontamente.
Meu pai tirou todos os móveis da sua suíte e deixou apenas o colchão no chão. Era um quarto nu com uma janela que felizmente tinha grade. E eu fiquei trancado neste quarto por três semanas. No começo foi horrível, não estava mais acostumado a ficar a sós comigo mesmo e meus problemas. Tive que encará-los de frente. Pensei em matar meu pai, pensei em matar o Luís que me apresentou a esse mundo de "felicidade química". No começo eu ficava realmente muito feliz e conseguia driblar como ninguém o meu vício. Ninguém sabia de nada. Era fácil. Saía do trabalho, tomava umas cervejinhas e logo depois ia para a casa do Luís que ficava pertinho para cheirar uma carreirinha. Voltava para casa cheio de animação e quase sempre fazia um sexo gostoso com Fatinha. Sempre rendi bem no trabalho e era uma pessoa quase que imprescindível.
Um tempo depois eu queria mais, muito mais. Já não dava mais para esperar os dias da semana. Eu queria cheirar também no sábado e domingo e sempre inventava uma desculpa ou outra para comprar algumas graminhas com o Luís. O dinheiro de nossa poupança só não acabou porque Fatinha ao ver que o dinheiro estava evaporando decidiu limpar tudo e transferir nossas reservas para outro banco que ela não me disse qual. Sem me dar conta fui caindo em um poço sem fundo.
Meu pai sabiamente só entrava no quarto com a presença de um dos empregados do prédio. Ele tinha medo que eu o agredisse para fugir de casa. Vivi um inferno sem fim, até que um dia pedi ao meu pai que me ajudasse a tomar um banho. Sim, eu fiquei por todo esse tempo com a mesma roupa, inclusive a cueca. Ele entrou no quarto com o Seu Francisco e o Robson. Enquanto o Seu Francisco me vigiava no banheiro, o Robson fez uma rápida faxina no quarto que estava imundo inclusive com vômito seco.
Trocados os lençóis e o quarto cheirando gostoso, deitei-me na cama e finalmente dormi um sono pesado por quase 24 horas. Acordei com muita fome e a cabeça bem mais leve. Pedi ao meu pai um rádio e a televisão também. Dois dias depois falei para ele que não precisava mais trancar o quarto e que eu queria transitar pelo apartamento. Ainda não estava preparado para sair sozinho.
Passei uma maravilhosa semana com o meu pai. Só nós dois em casa. Conversamos sobre a grande falta que a mamãe nos fez ao ter morrido com apenas 53 anos. Perguntei por Fatinha e Helena e soube que elas estavam bem e torcendo para que tudo desse certo comigo. Soube também que por todo esse tempo Fatinha foi ao apartamento saber como eu estava.
Quando senti que já estava no eixo, pedi ao meu pai que averiguasse em que locais haviam reuniões dos Narcóticos Anônimos. Para minha surpresa era bem perto de casa e passei a freqüentar diariamente. Ainda sentia falta da bebida e da cocaína. Não podia me dar ao luxo de faltar nenhuma reunião.
Voltei para o trabalho e fui recebido com muito afeto. Foram dois meses de ausência. O primeiro dia foi muito doloroso porque eu teria que passar pela porta do bar para ir até a garagem. Ainda assim, a duras penas, dei um até logo para a turma que estava lá dentro e segui o meu caminho. SÓ POR HOJE.
Minha relação com Fatinha começou a melhorar sensivelmente. Combinamos que reservaríamos o dia de sexta-feira para sairmos juntos. Foi um pouco difícil porque costumava ir somente a bares, coisa que não pode ser possível no momento atual. Logo, passei a ir em restaurantes mais fechados, teatros, cinemas, casas de chá e outros lugares interessantes. Já tinha esquecido de muitas coisas boas que existem nessa vida.
Voltamos a fazer sexo de uma maneira mais diferente e muito intensa. Não era mais aquela coisa agoniada movida a cocaína. Menos de um ano depois, voltei para a minha casa. Continuo freqüentando o NA, mas já não sinto mais necessidade de ir quase que diariamente. O sol voltou a brilhar na minha vida e eu agradeço a Deus todos os dias pelo carinho que recebi da minha família para sair daquele inferno. Finalmente estou vivendo no paraíso. SÓ POR HOJE.

P.S.: Dedicado ao P. que ganhou um prêmio dos Narcóticos Anônimos por estar há 15 anos sem beber e cheirar cocaína. O "só por hoje" faz parte do compromisso que o viciado assume de não procurar a droga quando a vontade apertar.


Postado por Yvonne



publicado por Nós Por Nós às 07:36              Comments:          Halo


Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006


Bom dia meus lindos!!! (tudo bem..quase boa tarde...mas vamos lá...rs)

Pra começar a semana rindo, escolhi pra vcs algumas frases do Max Nunes, espero que se divirtam!!!

um graaaaaaaaande beijo

Tatoo



Uma pulga na camisola
Max Nunes


Era tão azarado que, se quisesse achar uma agulha no palheiro, era só sentar-se nele.

A prova de que o balé dá sono na platéia é que os artistas entram sempre na ponta dos pés.

Não é que as moças de hoje sejam mais bonitas. É que as de ontem já deixaram de ser.

O caqui não passa de um tomate diabético.

Quem pede a palavra nem sempre a devolve em condições.

No Nordeste, a seca é tão braba que são as árvores que correm atrás dos cachorros.

O jipe é o maior esforço feito pelo homem para chegar à mula mecanizada.

O casamento é como a pessoa que quer tomar um copo de leite e compra uma vaca.

O casamento é o único jogo que acaba mal sem que ninguém ponha a culpa no juiz.

Os homens casados se dividem em três categorias: os polígamos, os bígamos e os chateados.

Com as ruas esburacadas desse jeito, é preciso ser muito virtuoso para não dar um mau passo.

O difícil de confundir alhos com bugalhos é que ninguém sabe o que são bugalhos.

O motivo pelo qual o povo não consegue mais comer de garfo e faca é que há muita gente comendo de colher...

Já tinha oito anos e não bebia uísque, não dançava rock e não fumava maconha. Era um retardado mental.

Democracia é aquele regime pelo qual qualquer cidadão pode ser presidente da República, menos eu e você, naturalmente.

Duplicata é uma coisa que sempre vence. Nunca empata.

Houve um tempo no Brasil em que ninguém tinha dinheiro. É hoje.

Há casais que se detestam tanto que não se separam só pra um não dar esse prazer ao outro.

O eleitor, obrigatoriamente, tem que ser qualificado. O candidato, não.

Personalidade é aquilo que uma pessoa tem quando não está precisando do emprego.

Algumas mulheres são tão feias que deviam processar a natureza por perdas e danos.

Quando a mãe informou aos filhos que ia conferir um prêmio ao mais obediente da casa, todos gritaram ao mesmo tempo: "É o papai!".

Ah, o que seria do governo se o povo pudesse falar pela boca do estômago!

Já foi o tempo em que a união fazia a força. Hoje a União cobra os impostos e quem faz a força é você.

A prova de que tudo subiu de preço é que até uma coroa já é cara.

Uma camisa nova tem sempre um alfinete além daqueles que você já tirou.

Opinião é uma coisa que a gente dá e, às vezes, apanha.

Na praia é que a gente nota que esse negócio de vacina pega mesmo.

Max Nunes nasceu no Rio de Janeiro, em 1922. Médico, acabou se tornando um dos maiores humoristas brasileiros. Criador do famoso programa Balança, mas não cai, da década de 50, na Rádio Nacional, passou pelo Diário da Noite e Tribuna da Imprensa, sendo hoje um dos produtores do Jô Soares Onze e meia.

As pérolas acima foram extraídas de "Uma pulga na camisola - O máximo de Max Nunes", Companhia das Letras - São Paulo, 1996, págs. diversas, seleção e organização de Ruy Castro.

publicado por Nós Por Nós às 12:02              Comments:          Halo


Sábado, Fevereiro 04, 2006


PROMOÇÃO NPN 17

(REGULAMENTO NA COLUNA AO LADO, ABAIXO DOS PERFIS)

SORTEIO DO LIVRO


RAÇA DA NOITE
de Clive Barker

Suspense e terror, neste romance do "Mestre do Arrepio".




Modo de se inscrever:
Escolha apenas um grupo de dezenas (de 1 a 25, como no jogo do bicho).
As dezenas já estão determinadas para cada grupo. Exemplos:
Grupo 1 = dezenas 01, 02, 03 e 04; --- Grupo 2 = dezenas 05, 06, 07 e 08;
Grupo 9 = dezenas 33, 34, 35 e 36; --- Grupo 25 = dezenas 97, 98, 99 e 00.
Escolha um grupo que ainda esteja disponível!

A dezena vencedora será a do 5º prêmio da Loteria Federal de 11/02/2006.
Escolha, ATÉ às 18:00 h do dia 11/02,
e BOA SORTE!




PROMOÇÃO NPN 16: RESULTADO

Na extração de hoje, 04/02, da
Loteria Federal,
as dezenas do 5º e 4º prêmios não pertencem aos grupos requeridos.
A dezena do 3º prêmio, 30, é do grupo 8, escolhido por... eita, fi' duma égua!
Isso mesmo, o mesmo ganhador do sorteio passado:
Mário Oliveira

Parabéns do NPN,
MÁRIO!