Nós por Nós





Nossa Caixa Postal:
exepes2004@yahoo.com.br



\ NóS POR NóS /

AUTO-CONHECIMENTO PARA DESATAR OS NóS

online


PERFIL DOS POSTADORES

ATUAIS



TATOO
Não sei o que dzer sobre mim
Sou muitas! Baiana morando
em Brasília há séculos,
muito bem humorada
(até que pisem no meu calo -
aí, viro uma FERA!).
Odeio preconceitos de qq
espécie, falsidade, hipocrisia
e mediocridade! Adoro rir e
tenho uma gargalhada
inconfundível. Praticamente
sou um ponto de referência
por isso!! Amo minha família,
meus amigos e a VIDA!!!
Adoro poesias, livros, cinema
e teatro...ah! e fotografia tb!
Gosto de gente leve e
engraçada...e com inteligência,
é claro! Ah! Sou de 1967!

Tatoo posta às SEGUNDAS.




YVONNE
yvonneparadatz@hotmail.com
Brasileira, carioca, aposentada,
ariana nascida em abril de 1954,
casada, mãe de uma linda moça,
madrasta de um belo rapaz.
Gosto de artes em geral, de ler,
de trocar idéias, de praia,
de cinema, de tomar cerveja
e de soltar gargalhadas.

Yvonne posta às TERÇAS.
Também está no Blog Gente




ANNA
annapaula_a@hotmail.com
Curitibana de 1981, nascida na
época errada! Escorpiana cuja
vida tem trilha sonora.
Apaixonada por engenharia,
leitura e teatro, no palco ou
na platéia. Troca tudo por uma
cerveja com amigos! Mas sua
bebida favorita é vinho branco,
gelado. Odeia discussões...
acaba sempre chorando.
É simples, mas intensa!
Se fosse flor, seria uma rosa;
Se fosse estação... outono;
Se fosse cor, bem, aí seria
“furta-cor” porque ela não
consegue se definir tão
especificamente assim.

Anna posta às QUARTAS.




tesco
ydantol@yahoo.com.br
Pernambucano da safra de 1953,
geólogo, casado, quatro filhos,
mora em Aracaju - SE.
Depois de uma ginástica de
leitura, relaxa lendo um pouco.
Come bastante leitura enquanto
beberica uma leiturazinha.
Nos intervalos está lendo.

tesco posta às QUINTAS.


Ás SEXTAS tem MISCELÂNEA


EVENTUAIS





LIZE
lizemoura@yahoo.com.br
Brasileira, cearense, aquariana,
nascida em janeiro de 1975.
Gosta de artes, de ler
e de uma boa caminhada
na praia à tarde.




VIVA
viva_exepes@hotmail.com
Carioca de corpo e alma,
canceriana de 1958, viúva,
um casal de filhos que são
grandes companheiros (14 e 17).
Gosta de gente, vinho, cerveja,
chocolate, de dançar e de cantar,
não necessariamente
nessa ordem.
Acha que a vida é feita
de escolhas, por isto entre o mar
e a montanha fica com os dois.
Dá a vida por seus amigos,
desde que não tenha que
escolher entre o amigo e a piada.



PERFIL DO BLOG


Nascido em 21/02/2005,
o NOS POR NÓS é uma
reencarnação do ExEPEs.

Nós freqüentávamos o blog
Elas Por Elas
criado pelas jornalistas
Carla Rodrigues e
Martha Mendonça,
e nos sentimos órfãos,
quando o blog foi extinto.

Para não nos dispersarmos,
Lize iniciou o ExEpes,
sendo logo auxiliada por
nossa querida Tatoo.

Ao mudarmos de hospedeiro
(Blig para Weblogger),
decidimos mudar também o
nome, optando pela sugestão
do Clark Kent também em
homenagem ao Elas Por Elas

Estamos no Blogger Brasil
agora, mas sempre dispostos
a novas mudanças.

Diretrizes e objetivos de
nosso blog estão expressos
na declaração de nascimento
do ExEPEs:

Ex EPES
Nascimento:
Dia 27/08/2004 às 16:35.
Descrição:
Da necessidade de um
ponto de encontro de uma
galera alto-astral para um
papo pra lá de informal.
Porque Ex EPES:
Uma homenagem ao extinto
EPE, que viabilizou,
entre tantas coisas boas,
a nossa amizade virtual.
Quem pode participar:
Adultos, sem IMP
(Idade Máxima Permitida).
Se você se encaixa no
perfil, seja bem vindo!
Conteúdo:
Contos, poesias, musicas,
protestos, declarações,
depoimentos, etc.
Animados, divertidos,
polêmicos, eróticos,
questionadores,
contestadores, etc.
Vale tudo!
Procedência dos integrantes:
Planeta Terra
(exceto um ou outro).



- BLOGS AMIGOS -


Afonso: O Chato
Alex Castro: LLL
Allan: Carta da Itália
Ângela: Ursa Sentada

Biajoni
Bruno Freitas: Ik Haat

Calliope: Calliantéia
Carlos: O Beco dos Bytes
Carol: Appothekaryum
Claire Insone
Cláudio Costa: Pras Cabeças
Cynthia: CynCity

Denise: Síndrome de Estocolmo
DO: Ramsés Séc XXI
Donizetti
Drosófila

Ei, Porra!
Edu: Ui!

Fellini: A Sétima Arte
Flávio Prada: Lixo Tipo Especial

Guto: NCC

Henrique: Bagunçando o Coreto
Humberto: A Vaca e o Brejo

Idélber Avelar
Inagaki: Pensar Enlouquece
Ivan: Vertentes de Mim

Johnny: Estraga Filmes

Karla Spader
Kith: Diário de uma mãe

Leila Couceiro: Stuck in Sac
Leo: Impulso Primitivo
Lúcia: Uma Malla pelo mundo
Luma: Luz de Luma

Magui: Blog da Magui
Manoel Carlos: Agrestino
Márcia: Brincando com Clarinha
Mário Oliveira: Toca
Marmota
Mauro Castro: Taxitramas
Mc Mut: Sibrubilac
Menina Prodígio
Mércia: Espelho Feminino
Michel: Hotable
Mimeógrapho (¹/²dúzia de 6)
Mineiras, uai! (Ana/Lu/Dô/Bela)
Mônica: Fina Flor
Mônica: Quarenta três

Nababu (João M.)
Nélson Moraes: Ao Mirante
Nora: Língua de Mariposa
Nóvoa em Folha (Christiana e Maria Helena)

Rafael Galvão
Rafael Lima: Na cara do Gol
Rah: Blog da My Girl
Renata M.: Kit Básico
Ricardo Montero: Homem Baile
Roberta: Alma em Punho

Sandra Pontes
Simy: Bumbum Completo
Soié: Ontem e Hoje
Sônia Pallone: Solidão de Alma

Tata: Só Pensamentos
terragel: Complexo Gel
tiagón: Bereteando

Vânia V.: Tribuna Livre
Vânia V.: Viagens Filosóficas
Vânia V.: Vitória Luz

Yvonne: Blog Gente

- BLOGS IN MEMORIAM -

Elas Por Elas
July: NPN Receitas





PROMOÇÃO NPN
REGULAMENTO


Ao comentar, faça sua opção
pela dezena ou grupo de dezenas disponíveis, conforme
especificado no post.
A dezena vencedora será a do
5º prêmio da Loteria Federal
do dia determinado no post.
Se a dezena vencedora
não tiver sido escolhida,
valerá a do 4º prêmio, e assim,
se necessário, até ao 1º prêmio.
Caso as dezenas sorteadas
não tenham sido requisitadas,
o sorteio será prorrogado para
a próxima extração da Loteria.
Serão aceitas inscrições de
leitores que publicam
e-mail válido ou sua
home-page.
O vencedor enviará endereço
(no Brasil) para recebimento
do brinde, em e-mail para
nossa caixa postal:
exepes2004@yahoo.com.br
Casos omissos serão decididos
pela coordenação do blog.




arquivo

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NOVEMBRO



Weblog Commenting


UM LUGAR ESPECIAL PARA UMA GALERA ALTO ASTRAL!



Quinta-feira, Agosto 31, 2006


SEM SEXO?

No artigo "Ainda existem tabus sexuais em pleno século 21? 12 ótimas respostas
, matéria de Patrícia Zaidan, publicada pela revista Cláudia, edição de março de 2005, e já utilizada aqui em 06 de julho deste ano, lemos estas afirmações:

"5. Millôr Fernandes disse: "De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha que a abstinência". Não admitimos a vida sem sexo?


Temos um discurso, reforçado pela mídia, que garante que o sexo é essencial para a felicidade. Mas ele não é fundamental. Para o equilíbrio, é preciso ter saúde física, mental e social. Muitas pessoas podem se realizar sem sexo. Do contrário, não haveria padre, freira, viúvo ou celibatário feliz. Eles podem encontrar bem-estar se decidirem lidar com o sexo como algo do segundo plano e se sublimarem a energia sexual, canalizando-a para o crescimento espiritual ou intelectual. Para tanto, é necessário maturidade. Oswaldo Rodrigues Jr."


Já no programa "Consulta Médica", da Lilian Witte Fibe, no portal UOL, em 30/03/2005,a educadora sexual, Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, de São Paulo, respondeu a perguntas dos internautas, sobre sexo e temas relacionados.

Uma das perguntas foi:
"Existe o tal "viciado" por sexo como o ator americano Michael Douglas?"

E a resposta da Maria Helena:
"Sim, do mesmo jeito que existe o AA, para os alcoólatras, há núcleos que reúnem viciados em sexo. São pessoas que lidam com o sexo de uma forma compulsiva. Esse é um problema psiquiátrico em que a pessoa não se satisfaz com o sexo.
Mesmo que chegue ao orgasmo, nunca está saciada.".


Padronizar a sexualidade humana é uma tarefa impossível, porém, usando o bom senso, vemos que alguns comportamentos fogem da "normalidade", ou seja, de uma normalidade desejável para a sociedade e pela sociedade.

No entanto, um dos maiores (se não o maior) fomentadores de aberrações em todos os campos, é a chamada mídia.

Isso se configura uma contradição, pois, teoricamente, a mídia seria uma expressão da sociedade. E, em grande parte, o é.

Ora, a abstinência sexual é uma opção plausível, possível e viável, porém a mídia não pára de bombardear a todos nós com doses cavalares de sexualidade.
Favorece o desenvolvimento de taras e desvios sexuais, ocasionando transtornos psíquicos e até fisiológicos, nos integrantas da sociedade atingida por ela.

Falando sério, até pra um São Francisco de Assiss, ficaria difícil manter a abstinência na nossa sociedade tecnológica, não é mesmo?

Abraço do tesco

publicado no NPN às 09:29              Comments:                 Halo



PROMOÇÃO NPN 41: SORTEIO DE CD
(REGULAMENTO)


ANDREA BOCELLI
CIELI DI TOSCANA
Na tradição de sensibilidade dos grandes cantores deficientes
visuais, como José Feliciano, Ray Charles e Stevie Wonder,
Andrea Bocelli traz magníficas interpretações aliadas à uma
bela e possante voz, em 14 páginas musicais.
Na faixa "L'Incontro" Bono recita um poema de Bocelli.

Faixas: 1. Melodramma - 2. Mille Lune Mille Onde - 3. E Sara ´A Settembre (Someone Like You) - 4. Chiara - 6. Resta Qui - 7. ll Mistero Dell´Amore - 8. Se La Gente Usasse ll Cuore - 9. Si Voltò - 10. L´Abitudine - 11. L´Incontro -12. E Mi Manchi Tu - 13. ll Diavolo e L´Angelo - 14. L´Ultimo Re

INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UM grupo, de 1 a 25, cujas dezenas já estão determinadas.
Exemplos: Grupo 1 = dezenas 01, 02, 03 e 04; --- Grupo 25 = dezenas 97, 98, 99 e 00.
Escolha um grupo ainda disponível! O vencedor será determinado pela Loteria Federal em
02/09/2006. Inscreva-se ATÉ às 18 h do dia de sorteio, e
BOA SORTE!

publicado no NPN às 01:40              Comments:                 Halo


Quarta-feira, Agosto 30, 2006


PROMOÇÃO NPN 40: RESULTADO
A dezena vencedora, na extração de hoje da Loteria Federal,
é a do 2º prêmio, 84, do grupo 21, escolhido por

McMUT!
NOSSOS PARABÉNS!

publicado no NPN às 23:38              Comments:                 Halo



A obsolescência das coisas...

Então é assim, ó...
Deve ter uns três anos que eu comprei essa coisinha que me acompanha incansavelmente 24 horas por dia. Eu só queria um aparelho que fugisse do tijolão e que tivesse um bom funcionamento para as seguintes funções: fazer/receber ligações, enviar/receber mensagens de texto, despertador, e agenda telefônica. Apaixonei-me pelo pequeno objeto assim que o vi na vitrine da revenda.
Eu não precisava de um celular caro, e esse era bonito e quase barato!
Ele não era o celular mais barato da loja e nem chegava perto de ser o mais caro, ele não era o modelo ultra-mega-master-blaster-top-de-linha. Porém, para mim - na época uma mera técnica "registrada" como estagiária (ou seria melhor dizer "disfarçada" de estagiária), fazendo faculdade de engenharia (numa universidade pública, porque eu jamais teria dim-dim para pagar um curso de engenharia numa PUC ou qualquer outra faculdade particular) - era um pouco caro, até porque eu costumo valorizar o meu suado dinheirinho, mas eu comprei. E o celular saiu até barato, porque eu já era cliente da operadora há um bom tempo. Aí, entrou o tempo de fidelidade à tal operadora, o celular antigo (que não refrescou muita coisa) mais o cartão de crédito que parcelou o tão desejado aparelhinho pequenininho, levinho, bonitinho... em quatro módicas parcelas. Parcelas estas que eu paguei direitinho, religiosamente nos 4 meses que se seguiram, consumidora honrada e correta que sou.
E ele agüentou firme e forte - ok, nem tão firme assim, porque a bateria arriou rapidinho - mas ele agüentou esses três anos!
Tudo bem... agora que ele começou a dar problemas eu até pensei em trocá-lo. Mas não estou disposta a pagar muito mais por um outro aparelho.
No horário de almoço, saí, bela e formosa, pelo shopping disposta a dar uma pesquisada nos preços. Têm celulares relativamente baratos e que não parecem deixar a desejar. Tem também aqueles que custam os dois olhos da cara e que fazem de tudo um pouco... a gente pode até fazer e receber ligações com eles!!! Mas esses em nada me interessam, eu quero apenas um aparelho que funcione direitinho, não precisa tirar foto, acessar a internet, lavar, passar... não, mesmo!
Aí... gostei de um razoavelmente barato e pensei cá com meus botões: Considerando o tempo que eu trabalho com essa operadora mais o valor deste aparelho antigo vou ter que desembolsar muito pouco... Vamos ver quanto sairia...
- Moço! - chamei o vendedor.
- Pois não, senhora!
(começamos mal... mas releve, releve!)
- Vê aí para mim, por favor, quanto sai este aparelho no plano "x", eu quero manter esse mesmo número e dar esse aparelho como parte do pagamento.
Ele fez as contas, mexeu no meu celular, acessou o sistema e pronto:
- Sai por "XXX", senhora.
- Como assim? Só isso de desconto?
- É senhora, eu consigo "xx" pelo tempo que a senhora é cliente e mais "xx" pelo aparelho antigo.
- O quê? Só isso pelo aparelho antigo?
- É senhora, é que esse aparelho já é obsoleto há muuuuuito tempo!
- Há muito tempo quanto? Eu paguei caro por esse aparelho aqui não faz nem três anos, e ele nem veio com prazo de validade inscrito na embalagem, e ninguém me disse que ele teria a validade vencida tão rápido!
- Mas hoje é assim, senhora, a cada mês sai um monte de aparelho de linha, tudo fica obsoleto muito rápido, senhora!
(É, inclusive eu... para ser chamada de senhora por um rapaz que deve ter no máximo uns 4 anos a menos que eu!!!)
- Tá, e qual é o prazo de validade desse aparelho aqui que eu estou querendo?
- Como assim, senhora? Celular não tem prazo de validade!
- Ah, na hora de vender não tem né? Vou perguntar diferente: Qual o tempo útil desse aparelho para a loja (porque para mim ele vai ser útil por bem mais tempo), quanto tempo eu vou poder usá-lo antes dele atingir a obsolescência?
- Atingir o que, senhora?
- Humpf! Até quando eu posso vir aqui para trocá-lo em tempo de vocês me pagarem um valor justo por ele?
- Na verdade, não tenho como estabelecer isso...
(Ah é, sério?)
- Mas a senhora vai levar o aparelho não vai?
- Não, não vou não. Só vou trocar o meu quando puder comprar um com prazo de validade estipulado na embalagem. Tchau, moço, obrigada!

Credo! Será que eu é que estou atingindo a obsolescência?
Pensando bem meu celular está ótimo ainda. E eu acho até bom que a bateria acabe rapidinho porque assim eu vou poder trabalhar sossegada sem que ele fique tocando incansavelmente o dia inteiro!

Tenham um bom dia!
Postado por Anna

publicado no NPN às 09:55              Comments:                 Halo


Terça-feira, Agosto 29, 2006


Amigos, mais uma salada de frutas.

PLUTÃO - Nunca tive grandes afinidades com esse planeta que agora foi rebaixado para a segunda divisão da Astronomia. No entanto devo confessar que fiquei com saudades da idéia que eu tinha de que ele fazia parte do Sistema Solar. Acredito que os plutonianos devem estar arrasados, algo mais ou menos parecido com o que sentimos quando voltamos da Copa do Mundo da Alemanha. Nus com as mãos nos bolsos. Um viva para Plutão!

ÉTICA - Parabéns aos artistas que estiveram presentes na reunião com o Lula na casa do Gilberto Gil. Fiquei aliviada ao saber que, ao contrário do que eu supunha, o legal é roubar e ter as mãos sujas. Isso é apenas um detalhe perto da grandiosidade dos objetivos maiores. Um viva especial para o ator José de Abreu que fez um brinde aos três Josés larápios.

LUTO - Angelina Jolie e Brad Pitt vão se separar, dizem as más línguas. O mundo nunca mais será o mesmo depois do rebaixamento de Plutão e dessa notícia.

MENINOS CUIDADO!! - Alguns de vocês já sabem dessa história, mas tomei conhecimento através do blog do Donizetti de uma página chamada "Não Saia com ele" em que as mulheres detonam os ex que elas consideram canalhas. Em um primeiro momento achei a idéia engraçada, mas depois refletindo melhor constatei que é uma grande sacanagem. Ninguém tem o direito de sujar a imagem de ninguém. O canalha para uma pode ser o grande herói para a outra. De qualquer forma, fica aqui o aviso aos meninos: "SORRIA BEM BONITINHO PORQUE VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO".

SÍNDROME DE ESTOCOLMO - Uma menina austríaca foi seqüestrada aos 10 anos em 1998. Após 8 anos de cativeiro, enganou o seu algoz, fugiu, retornou para casa em um primeiro momento, mas agora não quer mais saber da companhia dos pais. De acordo com exames médicos, ela está gozando de boa saúde, não parece estar traumatizada e sente carinho por esse homem a quem ela chama de "Meu amo" ou "Meu Senhor". O tarado ao constatar que a garota não estaria mais em sua companhia acabou se suicidando. Pergunto eu a vocês: como teriam sido esses 8 anos? Como serão os próximos anos da vida dessa moça?

PRÁ TERMINAR - Alguns de vocês também já tomaram conhecimento do assunto, mas soube através do blog do excelente Marconi Leal (post O menino e o jumento) a incrível história de um menino de 5 anos que foi chamado pela (in)Justiça de São Paulo para prestar depoimento a respeito de um crime que ele teria cometido quando tinha apenas... 3 aninhos. Como ele é filho de pedreiro, tudo bem. Se fosse uma "otoridade" tava limpo. Um viva para o nosso Brasil!!


Beijocas

Yvonne

UPDATE: Não linkei a página dos canalhas porque depois de postar e conferir se estava tudo certinho, apareceu um problema e eu não quis arriscar.

publicado no NPN às 07:07              Comments:                 Halo


Segunda-feira, Agosto 28, 2006


Bom dia!!!

Ano de eleição...pra vcs, uma reflexão do João Ubaldo Ribeiro...vamos pensar nisso, meus amigos!! Fome por que?

Beijos

Tatoo



Mesa farta para todos

João Ubaldo Ribeiro



Leio no Guinness que o francês Michel Lotito, nascido em 1950, come metal e vidro desde os 9 anos de idade. Um quilo por dia, quando está disposto. Informa-se ainda que, de 1966 para cá, ele já comeu dez bicicletas, um carrinho de supermercado, sete aparelhos de televisão, seis candelabros e um avião Cessna leve - este ingerido em Caracas, embora o livro não revele por quê. Sim, e comeu um caixão de defunto, com alça e tudo, a fim de garantir um lugar na História como o primeiro homem a ter um caixão de defunto por dentro, e não por fora.

Se é chute, não sei, mas não deve ser, levando em conta o rigor do Guinness. E esse tipo de coisa é menos raro do que se pensa. Nunca participei de comilanças de cacos de telha ou de torrões de barro, mas muitos amigos meus, na infância; às vezes traçavam até um tijolinho. E um outro amigo, poeta etíope que conheci nos Estados Unidos, me contou que, na tribo dele, os Galinas, todas as famílias tinham pelo menos um maluco, de quem se orgulhavam muitíssimo, porque maluco é visto como uma pessoa superior. Na sua própria família, havia diversos, embora um primo fosse favorito, pelo seu alto nível.

- Qual é a maluquice dele?

- Ah, ele come qualquer coisa. Você bota um troço na frente dele, ele pergunta se é para comer, você diz que é e ele come. Ele come comida normal também, mas se, depois de ele esvaziar o prato, você diz que pode comer o prato, ele come o prato. Come pneu, chifre, couro, madeira, qualquer coisa, nunca decepcionou.

Um certo Dr. Buckland, inglês do século XIX, ficou, digamos, famoso por sua determinação em comer amostras de todo o reino animal. Morava perto do zoológico de Londres e, quando um animal adoecia, entrava em prontidão. Se o bicho morria, ele comia e dizem que, certa feita, durante uma ausência dele, um leopardo morreu e ele, ao regressar,. não vacilou: desenterrou o leopardo e comeu um filezinho. Afirmava que o pior sabor era o da toupeira, mas depois mudou de idéia, porque achou a mosca-varejeira pior.

Em algum lugar do mundo ou outro (geralmente a China não há quem tenha ido à China e não traga uma história culinária provocante), são itens do passadio, ou finas iguarias, lagartas, larvas, sangue fresco, banha derretida, gafanhotos, ovos de cobra com cobrinhas dentro, caça em decomposição, fígado de foca cru, baba de andorinha, ovo podre e assim por diante. Para não falar nos esforços de cientistas mais ou menos renomados, que se bateram seriamente contra os tabus alimentares. Mero preconceito, manter excelentes fontes de proteína escandalosamente ignoradas, a exemplo de ratos, baratas e gente morta de causas não contagiosas, como propôs outro inglês, cujo nome agora esqueci. Na Bahia, não faz muito tempo, apareceu um japonês com amostras de vinho de - como direi? - é isso mesmo, vinho de cocô. Segundo ele, era coisa da melhor qualidade, da mesma forma que bife de cocô, cuja tecnologia ele já dominava. Depois de higienizado e processado, o bife, garantia ele, era mais nutritivo e gostoso do que muita picanha aí. Besteira desperdiçar tanta comida boa por causa de uma ojeriza sem fundamento científico.

Por aí vocês vêem as dificuldades que o povo causa. Se fôssemos um povo de mente mais aberta, não existiria o problema da fome, que tantos embaraços traz aos nossos governantes em conferências internacionais. Temos ratos, baratas, piolhos, capim (outro japonês sugeriu capim, que também dá um bife de truz), temos tudo em abundância, notadamente a matéria-prima daquele vinho. Meu único receio é que, se der certo. tabelem o rato, a barata e o capim, cobrem IPI e ICM de todo mundo que for ao banheiro e regulamentem a captura de moscas com fins alimentícios. Mas vamos ter fé nos homens. Talvez eles livrem a cara do pequeno produtor, o que já é um grande passo e mostra sensibilidade para com os problemas da maioria do bravo povo brasileiro. Agora, sem boa vontade para colaborar e aceitar alguns pequenos sacrifícios, não se resolve nada.


Texto publicado na revista "Veja - Paulista", Editora Abril, São Paulo, edição do dia 21/10/1992, encontrado nos "Arquivos Implacáveis" do amigo João Antônio Bührer, do blog "Grafolalia".



publicado no NPN às 10:31              Comments:                 Halo


Domingo, Agosto 27, 2006


SEMANA ExEPES:
DOIS ANOS BLOGANDO!
Hoje, o extinto ExEPES faria dois anos. Em homenagem ao falecido,
a Promoção NPN terá um sorteio na quarta-feira e outro no sábado.

PROMOÇÃO NPN 40: SORTEIO DE CD
(REGULAMENTO)


SINATRA
ROYAL FESTIVAL HALL
Entre abril e junho de 1962, Frank Sinatra deu 30 concertos
numa tourneé mundial. No melhor de sua forma e na fase mais
jazzistica de sua carreira, foi gravado este concerto no Royal
Festival Hall de Londres, no dia primeiro de junho.
Sinatra cantou 30 músicas em mais de 95 minutos.

CD 1
1. Introduction By David Jacobs / Goody, Goody 2. Imagination 3. At Long Last Love 4. Moonlight In Vermont 5. Without A Song 6. Day In Day Out 7. The Moon Was Yellow 8. I've Got You Under My Skin 9. I Get A Kick Out Of You 10. The Second Time Around 11. Too Marvelous For Words 12. My Funny Valentine 13. In The Still Of The Night 14. My Blue Heaven 15. April In Paris
16. You're Nobody Till Somebody Loves You

CD 2
1. Tea Break 2. They Can't Take That Away From Me 3. All The Way 4. Chicago 5. Night And Day 6. Autumn Leaves 7. I Could Have Danced All Night 8. One For My Baby 9. A Foggy Day 10. The Lady Is A Tramp 11. Ol Man River 12. You Make Me Feel So Young 13. Nancy 14. Come Fly With Me

INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UM grupo, de 1 a 25, cujas dezenas já estão determinadas.
Exemplos: Grupo 1 = dezenas 01, 02, 03 e 04; --- Grupo 25 = dezenas 97, 98, 99 e 00.
Escolha um grupo ainda disponível! O vencedor será determinado pela Loteria Federal em
30/08/2006, escolha ATÉ às 18 h desse dia, e BOA SORTE!

publicado no NPN às 22:30              Comments:                 Halo


Sábado, Agosto 26, 2006


PROMOÇÃO NPN 39: RESULTADO
A dezena do 5º prêmio na extração de hoje da
Loteria Federal, é 84, do grupo 21, escolhido por

SANDRA!
NOSSOS PARABÉNS!

publicado no NPN às 21:51              Comments:                 Halo


Sexta-feira, Agosto 25, 2006


MISCELÂNEA


Miscelânea traz mais um BUNDAS DE FORA:
Espaço onde estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós.
O nome refere-se a alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde
fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando.



Amigos, enviei para algumas pessoas uma bonita crônica do Manoel Carlos,
autor de novela, a respeito dos cinqüenta anos. O nosso querido Manoel
Carlos, do Agrestino, me enviou um comentário que eu não podia guardar
só para mim e por essa razão, gostaria de dividir essa delícia com vocês.
Vejam que maravilha.
Beijocas
Yvonne



CINQÜENTONA
por Manoel Carlos, autor de novela


Minha amiga Sylvia fez 50 anos e deu uma linda festa para os amigos. Brigadeiros,
casadinhos, olhos-de-sogra, além de salgados e bebidas à vontade. E no centro
da mesa, iluminado por cinqüenta velinhas, um colossal e saboroso bolo de
aniversário. Ah, e também, claro, com direito a um coro de muitas vozes cantando
"Parabéns pra Você".

- Que coragem - brincou o Zé Mário, nosso velho companheiro das noitadas de
pôquer.
Sylvia rebateu em cima:
- Por que? Acha que ainda escondo a minha idade? Já superei isso, meu caro.
- No seu caso não é esconder - continuou Zé Mário - Pra que declarar, se você
aparenta menos?
- Mas é justamente por isso que sinto tanto prazer em revelar minha verdadeira
idade. É para ver as pessoas admiradas. Meus 50 anos não são um peso, mas
um prêmio, um troféu, uma tocha olímpica que carrego com orgulho pela vida
afora. Que é que você pensa? Sou uma cinqüentona e ainda bato um bolão!

E, nesse clima de feliz comemoração, varamos a noite, o champanhe gelado, o
vinho rubro. E não é preciso dizer que a aniversariante reinou o tempo todo,
dançando sem parar, nocauteando homens até dez anos mais novos do que ela.
Como o seu próprio marido, o terceiro, que no sábado próximo estará completando
41 anos.

Sei que nem todas as mulheres são Sylvia. E que, para ser como ela, é preciso
muita vontade, algum sacrifício e uma boa dose de herança genética.
Mas o mais necessário mesmo é a disposição para a felicidade e a certeza de que
sempre, sempre estará em tempo de viver uma vida produtiva. De qualquer maneira,
mesmo as que não são Sylvia se sentem hoje mais livres do que nunca desse
estigma que por décadas marcou todas elas e produziu um repertório imenso de
piadas infames e cruéis: diminuir a idade. Concluí que hoje em dia as mulheres de
50 não têm mais do que 30! Verdade. Muitas das minhas amigas já passaram
dessa marca e nunca se sentiram tão bem.

Em 1980 escrevi alguns programas da série Malu Mulher para Regina Duarte.
Num deles, Malu comemorava 33 anos. Dei a esse episódio o título "Antes dos 40,
depois dos 30", colocando esse período de dez anos como o mais positivo na vida
de uma mulher. Seu tempo de felicidade. Bem, isso foi em 1980. Vinte e cinco anos
atrás. Hoje eu não escreveria essa história. Hoje sei que uma mulher pode ser feliz
para sempre, levantando-se a cada tombo. Em sua maioria, elas já não entram em
crise por causa da idade. Claro que não querem envelhecer. Ninguém quer. Mas
esse não querer não está ligado apenas à aparência, mas à saúde, à boa
disposição para enfrentar o dia e... - sem nenhuma dúvida - à certeza de que não
existe idade que as impeçam de amar, ser amadas. E de ainda fazer bonito entre
os lençóis de uma cama. Sylvia, por exemplo, tem tudo para botar um garotão
com a língua de fora, sôfrego, cansado, pedindo um tempo.

Eu me lembro de uma vizinha, quando eu era criança, que, quando foi subitamente
abandonada pelo marido, provocou em minha mãe esta frase:
"Pobre Dolores! Sozinha aos 50 anos! O que vai ser dela agora?".
A consternação da minha mãe traduzia o que se pensava de uma mulher que
tivesse ultrapassado a marca dos 25, 30 anos no máximo. Uma velha. Não sei o
que aconteceu com a pobre Dolores, mas acredito que tenha arrastado por toda
a vida a amargura e a desesperança. Atualmente, uma separação aos 50 anos
pode ser o começo de um novo tempo, muitas vezes melhor, mais feliz do que o
anterior. Sem contar que, nos dias de hoje, um casamento que vai mal das pernas
não dura até a mulher chegar aos 50. Acaba antes, já que elas não carregam uma
vida infeliz por muito tempo.

Nas minhas novelas procuro retratar as mulheres maduras, essas que já passaram
dos 40. São elas que têm as melhores histórias para contar, as confissões mais
tocantes, as lembranças mais ternas, os episódios mais picantes. Que ainda
sofrem e choram, sim, mas que não sofrem nem choram para sempre. E que,
quando fazem 50 anos, dão festa, convidam os amigos, apagam as velinhas e
fazem coro em causa própria, cantando o Parabéns pra Você!

Por isso digo e repito: bem-aventuradas as cinqüentonas! As que se renovam a
cada dia, a cada instante, e que podem renascer incessante e indefinidamente,
repetindo os versos de Cecília Meireles:
"Aprendi com a primavera
a deixar-me cortar
e a voltar sempre inteira."




RESPOSTA DO NOSSO AGRESTINO

Yvonne, esta crônica me faz pensar...
Outro dia eu subi uma ladeira que não subia há mais de quinze anos e, sem
perceber, eu subi quase no mesmo ritmo e na mesma velocidade que subia
há mais de quinze anos, fiquei ofegante, coisa que não acontecia antes.
Tenho cinqüenta e cinco anos e talvez eu esteja fora de forma, mesmo
assim, se e quando eu estiver com noventa anos, certamente não
conseguirei subir a ladeira da mesma maneira; será que quando eu tiver
noventa anos e não puder, por falta de energia, fazer algumas coisas que
faço atualmente eu deverei me conseiderar menos homem?

Outro dia eu discuti (amistosamente, é claro!) com minha filha mais velha.
Foi antes de meu primeiro neto, filho dela, nascer. Eu dizia que me sentia
bem em me tornar avô, pois já estou velho e é natural e próprio de minha
idade ser avô e não ser pai, embora não tenha restrição a casamentos entre
pessoas de faixas etárias muito diferentes, no meu caso, com raras
exceções, sempre fui atraído por mulheres de minha idade e minha mulher é
um ano mais nova do que eu. Na discussão, minha filha me disse que eu não
era velho, pois tenho espírito jovem. Eu discordei. Disse-lhe que sou velho,
de idade e de espírito. Sou um velho progressista que aceita mudanças e
convive com diferenças; conheço jovens retrógrados e reacionários. Mesmo
assim, eles são jovens e eu sou velho. Eu não sei bem o que quero dizer, não
sei bem a que ponto quero chegar, apenas sinto que, na crônica há uma
associação entre vitalidade e qualidade, não qualidade de vida, mas à
própria qualificação da pessoa.

Acredito (ou talvez fosse mais apropriado dizer que é um sonho) na
biotecnologia e no uso democrático dela, portanto, acredito que, aos cento e
poucos anos de idade, eu terei a vitalidade de muitos setentões atuais,
mesmo assim não poderei fazer coisas que jovens de vinte e cinco anos de
idade fazem atualmente, ou talvez as faça de forma diferente; nem sei bem
com conviverei com tais restrições ou adaptações, mas pretendo não me
considerar menos gente, menos homem, nem ser menos realizado e feliz.
Não me pergunte como, pois não saberia responder.

De qualquer forma, convido-a para minhas bodas de brilhante e aposto um
doce de jaca cristalizado, que você trará do Espírito Santo, como dançarei
com Sílvia, minha mulher. Gostaria de dizer que dançaremos um frevo, mas
temo perder a aposta.

Fraterno abraço.
Manoel Carlos

publicado no NPN às 08:26              Comments:                 Halo


Quinta-feira, Agosto 24, 2006


MUDANDO DE ASSUNTO

Para amenizar um pouco os temas dominantes no blog, nestes últimos posts
(ausência de compaixão, prostituição, violência...), pensei que um pouco de
poesia chegaria bem. Esqueçamos por alguns instantes a corrupção, a
violência, a degradação moral da sociedade, e penetremos no mundo da poesia. .
A Anna já se antecipou, mas uma lida em mais alguns poemas não nos
fará mal.

Fui dar uma olhada em Bertold Brecht (1898-1956), pra ver se nos afasta
do pessimismo.
Dirá o leitor: "Escolheu mal, tesco. Brecht era um contestador e sua poesia tem
uma conotação social forte".
Calma, Brecht também escreveu coisas jocosas. Como esta:

"O LOBO VISITOU A GALINHA
(tradução: Paulo César Souza)

O lobo foi à galinha.
E disse: precisamos nos conhecer bem.
Conhecer bem, apreciar bem.
A galinha apreciou.
A galinha foi com o lobo:
Por isso há tantas penas no campo. Ho ho.

A luz foi ao óleo.
E disse: precisamos nos conhecer bem.
Conhecer bem, apreciar bem.
O óleo apreciou.
O óleo foi com a luz:
Por isso o céu está tão vermelho.

O senhor foi à donzela.
E disse: preisamos nos conhecer bem.
Conhecer bem, apreciar bem.
A donzela apreciou.
A donzela foi com o senhor:
Por isso o corpete está tão apertado. Ho, ho."


Epa! Tem razão, caro leitor. Errei! Não é nada jocoso, é sarcástico!
E faz-me lembrar de políticos que dizem uma coisa e fazem outra.

Tentemos outro poeta. Que tal Federico Garcia Lorca (1898-1936), um
dos maiores poetas da língua espanhola?

"CHAGAS DE AMOR
(tradução: Floriano Martins)

Esta luz, este fogo que devora
Esta paisagem sombria que me rodeia
Esta dor por uma única idéia
Esta angústia de céu, mundo e hora

Este pranto de sangue que decora
lira já sem pulso, lúbrica teia
Este peso do mar, que me golpeia
Este escorpião que no meu peito mora

São grinalda de amor, cama de ferido
onde sem sonho, sonho com sua presença
entre as ruínas do meu peito oprimido

E mesmo que busque o auge da prudência
dá-me teu coração um vale estendido
com cicuta e paixão de amarga ciência. "


Melhorou, não? Lírico mas ainda triste e amrgurado.
Recorramos então à fonte mesma do lirismo: Francisco Petrarca (1304-1374).
Afinal, o criador da forma soneto, não deve nos decepcionar em matéria de lirismo.

"Dos poemas à morte de Laura
(tradução: Jamir Almansur Haddad)

Quanta inveja me dás, avara terra
Por abraçá-la e deixar-me tolhido
Da visão de seu vulto assaz querido
E onde paz encontrou a minha guerra.

Invejo o céu que no seu seio encerra
E tão cupidamente há recolhido
O espírito da carne desprendido.
E ele para outrem raro se descerra!

Invejo as almas que ora tem por sorte
A sua companhia tão querida
E que eu sempre busquei com tanta flama.

Invejo a impiedosa e aura morte
Tendo levado co'ela a minha vida
Que estava nos seus olhos, não me chama! "


Por demais trágico. Bem, o poeta está chorando a morte da amada, não
podemos censurá-lo.
Então, vamos apelar para um poeta conterrâneo. Vejamos então, o que nos
reserva Chico Doido de Caicó (1922-1991):
.
"- Compadrim meu
Existe coisa melhor do que farinha com rapadura?
- Existe, homem: mulher nova, borogodosa e cheia de quentura,
meu compadrim."


Agora sim, estamos conversados!

Abraço do tesco

publicado no NPN às 01:33              Comments:                 Halo


Quarta-feira, Agosto 23, 2006


Bom dia!
Quem nunca teve um dia de angústia, um momento de dúvida, um pouco de insegurança, uma vontade de chorar sem nem saber o motivo que atire o primeiro lenço de papel!
Anna


Angústia

Angústia...
Aperto no coração...
Medo sem saber bem de quê
Será que sigo a razão?
Ou dou ouvidos ao coração?

Uma sensação ruim
Como se tivesse chegado ao fim
E como não sei colocar ponto final
Fico à espera de um sinal

Vontade de ficar no escuro
Longe de todo mundo
Colocar uma música bonita
Pensar na própria vida

Mas o pensamento se perde
Vai parar nos lugares mais estranhos
Recorda os sentimentos mais doloridos
E a troco de quê?

Sensação de impotência
Sentimento de negligência
Sentindo-me diminuída
Sabendo-me desprotegida

Ausência de calor
Escassez de amor
Seguindo a razão
Fugindo do coração

Sensação de fraqueza
Ao mesmo tempo de tristeza
Vontade de fazer parar o mundo
Nem que seja por segundos

Desejo de saber o que virá
Que sorte a vida me reservará?
Alguma coisa que possa ajudar
A decidir o rumo que deverei tomar

O tempo passa
O sono vence
E mais uma noite se vai
Um novo dia começa
Estou de novo no presente

Porque assim é a vida
Feita para ser vivida
Dia após outro
Com alegria, nem que seja só um pouco

E se cada um é responsável por aquilo que cativa
Não tenho muita alternativa
Seguirei o meu caminho
Lhe darei o meu carinho
Buscando a felicidade
Tentando sufocar aquela saudade

Postado por Anna

publicado no NPN às 08:21              Comments:                 Halo


Segunda-feira, Agosto 21, 2006


Rompendo o silêncio - Blogagem coletiva



Amigos, a Laura do Blog Caminhar, sugeriu blogagem coletiva a respeito da violência. Como é um assunto que diz respeito a todos nós, vou participar com muito prazer, ou seria desprazer? Lá vai:


A história do ser humano é a história da guerra e da barbárie. Existem povos mais pacíficos, outros mais guerreiros, mas todos eles, de um jeito ou de outro, são compostos por algumas pessoas com alto grau de violência. Infelizmente não podemos dizer que o mundo de hoje não está bom, que antigamente era melhor, porque isso é uma inverdade. Sempre fomos truculentos.
Gêngis Khan invadiu uma cidade uma vez e matou todos os habitantes. Não deixou escapar sequer os animais domésticos, dizimou todos, não deixou nem os passarinhos. Os povos europeus sempre foram extremamente violentos, fizeram um verdadeiro estrago nas colônias africanas. As maldades que os belgas fizeram no ex-Congo Belga foram um horror. Estou citando os belgas porque estes foram inexpressivos se comparados aos espanhóis, portugueses, franceses e ingleses. Os doces holandeses, tão fofos atualmente, foram brutais com os nativos da África do Sul. Todos foram tiranos, em maior ou menor escala.
No entanto, eles, os europeus, costumam comer sardinha e arrotar bacalhau. Sei que existe a ONU e que o mundo progrediu bastante em termos de zelo pelos direitos humanos, mas a coisa ainda está muito longe de ficar boa, como vocês bem sabem. Os europeus ficam perplexos demais com a violência na América do Sul, no Oriente Médio, no extremo Oriente, mas não olham para o próprio rabo e para o próprio espelho. Se olhassem, o mundo pararia porque eles iriam ficar pelo menos dez anos chorando copiosamente.
Analisando o Brasil, eu fico pasma de ver como somos extremamente pacíficos sob determinados aspectos. Não discriminamos povo algum, religião alguma e, de certa forma, digamos assim, raça alguma. Sei que o racismo em nosso país é forte, mas não temos o hábito de matar uma pessoa pelo simples fato dela ser negra. Por razões históricas, existem muito mais negros pobres e miseráveis do que brancos. As favelas são basicamente habitadas por negros e são esses negros, em sua grande maioria, que acabam fazendo parte de quadrilhas. Logo, quando um PM mata um negro, ele não está matando "um negro" e sim "um bandido". Vejam bem, não estou dizendo que vale a equação NEGRO = BANDIDO, estou apenas tentando comentar o que é que eu imagino que o PM pensa. Não sou socióloga. Existe uma lógica cruel que faz com que um policial seja mais duro com um negro do que com um branco.
Vocês hão de concordar comigo que nós não temos o hábito de sair por aí matando pessoas que possuem alguma característica que nos é desagradável, somos muito pacíficos e abominamos qualquer tipo de violência da espécie. O nosso país, com uma população muito simpática, recebe qualquer um de braços abertos e de maneira carinhosa, não discriminamos judeus, árabes, orientais ou qualquer outro povo. Li uma vez que quando a mãe do Gerald Thomas chegou ao Rio vinda da guerra (ela é judia), sem um centavo, apenas com a roupa do corpo, ela se agachou e beijou o chão, tal qual o falecido Papa. Ela sabia que não ia mais passar por tudo aquilo novamente. Se mudou para São Paulo, uma cidade que recebe muito bem qualquer um e felizmente refez a vida dela. Histórias como as dela, existem milhões, inclusive a do meu próprio pai.
Com tudo isso, eu pergunto porque temos tanta violência no Brasil? Quem são essas pessoas que matam por nada? Porque sabemos respeitar o direito de um albanês viver em paz em nossa terra e não pestanejamos duas vezes antes de matar alguém por causa de dez reais na carteira? Por toda a minha vida, eu praticamente só conheci pessoas generosas e que amam o próximo. Tirando um ou outro pão duro e aqueles sem nenhum caráter que infelizmente aparecem vez por outra, só conheci gente muito legal. Então porque matamos? A grande maioria dos favelados é de gente maravilhosa que divide o pouco que tem. São pessoas que sonham com um mundo melhor, que batalham pelo dia a dia, que querem o melhor para os seus filhos. A vida é dura para eles, mas ainda assim, eles se recusam a deixar de sonhar. Infelizmente morrerei sem ver o mundo mais pacífico. É triste.
Beijocas
Yvonne

publicado no NPN às 23:49              Comments:                 Halo


Domingo, Agosto 20, 2006


PROMOÇÃO NPN 39 SORTEIO DE LIVROS
(REGULAMENTO)


QUEM CONTA UM CONTO
volume 2: Personagem

de GUILHERME CUNHA PINTO
MARCIA KUPSTAS
VIVINA DE ASSIS VIANA
IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
MÁRIO PRATA

Cinco autores escrevem cinco contos sobre uma só personagem. Veja como uma personagem com as mesmas características, adquire personalidade diferente nas mãos de cada autor.


DE OLHO NA TERRA
de CELITO MEDEIROS
Ficção infanto-juvenil sobre um contato imediato de terceiro grau.



A MULHER E O SIGNO
de VINÍCIUS DE MORAIS
Brincadeira poética do Poetinha sobre a personalidade feminina
ditada pela astrologia.



INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UM grupo de dezenas, de 1 a 25. As dezenas são fixas para cada grupo.
Escolha um grupo que ainda esteja disponível!
O vencedor será determinado na extração da Loteria Federal de 26/08/2006,
Escolha ATÉ às 18 h do dia 26/08, e
BOA SORTE!

publicado no NPN às 23:41              Comments:                 Halo


Sábado, Agosto 19, 2006


PROMOÇÃO NPN 38: RESULTADO
Na extração de hoje da Loteria Federal, só a dezena do 2º prêmio,
53, foi escolhida, e é do grupo 14, selecionado por

YVONNE!
NOSSOS PARABÉNS!

publicado no NPN às 22:14              Comments:                 Halo


Sexta-feira, Agosto 18, 2006


MISCELÂNEA


Amigos, a Yvonne pinçou pra nós, das suas leituras, esta crônica da Danuza,
publicada na Folha de São Paulo, no domingo, 06 /08.


DANUZA LEÃO
Anjos do Sol


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São levadas para perto de um garimpo e há um leilão para
ver quem serão os primeiros a ir para a cama com elas
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VOCÊ venderia sua filha de 12 anos para que ela fosse viver num fim de mundo, como prostituta (e escrava)? Pois há gente que faz isso, e mais do que se pensa.

Todos nós lemos nos jornais e vemos matérias na televisão sobre prostituição infantil, cenas passadas geralmente em Copacabana ou em praias do Nordeste. Nos horrorizamos, mas logo passamos para outro assunto. Mas outro dia vi um filme -"Anjos do Sol"- que me pegou na veia. Saí do cinema como se tivesse levado um soco na barriga e, não acreditando no que tinha visto, quis saber se o diretor não havia acrescentado um pouco de ficção à realidade.

Não, era tudo verdade; o roteiro se baseou em artigos publicados na imprensa, e das fontes consultadas destacou-se a série de reportagens de Gilberto Dimenstein publicadas na Folha, que depois virou o livro "Meninas da Noite". E soube, pelo próprio Gilberto, que a realidade era ainda pior.

"Anjos do Sol" é a história de uma menina de 12 anos, Maria, que vive num vilarejo perdido no interior da Bahia e é vendida por seu pai; aliás, é a segunda filha vendida. Maria faz o que seu pai manda: pega sua trouxa e sai de casa, com a mãe e as irmãs que olham ela indo embora, sem tentar impedir que ela vá; sabem que não adianta, é assim mesmo. Ela vai de canoa, até chegar a uma cidadezinha onde é colocada numa jaula em um caminhão, com mais seis meninas. Elas não se olham e não trocam palavra. São levadas para perto de um garimpo, e no dia em que chegam, há um leilão para ver quem serão os primeiros a ir para a cama com as recém-chegadas - carne nova, como são anunciadas.

No filme inteiro não há um olhar humano. São todos piores do que bichos, e é difícil acreditar que exista gente assim. Mas os créditos finais informam: estima-se que no Brasil existam mais de 100 mil menores prostitutas.

O presidente Lula, que disse uma vez ser o bingo pior do que a prostituição infantil (ah, Lula!), precisava ver esse filme, e não só ele. O problema existe, não podemos fazer nada a respeito, mas mesmo não podendo, temos que saber. Se todos soubermos, talvez um dia isso deixe de acontecer.

O filme não mostra uma só cena chocante, um só seio de fora, uma só transa repulsiva. Faz mais, pois não é preciso imagens para que a gente "veja" o que está acontecendo naqueles cubículos onde os homens entram um depois do outro, sem intervalo, para que o faturamento seja maior.

Durante o filme inteiro eu torci por um final feliz: quando ela tenta fugir, quando ela chega ao Rio. Afinal, alguma coisa de bom tinha que acontecer na vida daquela menina de 12 anos. Mas nada acontece, e nem assim deixei de torcer.

"Anjos do Sol" não é um filme baixo astral; é um filme denúncia, que poderia -e acho que no início era essa a idéia- ter sido um documentário; idéia que se mostrou inviável pois, entre outros problemas, as meninas, todas menores, não poderiam ter seus rostos filmados. Mas é tão verdadeiro como se fosse.

O filme não tem um final feliz, mas termina com um toque de esperança: é quando Maria toma nas mãos as rédeas de sua vida, e quando isso acontece, com qualquer pessoa, passa a haver a possibilidade de um futuro.

"Anjos do Sol" é o "Cidade de Deus" da prostituição infantil; aquela vida que a gente pensa que só existe no jornalismo denúncia, mas que é real. Um belíssimo filme.



P.S.: A seção ERRAMOS, da Folha de São Paulo, em 09/08 publicou a seguinte nota:

COTIDIANO (6.AGO, PÁG. C2)
O presidente Lula nunca disse "ser o bingo pior do que a prostituição", como foi publicado na
coluna "Anjos do Sol", de Danuza Leão. Em 18 de março de 2004, Lula afirmou em Recife que
"o que eu não posso, gente, é, em nome de gerar empregos, legalizar o crime organizado, a
lavagem de dinheiro. Não posso! Porque, se eu fizer isso, amanhã alguém vai pedir para o
governo legalizar a prostituição infantil em nome da criação de empregos. Eu não posso e
não vou fazer isso".

publicado no NPN às 01:31              Comments:                 Halo


Quinta-feira, Agosto 17, 2006


ALBORADA DE LA REVOLUCIÓN

Queridos leitores. estou lendo um livrinho (é livro de bolso, mas tem 600 páginas) sobre uma
conturbada época (e alguma não foi?) na China. Trata-se do relato do jornalista americano
Edgar Snow, sobre o período de 1928 a 1941, em que esteve baseado por lá.
alborada
O título do original, publicado em 1958, é "Journey to the beginning - A
personal view of contemporary history"
, mas o que leio é a versão em
espanhol, "Alborada de la revolución en Asia".

Como é um livro pouco conhecido entre nós, e a essa altura, os fatos
interessam mais aos historiadores do que a nós, resolvi trazer para vocês
um episódio narrado nessa obra. O fato deve ter ocorrido no segundo
semestre de 1928, mas a situação não se modificou por décadas, então
poderia ter ocorrido em qualquer ano da primeira metade do século 20.

Pode parecer chocante, e o foi para Snow, mas, de qualquer maneira, é a visão
de um ocidental sobre a mentalidade oriental. Quem poderá dizer qual o padrão
correto?

Leiam e façam seu julgamento:


"Pouco antes de abandonar Xangai, estava eu na rua Bubblin Well, [...] esperando um taxi.
Súbito, ouvi uma grande gritaria de uma ruazinha transversal e corri a ver o que ocorria.
De um edifício brotavam chineses e grandes baforadas de fumaça. De repente uma roda
de chamas saiu disparada e vi que era um homem que estava a se queimar. Caiu
desmaiado quase a meus pés. Ninguém na multidão fez um movimento

Não podia fazer outra coisa a não ser envolvê-lo com a minha jaqueta de couro de camelo
e foi o que fiz: Lamentando-o, mas sem ter alternativa. O fogo se extinguiu rapidamente,
porém o homem ainda ardia. "Shui! Shui!", gritei; finalmente apareceu um cule
(trabalhador braçal, peão) com uma jarra. Derramei a água sobre a ruína que era o
homem. A multidão nos foi cercando e a conversa se tornou agitada. Os carros dos
bombeiros chegaram e uma ambulância levou o corpo, que ainda respirava.

Minhas mãos estavam apenas levemente feridas, mas a jaqueta jazia no chão, convertida
em negros farrapos. Quando um cule de riquixá (charrete para transportar uma ou duas
pessoas, e puxada por um homem) me pediu, joguei-a pra ele. Então o cule que havia
trazido a água me puxou pela manga: "Pague-me a água, senhor, pague-me a água!".
Com desgosto me desprendi dele. Dinheiro por trazer água para derramá-la num homem
que queimava!

Uma meia dúzia me seguiu gritando "Kumshai!" (Esmola!). Entre eles estava o
homem que me tinha os restos carbonizados de miha jaqueta. Me aborreceu tanto que
lhe arranquei os trapos, insultei-o e insultei a todos. Soltaram gargalhadas e voltaram
as costas; segui caminhando, mas não em paz. Eles haviam perdido a dignidade,
mas também a humanidade a tinha perdido, pensei; eu era uma parte dela e naquele
momento a odiava.".


Abraço do tesco

publicado no NPN às 00:53              Comments:                 Halo


Quarta-feira, Agosto 16, 2006


Da série "Eu amo meu chefe!!!"

Ela havia notado que na última semana ele (seu chefe) conversava com ela cheio de ressalvas. Olhava para ela de uma maneira muito estranha.
Ficou um dia fora do escritório, quando voltou, na tarde de ontem, parecia ainda mais estranho.
Entrou na sala dela, deixou um documento sobre a sua mesa, mal conseguiu encará-la, não disse nem "boa tarde" como costumava dizer de maneira alegre. Largou o documento sobre a sua mesa e saiu num piscar de olhos.
Ela começou a ficar preocupada.
Em menos de 10 minutos, seu telefone tocou.
Era ele. Sério como nunca, mas ainda mais do que sério, ele estava ressabiado.
Pediu que ela fosse até a sua sala.
Ela foi.
Quando entrou, ele pediu para ela fechar a porta e se sentar.
Foi o que fez, apesar de ter ficado intrigada com o fato de ele tê-la mandado fechar a porta.
Sentou-se. Ele demorou um pouco olhando para ela antes de começar a falar.
Ela estremeceu da cabeça aos pés. Isso não era comum.
Começou perguntando se estava tudo bem com ela.
Respondeu que sim.
Disse-lhe que havia notado que ela andava um pouco triste.
Ela fez uma cara de interrogação.
Perguntou-me se ela estava gostando do seu trabalho.
Respondeu que sim.
(Apesar de não estar entendendo nada - pensou ela)
Ele recostou-se na sua cadeira, apoiou o cotovelo no braço da cadeira, apoiou a cabeça sobre a mão, olhou para ela com uma cara de pânico, como se estivesse prestes a lhe revelar uma bomba.
Ela sorriu, simpática, mas com o coração quase saltando pela boca.
E num fôlego só ele revelou:
- Se você quiser assumir o departamento "x", e claro, continuar coordenando o sistema de qualidade, estive pesquisando os salários de engenheiros dessa área e acho que posso te promover, se você quiser, claro, e te pagar um salário inicial "y" para começar, mas se você tiver alguma outra proposta podemos conversar também, porque eu gostaria muito de mantê-la aqui conosco, e eu sei que você deve estar cansada há tanto tempo sem férias, se você quiser, também pode pegar uns dias de férias agora... Então, o que me diz?
O que ela disse?
Ela quase deu um beijo no chefe!!! O "y" era simplesmente mais que o dobro do seu salário atual. E tudo o que ela queria era assumir o tal departamento.
Agora, precisava tanta tensão para lhe fazer essa proposta? Precisava?

Tenham um bom dia!
Postado por Anna

publicado no NPN às 08:52              Comments:                 Halo


Terça-feira, Agosto 15, 2006


Da obrigação de ser magra

    Amigos, a primeira vez que eu tomei conhecimento da Jennifer Lopez, foi quando eu vi o filme Selena, em que ela interpretou o papel da cantora que morreu assassinada por uma fã. Quase tive um troço e indaguei a Deus o motivo de ele ser tão injusto, ao fazer gente tão bonita, enquanto outros não têm a mesma sorte.

Jennifer_Lopez    Não gosto do rosto da JL, mas seu corpo foi um dos mais belos que já vi na vida e, de acordo com o meu conceito, é simplesmente perfeito: peitos na medida certa, sem barriga, cintura finíssima, quadris largos, bunda grande, coxas e pernas grossas. Para mim, esse é o ideal de beleza feminino. Eu sou uma mulher que não se sente diminuída ao ver mulheres bonitas, em especial as gostosonas como a Jennifer e a Juliana Paes, outra que acho esquisita de rosto, mas que tem um corpão para ninguém botar defeito.

    Pois bem, estava um dia desses entrando no quarto da minha filha e vi um vídeo-clipe em que aparecia uma cantora magrinha. Comentei com ela que a tal moça estava imitando a Jennifer Lopez. Para minha surpresa, minha filha me respondeu que aquela pessoa era a própria. Quase tive um colapso.

    Acredito que ela acabou se rendendo ao conceito moderno (em especial o americano), que diz que o ideal de beleza é a magreza total. Nada contra, a atriz Audrey Hepburn era bem esbelta e foi uma das mulheres mais charmosas que já vi na vida. Tudo nela era perfeito, delicado e elegante.

    Mas, ora bolas, porque a mulher cheia não pode ter o mesmo sucesso, sem que as pessoas não fiquem dizendo que ela está acima do peso? Marilyn Monroe, o maior símbolo sexual de todos os tempos, hoje em dia só compraria roupas em lojas especializadas, porque seu manequim era 46. Alguém pode dizer, de sã consciência, que aquela mulher era gorda?

    O que não falta é livro e artigo de revista que menciona o quanto essa paranóia é cruel e está fazendo com que um monte de meninas recorram à anorexia, para atingir aquilo que hoje em dia é estipulado como belo. Só que cada um é cada um. Os seres humanos são distintos entre si, mesmo os integrantes de um determinado povo, de um determinado país. Não somos produção em série de bonecas Barbie, todas com a mesma cara e corpo. Além disso, há gosto para tudo. Se as meninas acham que ficando magras demais terão todos os homens do mundo, elas podem estar cometendo um grande equívoco porque existem muitos deles que só gostam de mulheres carnudas, aliás, não são poucos.

    Não estou querendo enaltecer as cheinhas e diminuir as magrinhas. Muito pelo contrário, as magrinhas têm muita gente para defendê-las e dizer o quanto elas são belas. Já as cheinhas só encontram críticas. Todas nós mulheres somos bonitas. Algumas de uma lindeza que dói, outras com um olhar sexy, uma mão delicada, um jeito de falar especial. Sei lá, qualquer coisa que mostra que aquela pessoa é diferente.

    Tenho absoluta certeza de que muitos de vocês conhecem pelo menos uma mulher feia que nunca está sozinha. Ela tem sempre uma fila de homens prontos para ficar com ela. E o motivo desse sucesso, digamos assim, é que ela é especial sendo gorda ou magra, alta ou baixa, linda de rosto ou não. E, gente, o "ó" do borogodó não é um produto que se compra nas farmácias, infelizmente!

Beijocas.
Yvonne

publicado no NPN às 00:52              Comments:                 Halo


Segunda-feira, Agosto 14, 2006


Bom dias meus lindos!!!

Nesse dia de sol e calor, pra vcs uma lembrancinha do Cony!!

um beijo

Tatoo




O suor e a lágrima

Carlos Heitor Cony


Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa, quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora o mais quente deste verão que inaugura o século e o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.

Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica, de coro de abadia pobre, que também pode parecer o trono de um rei desolado de um reino desolante.

O engraxate era gordo e estava com calor ¿ o que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco, em parte para poupá-lo, em parte porque quando posso estou sempre de tênis.

Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e começou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor, que era abundante.

Com o mesmo pano, executou com maestria aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira, mas a todo instante o usava para enxugar-se ¿ caso contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.

E foi assim que a testa e a calva do valente filho do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio. Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente suados.

Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espantado, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.

Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado como lágrima.


O texto acima foi publicado no jornal ¿Folha de São Paulo¿, edição de 19/02/2001, e faz parte do livro ¿Figuras do Brasil ¿ 80 autores em 80 anos de Folha¿, Publifolhas ¿ São Paulo, 2001, pág. 319, organização de Arthur Nestrovski.


publicado no NPN às 11:20              Comments:                 Halo



PROMOÇÃO NPN 38
(REGULAMENTO)
SORTEIO DOS LIVROS


A LUZ DO ALÉM
de RAYMOND MOODY JR.
Pioneiro na divulgação do estudo científico das experiências de
quase-morte (Vida depois da vida), Dr. Moody nos traz novas
informações sobre EQM. Um dos capítulos do livro é
"Porque a EQM não é uma doença mental". .


AS SETE LEIS ESPIRITUAIS DO SUCESSO
de DEEPAK CHOPRA
Pode ser chamado de livro de auto-ajuda,
porém é antes de tudo,
um livro sobre as leis que governam nossas vidas.


NOITE NA TAVERNA
de ÁLVARES DE AZEVEDO
Amores proibidos com tons macabros compõem esta obra.
Cinco homens, ébrios e devassos, bebem e contam histórias numa taverna. Conversam sobre noites de embriaguez, mulheres e orgias.


INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UM grupo de dezenas, de 1 a 25.
As dezenas já estão determinadas para cada grupo.
Escolha um grupo que ainda esteja disponível!
A dezena vencedora será a do 5º prêmio da Loteria Federal de 19/08/2006.
Escolha ATÉ às 18 h do dia 19/08, e
BOA SORTE!

publicado no NPN às 03:17              Comments:                 Halo


Sábado, Agosto 12, 2006


PROMOÇÃO NPN 37: RESULTADO
Na extração de hoje, 12/08, da Loteria Federal,
a dezena do 5º prêmio não foi escolhida.
A do 4º prêmio, 48, é do grupo 12, escolhido por

CLARK KENT!
(Não tá errado não, ganhou de novo!)
NOSSOS PARABÉNS!

publicado no NPN às 20:32              Comments:                 Halo


Sexta-feira, Agosto 11, 2006


Amigos,

"Homens são de Marte, mulheres são de Vênus". Este é o nome de um livro que eu comecei a ler e logo depois parei porque, em que pese as primeiras páginas terem sido muito boas, tal livro não passa de mais um a falar coisas tipo auto-ajuda.
O que vem ao caso é mencionar uma diferença enorme no que diz respeito a homens e mulheres. As mulheres têm uma grande dificuldade de expressar aquilo que sentem, apesar de serem muito mais extrovertidas do que os homens. Infelizmente não dá para retrucar, é uma verdade pura e simples.
Pegando carona no filme "Uma mente brilhante", pude recordar o período que cursei Matemática na UFF. Essa época não foi uma das melhores da minha vida, devido a grande decepção que senti ao constatar o grande fracasso que foi a minha opção por esse curso. Para ser um bom matemático, em primeiríssimo lugar é preciso ter um atributo: o raciocínio abstrato. Apesar de não ser nenhuma burra e sempre ter tirado boas notas nessa matéria, o meu raciocínio é concreto. Daí a dificuldade que eu tenho de ler textos de pensadores e filósofos. Se quisesse fazer cálculos, eu teria que ter feito Engenharia, pois no curso de Matemática o mais sofisticado que se faz é 2x2. Vocês podem estar achando o que estou escrevendo um pouco fora de propósito e sem sentido, mas vou chegar lá.
Voltando a faculdade, uma das boas surras que eu tomei foi com Lógica Matemática. Pela primeira vez na vida, tirei um ZERO, aquilo foi muito doloroso para mim e machucou profundamente o meu ego. Nunca mais esqueci a única questão da prova que me derrubou: eu tinha que provar, lançando mão de universos paralelos, porque todo número multiplicado por zero é igual a zero. Universos paralelos são suposições mais ou menos inverossímeis que você lança mão quando não consegue achar nada no universo em que vivemos. A demonstração desse teorema é feita com 22 linhas ou passos.
Ao ver o personagem do filme anteriormente mencionado fazendo aqueles cálculos nos vidros das janelas, cheguei a uma triste conclusão: os homens dizem uma verdade em apenas uma única frase: "TODO NÚMERO MULTIPLICADO POR ZERO É IGUAL A ZERO", já as mulheres se utilizam de universos outros para dizer exatamente a mesma coisa, gastando para isso 22 linhas de um caderno.
A Matemática também nos dá outro exemplo: Quanto é dois mais dois? Quatro, responde um homem. Já a mulher diz o seguinte: "Considerando que ambos os números são racionais, inteiros e positivos, eu diria que, salvo alguma objeção em contrário, o resultado pode e deve ser um número racional, inteiro e também positivo. Tudo leva a crer que é quatro, mas estou aberta a ouvir seus comentários sobre o assunto."
Amigas, vocês devem estar furiosas comigo, fiquem tranqüilas porque eu também estou, mas é uma verdade. Nessas horas, eu me lembro de uma das frases ditas pelo meu marido praticamente em todas as vezes que a gente já brigou: "Dá para você voltar ao objeto da nossa discussão e deixar as divagações de lado?" Mais fula da vida eu fico, principalmente pelo fato de sermos dois arianos medindo forças.
Existem diversas outras diferenças que já fazem parte do anedotário mundial como uma simples ida ao shoping, a grande preocupação que nós temos em nos vestir para outras mulheres e a pior no meu conceito: as palavras "sim, não e talvez" que para nós mulheres têm um sentido peculiar e completamente distinto do homem.
As diferenças são gritantes em determinadas situações e isso não tem nada a ver com inteligência, cultura, opção sexual ou nível social. Não importa porque de qualquer forma, é uma maravilha saber que essas características distintas tornam a vida muito mais enriquecedora, já pensaram se todos nós fôssemos iguais?
E vocês têm alguma história interessante sobre o assunto?
Beijocas filosóficas (mas não muito)

Yvonne

publicado no NPN às 06:22              Comments:                 Halo


Quinta-feira, Agosto 10, 2006


ANULE O VOTO NULO

Corre uma campanha pela Internet, pregando o voto nulo nas próximas eleições.
Claro que isso já aconteceu em anos anteriores, mas a situação atual é tão
desalentadora, que é uma oportunidade muito boa para os desiludidos com a
política aderirem a essa campanha.

Dizem as mensagens que se mais de 50% do total de votos for de votos nulos,
o TSE será obrigado a convocar novas eleições num prazo de 20 a 40 dias.
E dizem mais ainda, que os partidos e coligações terão que substituir seus
candidatos por outros.

A verdade é que isso é uma grande balela.

Em nenhum parágrafo da legislação eleitoral consta essa suposta substituição
obrigatória de candidatos, e a anulação dos votos se refere aos votos obtidos de
maneira fraudulenta, pelos candidatos, os quais (votos) a princípio considerados
válidos, serão anulados pelos tribunais competentes.

Nenhuma eleição será anulada por causa do número de votos nulos, anulados
pelo eleitor no momento da votação. O que pode causar anulação de uma eleição
é um grande número de votos anulados pelos tribunais eleitorais, devido a votos
de origem fraudulenta ou a alguma outra ilegalidade.

Tanto é assim que a Constituição Federal diz em seu artigo 77, parágrafo 2º:

"§ 2º - Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido
político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os
nulos".


Vejam bem: "não computados os em branco e os nulos".
E nenhuma outra lei pode sobrepor-se à Constituição Federal.

Portanto, votar nulo para anular a eleição é participar um grande engodo.
Só quem se beneficia dos votos nulos são os corruptos, que têm seus votos
comprados garantidos, e os votos dos adversários honestos, diminuídos.

Quem sai anulado votando nulo, é o eleitor. Na oportunidade que tem para
expressar seu descontentamento perante a corrupção reinante na política, se
omite, o que é o mesmo que passar um certificado aos políticos, aceitando tudo
que fazem.

A questão não é sua simpatia ou antipatia por determinado candidato, ou sua
preferência por tal ou qual partido, ou sua escolha por determinado programa de
governo, o caso é bem mais sutil.

Trata-se de dar o seu aval ao quadro político atual, decorrentes de suas escolhas
nas eleições anteriores (se você votou, mesmo nulo).

Conscientize-se de que o seu voto é importante. De que sua opinião é muito útil.
Não é hora de dizer: "O que vier ta bom!". Você é decisivo na escolha.

Não anule seu voto. Faça melhor. Se não quiser escolher um dos favoritos:
Escolha um bem inferiorizado nas pesquisas, com menos possibilidade de ser
eleito. Depois você poderá dizer, com a consciência (quase) tranqüila:
"Eu fiz o que pude, fiz a minha parte".


Abraço do tesco

publicado no NPN às 04:42              Comments:                 Halo


Quarta-feira, Agosto 09, 2006


Amigos...
Não resisti ao impulso e voltei aqui para postar um outro texto antes que ele acabe junto com tantos outros cujo conteúdo instrospectivo me tiram totalmente a coragem de publicá-los.
Não ouso chamá-lo de um poema, é apenas um amontoado de palavras e sentimentos que não seguem regra alguma.
Na sequência do texto vai uma música que se encaixa perfeitamente.
Se gostarem desse estilo musical, ouçam a música prestando atenção à letra. E depois me contem se ela não é verdadeira...
Que dentro de cada um tem um cantinho escondido, decorado de saudade... Você ainda não tem um? Um dia vai ter, eu aposto!


Texto sem nome
Você entrou na minha vida aos poucos
Com cuidado
Com jeitinho...
Conquistou minha confiança
Minha amizade
Meu eterno carinho...

Quando nossa amizade estava completa
Um outro ¿você¿ resolveu se apresentar
Revelou os seus desejos
Trouxe à tona suas vontades

O carinho que eu sentia
Aumentou ainda mais
E inexplicavelmente
Seus desejos e vontades
Passaram a ser também meus
No exato momento em que você os revelou

E quase sem querer, eu me denunciei
Mesmo sabendo que isso lhe daria forças
Para lutar contra mim em favor da minha própria vontade
Para fazer vencer o nosso desejo

Tentei resistir
E sei que você também tentou
Mas o nosso contato diário
Foi o que nos condenou

E dessa forma a vida nos foi levando
Eu procurava fugir
Mas o acaso se encarregava
De me fazer encontrar-te

E de encontros e desencontros
Fomos escrevendo a nossa história
Certos de que um dia
Ela chegaria ao final

No último encontro
Aconteceu a despedida
Inconsciente de minha parte
Mas talvez consciente da sua

Sabemos que não adianta lutar
Penso que nem é isso o que queremos
Aceitamos a separação
Muito mais facilmente que a nossa estranha ¿união¿

Porém agora, você se foi
Com a promessa de não me esquecer
E mesmo que diga o contrário
Foi com a intenção de não mais me procurar
Mas foi louco para voltar a me ver

Como eu sempre insisti em dizer
Você é muito transparente
E o seu silêncio me diz tudo
Tudo o que eu preciso ouvir
Antes mesmo que você se permita me dizer

A sua ligação nesta madrugada
Já era presumida por mim
Era só uma questão de tempo
Mas precisamos acreditar que este é o fim

Fica em nós uma esperança
De que um dia essa história
Possa ser reescrita
Pois ela se encaixa no hall das ¿histórias de um grande amor¿
E história de grandes amores
Não costumam ter um fim

Enquanto isso
Procure a felicidade
Que eu vou te guardar dentro de mim
Num cantinho escondido
Decorado de saudade

Cantinho Escondido
Marisa Monte
Composição: Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Cézar Mendes

Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade

Um lugar pro coração pousar
Um endereço que freqüente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão

Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar

Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir

Dentro...

Tenham uma boa tarde!
Anna

publicado no NPN às 12:26              Comments:                 Halo



Crises de identidade

Então é assim...
Um dia eu resolvi fazer uma pesquisa lá em casa para saber se o meu nome seria mesmo Anna Paula desde o início da gravidez de minha mãe.
Lógico que eu descobri uma infinidade de outros nomes que poderiam estar registrados hoje em minha carteira de identidade.

Meu pai queria que eu me chamasse Rebeca, minha mãe foi contra imediatamente;
Minha mãe queria que eu me chamasse Sandra Regina (quase virei uma versão de Sandra Rosa Madalena.... Já pensou?), meu irmão dizia que isso não era nome de criança, e sim de "gente grande";
Meu irmão queria que eu me chamasse Luiza Fabiana (muito simpático, não acham? Tudo bem, eu perdôo porque ele tinha apenas 6 anos na época em que eu nasci), afinal o nome dele era (na verdade ainda é) Luiz Fabiano;
Um casal de tios (de coração e não de sangue) achava que meu nome tinha, obrigatoriamente, que ser Fabiana, tanto que há alguns poucos anos atrás, antes de falecer, a tia Deolinda não conseguia me chamar de outra coisa senão Fabiana. Mais de duas décadas e ela insistia em me chamar de Fabiana;
Uma irmã de minha mãe, conseqüentemente minha tia, queria que eu me chamasse Ane Caroline (eu teria gostado mais se fosse Ana Carolina);
Minha avó materna, italiana, queria que eu me chamasse Paola (um belo nome, e segundo ela um nome muito forte);

Conta a lenda que meu pai saiu de casa para ir até o cartório me registrar sem saber qual desses nomes iria colocar.
Eis que chegando lá, bateu uma inspiração e ele tirou do fundo do baú um "Anna Paola", assim mesmo, com 2 enes.

Eu achava que haveria uma explicação quase cinematográfica para os 2 enes, mas quando finalmente eu consegui arrancar o porquê dos dois enes, a resposta dele foi a seguinte:

- Porque Ana é um nome muito pequeno, e Anna fica mais simpático.
- Ahhh, tá... E o Paola, porque virou Paula?
- Acho que o homem que fez o registro entendeu errado, e eu gostei do "Anna Paula" mais do que do "Anna Paola"... Aí nem questionei ele.

Tudo bem... Dos males o menor!

Hoje eu vivo em crises de identidade...

Na família chamam-me apenas de Paula.
O pessoal do trabalho e os amigos em geral me chamam apenas de Anna.

Meu pai já chegou ao ponto de desligar o telefone de casa dizendo o seguinte:
- Não, não tem nenhuma Ana aqui não. Tudo bem. Tchau.

Na época em que eu trabalhava numa empresa de revestimentos cerâmicos (a Eliane) meu crachá tinha meu nome escrito pequenininho embaixo e o nome da empresa escrito bem grande e em vermelho em cima... Não precisa nem dizer que eu e mais todas as outras meninas que trabalhavam no showroom na época éramos todas Elianes, era muito difícil um cliente que identificasse o nosso nome verdadeiro. Na hora de atender ao telefone, então, nós sempre falávamos:
- Eliane Revestimentos, Anna, bom dia!
E do outro lado da linha ouvíamos sempre a mesma coisa:
- Oi Eliane, bom dia! Eu preciso....

Uma das minhas primas mais novas começou a falar há quase um ano, e ela encasquetou que meu nome é Maria Júlia... (não me perguntem, porque ninguém da família até hoje descobriu o porquê da pequena me chamar assim, nem tem ninguém com esse nome na família. Mas ela me chama por Maria Júlia há quase um ano inteiro);

Minha avó tem mais netas do que filhas (que já são 5), aí é um tal de ela trocar os nomes das netas que a gente nem sabe mais quem é quem quando está perto dela. Mas agora ela parece ter fixado uma regra. Se ela chama Gabriela é a mim que está se referindo, se chama o meu nome era para ser Rosane, se chama Juliana está querendo chamar Andressa, se chama Bruna, queria na verdade chamar Ana Beatriz, se chama Isabella, queria na verdade chamar a Larissa, se chama Mariana era para ser Vitória... e por aí vai... Cada uma já sabe o seu pseudônimo "avóternal". Então, em dias de reuniões em família, quando ela chama Gabriela e eu saio correndo enquanto a Gabriela de verdade nem se dá ao trabalho de responder, ninguém entende direito, só a gente é que sabe a quem ela está se referindo na verdade. E a gente se entende muito bem, não é ''vó'?

Sem contar o meu gerente, que troca meu nome com o da outra engenheira o tempo inteiro.

Desse jeito eu não sei quanto tempo vou agüentar antes de ter uma séria crise de identidade...

E vocês? Sabem qual era para ser o seu nome se não fosse esse pelo qual você atende hoje? Fora os apelidos, tem algum maluco que o chama por um nome totalmente diferente do seu ou sou só eu que convivo com pessoas um "pouquinho desligadas" com relação à nomes?


Tenham um bom dia!
Anna (ou Paula, ou Gabriela, ou Maria Júlia, ou Fabiana....)

publicado no NPN às 08:12              Comments:                 Halo


Segunda-feira, Agosto 07, 2006



Bom dia, quase boa tarde!!!! demorei porque o blog não queria funcionar de jeito nenhum!!!
de qualquer forma, em homenagem aos 100 anos do Mário Quintana que já passou mas eu não falei nada...não que eu me lembre..rs...pra vcs, alguns pensamentos do poeta.

um beijo

Tatoo



Do Caderno H

Mário Quintana



A Arte de Ler
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

A Carta
Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.

A Coisa
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

As Indagações
A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.

A Voz
Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.

Ars Longa
Um poema só termina por acidente de publicação ou de morte do autor.

Arte Poética
Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.

Biografia
Era um grande nome - ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.

Cartaz para uma feira do livro
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.

Citação
De um autor inglês do saudoso século XIX: "O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro: um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente."

Citação 2
E melhor se poderia dizer dos poetas o que disse dos ventos Machado de Assis: "A dispersão não lhes tira a unidade, nem a inquietude a constância."

Contradições
... mas o que eles não sabem levar em conta é que o poeta é uma criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória, isto é, verdadeira.
E por isso, é que o bom de escrever teatro é que se pode dizer, como toda a sinceridade, as coisas mais opostas.
Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.

Cuidado
A poesia não se entrega a quem a define.

Das Escolas
Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.

Destino Atroz
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.

Do Estilo
O estilo é uma dificuldade de expressão.

Dos Leitores
Há leitores que acham bom o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais.

Dos Livros
Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.

Dupla Delícia
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.

Educação
O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.

Fatalidade
O que mais enfurece o vento são esses poetas invertebrados que o fazem rimar com lamento.

Feira de Livro
O que os poetas escrevem agrada ao espírito, embeleza a cútis e prolonga a existência.

Leitura
Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.

Leitura 2
Livro bom, mesmo, é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir - até onde? - uma entrelinha... Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira leitura continuada.

Leituras¿ Você ainda não leu O Significado do Significado? Não? Assim você nunca fica em dia.
- Mas eu estou só esperando que apareça. O Significado do Significado do Significado.

Leituras 2
Não, não te recomendo a leitura de Joaquim Manuel de Macedo ou de José de Alencar . Que idéia foi essa do teu professor?
Para que havias tu de os ler, se tua avozinha já os leu? E todas as lágrimas que ela chorou, quando era moça como tu, pelos amores de Ceci e da Moreninha, ficaram fazendo parte do teu ser, para sempre.
Como vês, minha filha, a hereditariedade nos poupa muito trabalho.

Lógica & Linguagem
Alguém já se lembrou de fazer um estudo sobre a estatística dos provérbios? Este, por exemplo: "Quem cospe para o céu, na cara lhe cai". Tal desarranjo sintático faria a antiga análise lógica perder de súbito a razão.

O Assunto
E nunca me perguntes o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa.

O Poema
O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face.

O Trágico Dilema
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

Palavra Escrita
Por vezes, quando estou escrevendo este cadernos, tenho um medo idiota de que saiam póstumos. Mas haverá coisa escrita que não seja póstuma? Tudo que sai impresso é epitáfio.

Poema
Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos...

Poesia & Lenço
E essa que enxugam as lágrimas em nossos poemas com defluxos em lenços... Oh! tenham paciência, velhinhas... A poesia não é uma coisa idiota: a poesia é uma coisa louca!

Poesia & Peito
Qual Ioga, qual nada! A melhor ginástica respiratória que existe é a leitura, em voz alta, dos Lusíadas.

Refinamentos

Escrever o palavrão pelo palavrão é a modalidade atual da antiga arte pela arte.

Ressalva
Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.

Sinônimos
Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.

Sonho
Um poema que ao lê-lo, nem sentirias que ele já estivesse escrito, mas que fosse brotando, no mesmo instante, de teu próprio coração.

Tempo
Coisa que acaba de deixar a querida leitora um pouco mais velha ao chegar ao fim desta linha.

Veneração
Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.

Vida
Só a poesia possui as coisas vivas. O resto é necropsia.


Pensamentos extraídos do livro "Do Caderno H", Editora Globo - Porto Alegre, 1973, págs. diversas.


publicado no NPN às 11:58              Comments:                 Halo


Domingo, Agosto 06, 2006


PROMOÇÃO NPN 37
(REGULAMENTO NA COLUNA AO LADO, ABAIXO DOS PERFIS E DOS LINKS)
SORTEIO DOS LIVROS


POEMAS DRAMÁTICOS
POEMAS INGLESES
POEMAS FRANCESES
POEMAS TRADUZIDOS
de FERNANDO PESSOA

O título já diz quase tudo, não diz, porém, que os magníficos sonetos em inglês, de
Fernando Pessoa, são desprezados pelos críticos de literatura inglesa. Também não diz
que entre os traduzidos está a famosa tradução de "O corvo" de Allan Poe.

TODOS OS NOMES
de JOSÉ SARAMAGO
O fincionário encarregado pelo arquivo geral de
nascimentos, casamentos e óbitos, envolve-se com a ficha de uma mulher, procura
conhecê-la e muda toda sua rotina.


INSCREVA-SE ASSIM:
Escolha apenas UM grupo de dezenas, de 1 a 25.
As dezenas já estão determinadas para cada grupo.
Escolha um grupo que ainda esteja disponível!
A dezena vencedora será a do 5º prêmio da Loteria Federal de 12/08/2006,
Escolha, ATÉ às 18 h do dia 12/08,
e BOA SORTE

publicado no NPN às 16:28              Comments:                 Halo


Sábado, Agosto 05, 2006


PROMOÇÃO NPN 36: RESULTADO
Na extração de hoje, 05/08, da Loteria Federal,
a dezena do 4º prêmio foi 44, do grupo 11, escolhido por

CLARK KENT!
(Cada vez mais quente, pelo menos no jogo)
NOSSOS PARABÉNS!



publicado no NPN às 20:19              Comments:                 Halo


Sexta-feira, Agosto 04, 2006


MISCELÂNEA


Hoje tem BUNDAS DE FORA de novo!
É um espaço em que estão as contribuições dos leitores do Nós por Nós.
O nome refere-se a alcunha de alguns pequenos botecos do Rio, onde
fregueses ficam do lado de fora, mas não deixam de estar participando.


O IVAN, que além do blog Vertentes de Mim, mantém uma coluna no Catanduva na Rede,.
nos traz uma detalhada resenha de um CD de música brasileira.
A resenha é ótima e o CD, pelas palavras do Ivan, também o é. Confiram.




SOBRE UM DOS MELHORES DISCOS QUE JÁ OUVI!

No período barroco, Antonio Lucio Vivaldi nasceu em Veneza, na Itália, no século
17 e morreu em Viena, Áustria, com 60 e poucos anos, já no século seguinte (não
querem que me lembre dos anos, não é?- he he he). Formou-se padre, e o
apelidaram "Padre Rosso", por causa de seu cabelo ruivo. Seu pai, barbeiro, mas
um talentoso violinista, foi o responsável por introduzi-lo numa orquestra local,
onde foi reconhecido pelo talento musical no violino.
Compôs mais de 500 concertos, dezenas de óperas, sinfonias, músicas sacras,
de câmaras e sonatas - a maioria para violino, mas também algumas para flauta e
violoncelo solo - porém a mais famosa é mesmo As Quatro Estações, onde
procura, magnanimamente, expressar musicalmente as emoções causadas pelos
sentimentos de inverno, primavera, verão e outono.
Quem ainda não ouviu, e gosta de música erudita, procure viver essa experiência
auditiva. Muitas composições de Vivaldi são utilizadas por musicoterapeutas
renomados como Alfred Tomatis.

Mas, não é de Vivaldi que queria falar aqui. Mas do 4º disco do "Legião Urbana"
que tem o mesmo nome da composição famosa de Vivaldi. Lembro que eu tinha
uns 15 anos quando o ouvi pela primeira vez, inteiro. Ou seja, há uns 12 anos atrás.
Até hoje me impressiono por demais com a simplicidade musical do disco, porém
muito funcional e com a profundidade das letras. No final dos anos 80, o baixista
da banda, Renato Rocha resolvera sair e a banda deu-se um tempinho. Renato
Russo
viajou a São Francisco, uma das cidades com mais gays por metro
quadrado do mundo, ficou lá por uns meses, conheceu o que ele considerava o
maior amor da vida dele (um tal de Scott), teve contato com a doutrina do Buda,
através de um livro conseguido num hotel e ficou impressionado com os
ensinamentos. Resolveu falar então daqueles sentimentos mais profundo. Voltou
ao Brasil, reuniu-se com banda e compôs o maior sucesso radiofônico da carreira,
vendendo, na época, mais de 1 milhão e meio de cópias.

Das onze músicas, nove tocaram nas rádios. As canções
falam de amor, espiritualidade, deixando para trás todo aquele
clima crítico que sempre envolveu as bandas punks e pós
punks de Brasília. O disco definiu uma nova linha musical da
banda, mais intimista e desenvolvida ao logo da carreira a
partir dali, como se pode facilmente verificar nos discos
seguintes.

O disco começa com 'Há Tempos', dizendo que "todos os temores nascem do
cansaço e da solidão". Aqui reflete-se a respeito da força que temos interiormente,
mas doentes que ainda somos, não percebemos que, se déssemos à nossa voz
libertária a mesma força da dor que sentimos, contagiaríamos a vizinhança inteira
com nossa vontade de nos libertarmos dos conflitos.

'Pais e filhos' trata do (aparentemente infinito) conflito de gerações. Alerta que
não devemos culpar nossos pais por tudo, pois fica sempre a pergunta: o que
seremos quando crescermos? O refrão é uma adaptação da resposta de Buda a
um discípulo que queria saber do mestre o que era preciso para se tornar dono de
si e conseguir a felicidade suprema.

'Feedback Song For A Dying Friend' é uma música cantada em inglês. Mas o
encarte traz a tradução de Millôr Fernandes. Aliás, o Millôr contou certa vez que
não entendeu o motivo do convite, já que considerou perfeito o texto de Renato.
Afinal, se Renato conseguiu escrever tão perfeitamente naquele inglês, porque
haveria de precisar de um tradutor? A EMI (gravadora de todos os discos da
banda) podia ter emplacado essa música nas rádios do Tio Sam.

A música seguinte é um convite à consolação profunda. É estimulante, e é a
canção do disco que mais lembra os ensinamentos do budismo. Lembra-nos que o
sol nasce mesmo para todos. A escuridão nos lembra a importância da luz. Por
quê esperar, se podemos começar tudo de novo? Ainda temos chance. Medo da
dor? Mas a dor vem do desejo de não sentimos dor, aquela coisa de ficar onde se
está para ver como é que fica, e fechar-se para as mudanças, para as melhorias
pessoais. Assim penso quanto ao assunto de 'Quando O Sol Bater Na janela Do
Seu Quarto'
.

'Duas Tribos' (1965) é um hardcore que crítico. Sua mensagem é clara.
Gosto da música, mas acho que neste disco ela está deslocada. Podia estar no
disco anterior, o "Que País É este".

Paulo de Tarso é considerado o maior pregador do Evangelho de Jesus em toda a
história. Tinha fé na providência divina e profunda admiração pelo Cristo. Numa de
suas pregações, escreveu uma carta aos Coríntios, exaltando o valor da caridade.
Para Paulo, caridade é o amor em ação. Luís de Camões, poeta português, séculos
depois escreve sobre o amor romântico e aqui, Renato condensa os dois textos
num só, transformado-o numa lírica exaltação ao sentimento que todos estamos
procurando buscar e sentir no outro. Uma pérola. Ouçam 'Monte Castelo', como
se estivessem vendo Paulo e Camões de braços dados, cantando ao lado de
Renato Russo.

'Maurício' parece falar de entrega involuntária. Sabe quando o coração se entrega
à alguém sem pedir licença? Uma ótima música para uma serenata àquela garota
que não sai do pensamento.

Nesta época, apesar das especulações, Renato Russo ainda não havia assumido
efetivamente sua bissexualidade. Ele mesmo dizia que já havia dado dicas desde o
primeiro disco, como na música 'Soldados' ou no segundo, como em 'Daniel Na
Cova Dos Leões'. Mas é nessa canção que ele escancara de vez. Mas a letra é
humana, e clama para os preconceituosos que "precisa ter amigos, de dinheiro, de
amigos, de oxigênio", como a qualquer um. Prestes a entrar no século 21, com
todo o avanço de que já dispúnhamos em todas as áreas, é difícil admitir o
preconceito, por isso ele está "à procura de um lugar mais calmo, longe da
confusão e dessa gente que não se respeita".

Todos têm suas próprias razões. Todos têm motivos para justificar suas ações.
Todos nós agimos conforme o entendimento que fazemos da vida. Os sonhos que
procuramos realizar fazem parte de um mundo que cada um de nós vive. Mas,
como chegar até as nuvens com os pés no chão? E vou ouvindo 'Eu Era um
Lobisomem Juvenil'
...

'Sete Cidades' tem mesmo um nome curioso. Mas, o que você diria se alguém, ao
seu ouvido dissesse "quando não está comigo, meu espírito se perde...?" Pensar
na falta que se sente da pessoa em que se ama, como se sentíssemos falta de si
mesmo, do outro corpo junto ao nosso. Mais redentor seria ouvir: "quando estou
contigo, estou em paz". É disso o que fala essa música belíssima.

Renato Russo começa o disco dizendo que muitos temores nascem do cansaço e
da solidão, mas termina o disco com uma prece, clamando que o Cordeiro de Deus
nos desse a paz. Não sei se haveria maneira mais bela de terminar um disco que
nos diz muito mais do que parece dizer. Façam um exercício. Ouçam-no, com o
encarte nas mãos, atentos a cada vírgula.
Depois, voltem e me digam se o que escrevi aqui é só uma viagem de quem nada
tinha a dizer...

Ivan!
Grande abraço

publicado no NPN às 00:01              Comments:                 Halo


Quinta-feira, Agosto 03, 2006


INTUIÇÃO

Depois de criticar Denis de Rougemont, Jules Verne e Agatha Christie, me vi na
iminência de criticar ninguém menos que... Fernando Pessoa.

Calma! Não seria crítica à sua poesia nem à sua técnica literária, mesmo porque não
estou lendo nenhum livro de poesia do Pessoa atualmente, mas um livro de prosa.
Sim, Pessoa tem variado texto em prosa na sua obra, e com diversidade de assuntos.
Além de peças teatrais e novelas, trata sobre filosofia, política, economia, aspectos
sociais e culturais e esoterismo.

Em "Páginas de pensamento político", a edito